Economia

Economia açoriana no ralenti até 2013

  • 25 de Março de 2010
  • 284 Visualizações, Última Leitura a 26 Setembro 2017 às 02:06
    • *
    • *
    • *
    • *
    • *

A economia açoriana deve abrandar nos próximos anos, como consequência indirecta do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), que é votado hoje na Assembleia da República e que pretende controlar as contas públicas do país.

Por um lado, sectores fundamentais da economia insular vão viver dias mais difíceis, caso do Turismo e da Construção Civil; por outro, as famílias, perante o aumento da carga fiscal – por via indirecta – terão tendência a retrair-se no consumo, o que afectará o tecido comercial local.

No primeiro caso, a redução do poder de compra dos portugueses – mercado primordial do Turismo açoriano – reduzirá as possibilidades de viagens ao arquipélago, o que provocará a descida dos indicadores do sector.

Além disso, a construção civil privada deverá abrandar também já que as famílias, perante o aperto, adiarão investimentos imobiliários.

Sendo esses dois sectores estruturantes para a economia açoriana, a previsível redução no consumo terá efeitos concretos na saúde financeira do arquipélago, alegam os economistas.

Mário Fortuna, economista e presidente da Câmara do Comércio dos Açores, não perspectiva melhorias antes de 2013.
“[Não haverá crescimento] nem em 2010, nem em 2011, nem em 2012 e nem em 2013. Porque o consumo privado em qualquer um destes anos está bastante restringido”, alega Mário Fortuna, em declarações à Antena 1 Açores.

Quanto às famílias, o economista e professor da Universidade dos Açores, Rosa Nunes, alega que “serão os mesmos a pagar a crise”.

“A Região tem uma economia dependente do Turismo e este, nos próximos três anos, não terá grandes evoluções. As famílias açorianas dependem da economia local e se esta estiver mal, elas também sofrerão esses reflexos.

Se a economia não gerar riqueza, as famílias não terão maior desafogo financeiro e não tendo maior desafogo financeiro não contribuem para o desenvolvimento da economia.

Ou seja, é um ciclo vicioso, agravado pelas condicionantes externas, nomeadamente a contracção económica no Continente, por via da aplicação do PEC”, argumenta, em declarações à Antena 1 Açores.

“Os salários da Função Pública - um sector preponderante do emprego - vão estar congelados, logo o poder de compra vai reduzir-se. Portanto, são vários os indicadores que nos permitem perspectivar a contracção do crescimento económico da Região”, sublinha, admitindo a subida do desemprego.

Mário Fortuna e Rosa Nunes indicam que caberá ao investimento público minimizar essa tendência.

“O Governo Regional terá de ponderar com grande cuidado os seus investimentos e as suas acções, inclusivamente ao nível dos apoios sociais. Poderá até ser necessário aumentar o número de beneficiários do Rendimento Social de Inserção”, admite Rosa Nunes.

O economista diz ainda que a Região carece de uma estratégia concertada para captar turistas para o arquipélago.
“Não podemos andar a experimentar mercados, ora na Dinamarca, ora na Alemanha, ora aqui, ora ali. Temos de definir um rumo e mantê-lo, para chegarmos a algum lado”, argumenta.

Aumento da carga fiscal com impacto residual nas ilhas

O aumento da carga fiscal sobre os portugueses provocado pela aplicação do Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) poderá garantir mais receitas para os Açores.

A lei das finanças regionais atribui à Região as receitas fiscais cobradas no seu território e o PEC reduz os benefícios fiscais, o que resultará no aumento do dinheiro que ficará nos cofres públicos por via da cobrança fiscal.

No entanto, o vice presidente do Governo Regional minimiza esse possível aumento, alegando que, a verificar-se, será irrisório.

“Penso que não haverá uma variação significativa. Penso que o possível aumento de impostos não terá relevância orçamental na Região. O essencial para nós é salvaguardar o que está estabelecido na lei das finanças regionais.
 
Ou seja, manter os níveis de transferências do Orçamento do Estado, do acesso aos fundos comunitários e ao financiamento externo que tínhamos definido até 2013.

Este PEC não nos afectará como aconteceu em 2002, quando a lei das finanças regionais foi suspensa e as transferências para a Região foram congeladas”, argumentou Sérgio Ávila, em declarações à Antena 1 Açores.

O Governo da República confirmou que os Açores vão manter as transferências do Orçamento do Estado anunciadas antes do PEC.

Comentários

Deixar Comentário

Quantos são Oito mais Cinco? O que é isto?

Pesquisar

Conhecer Todos
Conhecer Todos