Economia

Proenergia registou um aumento de 44% das candidaturas em 2018

  • 20 de Setembro de 2019
  • 14 Visualizações, Última Leitura a 15 Outubro 2019 às 01:31
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Andreia Carreiro Diretora Regional da Energia fala sobre os objetivos da campanha de eficiência energética dinamizada através do Açoriano Oriental e da Rádio Açores TSF e faz um balanço “positivo” do programa Proenergia que, de 2017 para 2018, aumentou em 51% os incentivos.


Desde o dia 6 de setembro e durante os próximos seis meses, a Direção Regional da Energia encontra-se a dinamizar uma campanha de eficiência energética, direcionada principalmente para o setor residencial da Região. Em que consiste exatamente esta campanha e quais são os objetivos?

Esta campanha de eficiência energética tem como objetivo sensibilizar as pessoas para esta temática e transformar o conhecimento técnico que existe em dicas práticas e levá-las para a casa das pessoas.

Queremos explicar como é que as pessoas podem, com os seus comportamentos e da forma que utilizam energia, poupar quer do ponto de vista económico quer do ponto de vista ambiental.

 

Passa apenas por dicas ou existem outras ações/iniciativas associadas a esta campanha?

No âmbito desta campanha, passa essencialmente por dicas, para passarmos do conhecimento técnico a questões mais práticas.

Temos o cuidado de avaliar a casa e ter um conjunto de dicas para a lavandaria, para a cozinha, para a iluminação, climatização e equipamentos também.

Temos ainda orientações que são transversais como a questão da tarifa.

Queremos explicar que, ao termos uma tarifa bi-horária ou tri-horária, que as pessoas podem alocar os consumos nos períodos de vazio, porque acaba por ser metade do preço face ao período de ponta e aí conseguem ter poupanças muito significativas.

São pequenos gestos que, muitas vezes, permitem poupar significativamente.

No fundo, isto surge porque a energia é um setor principal para o combate às alterações climáticas e a verdade é que nós podemos ter aqui um conjunto de políticas e de medidas para reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa, nomeadamente a integração de uma maior quantidade de fontes renováveis, a questão da mobilidade elétrica e a questão da segurança do abastecimento, mas a verdade é que cada um de nós é responsável por fazer esse combate.

Portanto, se nas nossas casas conseguirmos utilizar a energia de uma forma eficiente, estamos a contribuir para essas questões.

 

Relativamente às empresas, também têm ações para promover a eficiência energética?

Esta campanha específica não está focada nas empresas. Contudo, para o ramo empresarial, temos um conjunto de ações de sensibilização e outras iniciativas como os Encontros com Eficiência Energética que é um ciclo de conferências, que vamos criando com alguma periodicidade, sobre determinadas temáticas de eficiência energética e aí sim abordamos os pontos para as empresas.

Também estamos a desenvolver um plano regional de ação para a eficiência energética que envolve diversos setores de atividade e temos planos que são feitos para a indústria, para o comércio e serviços, para a administração pública, para o residencial, transportes, pescas e edificado.

Temos ainda Workshops com Eficiência Energética que são dedicados a profissionais da área, no sentido de capacitá-los melhor nas suas ações profissionais no que toca à energia.

Tudo isto é importante para as empresas porque se trata de um fator de competitividade bastante interessante.

 

Existe algum tipo de fiscalização às empresas no sentido da eficiência energética?

Não existe fiscalização, existem sim algumas orientações ao nível do edificado como os certificados energéticos que são obrigatórios.

Ao nível da indústria, quando são consideradas indústrias intensivas, existe um sistema de gestão onde estão inseridas que obriga a um conjunto de auditorias, por isso, já existem algumas estratégias a esse nível.

 

No que à iluminação pública diz respeito, existe algum incentivo às autarquias para que seja mudada para LED?

Temos um plano de substituição a 10 anos de todas as luminárias por LED e têm vindo a ser substituídas de uma forma gradual.

Do ponto de vista de incentivos, o que existe é no âmbito do programa operacional Açores 20/20, onde existe um eixo que promove a eficiência energética na administração pública e aí acaba por existir algum incentivo associado.

Também no Plano de Promoção de Eficiência no Consumo, que é um programa da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos que costuma ser lançado de dois em dois anos e esperamos que seja lançado já no próximo ano, onde nós podemos concorrer e onde é elegível este apoio.

Ou seja, está tudo pensado e planeado, mas a substituição tem vindo a ser gradual, porque a verdade é que não podemos colocar no lixo equipamentos que estão no seu perfeito ciclo de vida e a funcionar, porque também isso é um desperdício.

 

No que a energias renováveis diz respeito, um particular que queira adquirir um equipamento fotovoltaico consegue um apoio de 35% no programa Proenergia. Trata-se de um incentivo apenas ao autoconsumo ou também pretendem que haja injeção de energia na rede?

O apoio do Proenergia para o fotovoltaico tem o objetivo de promover a sua utilização e o recurso a energias renováveis do ponto de vista local, porque é onde existe menos desperdício.

