Economia

Pilotos da TAP resistem e avançam para a greve

  • 22 de Março de 2010
  • 215 Visualizações, Última Leitura a 20 Agosto 2017 às 07:46
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Os trabalhadores reivindicam aumentos salariais e uma compensação pelas poupanças conseguidas pela companhia de aviação nacional com a revisão do acordo de empresa (AE) e, até agora, todas as tentativas de negociação se revelaram infrutíferas.

A greve foi marcada em reacção a uma proposta apresentada pela transportadora aérea que não correspondeu às expectativas dos trabalhadores. Está em causa o facto de a TAP não aumentar os salários acima de 1,8 por cento e ainda divergências relacionadas com os ganhos obtidos com a redefinição do AE. As duas partes acordaram repartir essa poupança, mas apresentam valores muito díspares. A companhia de aviação diz que as compensações se situam nos cinco milhões de euros, enquanto o Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) fala de 21 milhões.

Neste momento, a negociação relacionada com as remunerações dos pilotos está parada, uma vez que a empresa, detida a 100 por cento pelo Estado, está impedida pelo accionista e comprometida com os restantes trabalhadores no sentido de não fazer aumentos superiores a 1,8 por cento. Poderá, no entanto, haver desenvolvimentos no que diz respeito à repartição dos ganhos, uma vez que uma equipa técnica continua a trabalhar para perceber se será possível aproximar os números defendidos pela TAP e pelo SPAC.

No entanto, a paralisação, a cumprir entre 26 e 31 de Março e que trará prejuízos de 30 milhões de euros à transportadora, ainda continua de pé. Isto apesar da vaga de protestos que se gerou em seu redor. Primeiro, foi o Governo, que veio apelar, através do Ministério das Obras Públicas, ao bom senso e ao sentido de responsabilidade dos pilotos.

Depois, foi a vez das associações ligadas ao turismo. A Associação de Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) classificou a greve como "um irresponsável atentado aos interesses nacionais". A Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo (APAVT) enviou uma missiva ao sindicato na semana passada, pedindo o cancelamento da greve. E a Confederação do Turismo Português (CTP) disse que a paralisação "vai tornar a Páscoa [um dos períodos mais rentáveis para o sector] num inferno".

E, por fim, juntaram-se a estas vozes os trabalhadores de terra da TAP, que organizaram um protesto nas instalações da empresa, na passada quarta-feira, para demonstrar "desagrado e tristeza pela vergonha e falta de respeito" dos pilotos para com os restantes funcionários. Iniciativa reveladora de uma divisão interna sem precedentes na história da companhia de aviação nacional.

Os pilotos permanecem, desde o início deste processo, em silêncio, limitando-se a emitir comunicados e mostrando-se indisponíveis para prestar esclarecimentos à imprensa enquanto o diferendo que os opõe à administração não estiver resolvido. Entre o dia de hoje e de amanhã, vão ser conhecidos os serviços mínimos a assegurar nos seis dias de paralisação, durante os quais estão 1500 voos marcados, nos quais deveriam viajar cerca de 150 mil passageiros. A decisão vai ser tomada por um colégio arbitral, nomeado pelo Conselho Económico Social, uma vez que, também neste ponto, TAP e pilotos não conseguiram chegar a acordo. A primeira reunião do grupo está agendada para hoje, pelas 10h30, e a decisão final terá de ser apresentada até ao final do dia de amanhã, uma vez que, ao abrigo do Código do Trabalho, tem de ser tomada até 48h antes do início da greve.

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