Economia

Hotel de cantaria

  • 26 de Março de 2008
  • 339 Visualizações, Última Leitura a 21 Setembro 2017 às 21:25
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O primeiro hotel rural nos açores deve abrir portas, na Vila das Lajes, dentro de dois anos, confirmou Di junto do promotor do empreendimento. Laureano Cabral está a preparar o projecto de reconversão da “casa do Joaquim machado Pires”, um imóvel do século XiX, situado na rua dos fundões, na Vila das Lajes. A unidade hoteleira, segundo o empreendedor, em conversa com Di, terá dez quartos para hóspedes e as demais valências necessárias ao funcionamento deste tipo de infra-estruturas. Em paralelo, deverão ser criadas possibilidades recreativas, nomeadamente a utilização do picadeiro que existe entre as duas habitações, no qual, segundo habitantes mais antigos da zona, se realizaram corridas de toiros. “Quando adquirir esta casa e a visitei com algumas pessoas, todos foram unânimes em dizer que ela é um excelente exemplar da arquitectura do ramo Grande e que possibilita várias actividades. Daí este projecto de aqui instalar uma unidade hoteleira”, explica Laureano Cabral, em declarações ao Di. Neste momento estão em curso algumas obras de consolidação das paredes. “Estou a preparar o projecto de arquitectura para iniciar as obras de recuperação das casas”, adianta o empreiteiro. Classificação...No local, que Di visitou ontem de manhã, pode ver-se a estrutura da habitação, toda ela marcada por enormes lajes de ignimbritos (denominados localmente como “cantaria”).O imóvel, aliás, é considerado um excelente exemplo da arquitectura do ramo Grande. Esse valor histórico e patrimonial foi reconhecido pela direcção regional da Cultura, que o classificou como de interesse arquitectónico, histórico e patrimonial. Também a delegação do turismo na terceira assume o valor daquelas casas. Ontem, fonte deste organismo confirmou o deferimento a um parecer prévio relativo à pretensão do proprietário. “Há muito trabalho aqui a realizar, particularmente no tratamento das cantarias. Por isso, parece-me que só dentro de dois anos será possível ter o espaço a funcionar”, admite Laureano Cabral. Exemplo...a “casa do Joaquim Machado Pires”, como é conhecida na Vila das Lajes, é um imóvel cuja construção deve ter ocorrido na primeira metade do século XiX. A datação decorre das diversas inscrições que se encontram no local, nomeadamente uma placa em azulejos que atribui a casa a “Joaquim Machado Pires - 1887”, ou uma inscrição na cantaria do chafariz dentro do picadeiro com data de 1870 e ainda uma inscrição lavrada numa das cantarias do poço que serve a casa, que comprova que dali foi retirada água em 1855.“É um excelente exemplar arquitectónico. a casa era o centro de uma propriedade agrícola maior, que, pela distribuição do espaço, procurava a auto-suficiência”, revela Maduro Dias, historiador. No espaço existem duas habitações, a casa principal e a antiga casa dos criados. No centro de ambas (como mostra a fotografia acima) encontra-se um picadeiro, que pelos elementos em redor terá sido usado como praça de toiros. “Há quem diga que aqui ocorreram as primeiras touradas na ilha. Mas não há provas disso, a não ser tradições orais”, revela Laureano Cabral. Nas traseiras da casa, viradas à rua dos fundões (que já foi conhecida como canada dos madrilenos, o que liga a zona à Casa do espanhol, situada na Caldeira das Lajes), encontra-se o antigo curral do porco e o arrumo dos transportes ou dos cavalos. “Aquelas construções eram o centro de uma propriedade agrícola maior, que se estendia por aquelas terras, onde existia uma vinha, um bosque para a lenha e outros espaços, o que demonstra a preocupação em garantir a auto-suficiência dos habitantes”, adianta Maduro Dias.

 

       

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