Claro que, em alguns casos, compensa do ponto de vista económico, em outros não, apesar de compensar a nível ambiental.

Nesse sentido, nós decidimos desenvolver um simulador no portal da Energia, onde as pessoas vão poder fazer a simulação para perceber se, no seu caso, é economicamente viável ou não.

Nós pretendemos que a aquisição de fotovoltaico seja para autoconsumo.

O injetar na rede tem de ser visto como excedente.

Existe uma remuneração associada a essa injeção, se calhar não é a que as pessoas idealizavam, mas é a possível e é estipulada pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.

Além disso, como queremos que as pessoas consumam a energia que o equipamento gera, na nova revisão do Proenergia, nós permitimos também a aquisição de baterias precisamente para que possam armazenar a energia produzida para ser consumida mais tarde.

 

Outra máxima da Direção Regional de Energia tem sido a questão da mobilidade elétrica. Que incentivos existem para particulares e para empresas na aquisição de veículos elétricos?

Ao nível do fundo ambiental, há um conjunto de iniciativas que estão disponíveis, nomeadamente um incentivo de 3000 euros por veículo para particulares e de 2500 euros para empresas. Isto está disponível não só para veículos ligeiros como para motociclos e para outros tipos de veículos elétricos.

A esse nível, posso avançar que o Governo Regional também está a desenvolver um sistema de incentivos numa lógica de adoção dos veículos e ainda dos pontos de carregamento, que será divulgado brevemente, e que surgirá na sequência da aprovação do diploma sobre a mobilidade elétrica que ocorreu há relativamente pouco tempo.

 

Fora a mobilidade elétrica, todas estas medidas que temos falado fazem parte parte do Proenergia. Que avaliação faz deste programa até agora?

Penso que se trata de um programa extremamente positivo para a Região, temos verificado que o número de candidaturas estão a crescer de ano para ano, o que nos deixa muito satisfeitos porque percebemos que a Região se está a tornar mais ambientalmente correta e energeticamente eficiente.

Posso adiantar que tivemos mais 44% de candidaturas em 2018, face ao ano 2017, e aumentámos os incentivos concedidos em 51% também nesse período.

 

Qual é o objetivo do Governo relativamente às energias renováveis nos Açores?

O nosso objetivo é maximizar a sua integração. Neste momento, temos uma evolução bastante significativa, até porque, em 2006, a integração de fontes de energia renovável era de cerca de 17% e, nos primeiros meses de 2019, conseguimos alcançar quase 40% em produção de energia elétrica.

Portanto, queremos desenvolver um conjunto de projetos precisamente para aumentar esta integração.

 

Exemplos de projetos?

Temos em curso a instalação de centrais fotovoltaicas em Santa Maria e no Corvo. Mas nós temos aqui uma especificidade que é o facto de sermos ilhas, logo são sistemas isolados de energia, em que tem que existir sempre um perfeito equilíbrio entre a procura e a oferta.

As fontes de energia renovável são absolutamente fantásticas do ponto de vista ambiental, mas do ponto de vista de gestão do sistema elétrico trazem sempre alguns desafios associados pelo facto de serem fontes intermitentes.

Portanto, elas também falham, o vento falha e o sol falha, e temos de ter formas de compensar. Atualmente, essas compensações são feitas com os grupos térmicos, ou seja, com recurso a combustíveis fósseis.

Contudo, a tecnologia está a evoluir e faz-nos crer que o próximo passo é substituir os grupos térmicos por baterias que permitem uma estabilização e regulação da rede.

A prova disso é o o que aconteceu na Graciosa, um projeto que já decorre há algum tempo e que, em julho, acabou por estar a injetar na rede e a ser explorado do ponto de vista comercial, e que vai fazer com que essa ilha consiga ter 65% de produção de energia de fontes renováveis anualmente.

Neste momento, a EDA está a desenvolver estudos para Santa Maria, São Miguel e Terceira e o objetivo é que consigamos, até 2025, aproximar dos 60%.

Claro que estes investimentos também têm de ser feitos de uma forma gradual, porque as baterias têm a componente de regular e estabilizar a rede, mas também têm a capacidade de armazenar, ou seja, no futuro, vamos ter a possibilidade de armazenar a energia que é excedente.

Isto acontece em São Miguel, muitas vezes as eólicas têm de ser desligadas durante a noite pelo facto de não termos um consumo suficiente para as absorver.

Nesse sentido, quando tivermos este tipo de sistemas de baterias vamos conseguir absorver a energia para utilizar em outros períodos.

Temos é de apostar no momento certo quer do ponto de vista económico quer do ponto de vista técnico porque estas tecnologias estão ainda em evolução.

 

Os projetos em curso para Santa Maria, São Miguel e Terceira têm o objetivo de replicar o projeto da Graciólica?

Cada ilha tem as suas especificidades e já tem um conjunto de energias e potência instalada de outras fontes diferentes. Portanto, para estas, o objetivo é utilizar as baterias como sistema de armazenamento e de regulação da rede.

Todas estas medidas que temos falado fazem parte da estratégia açoriana para a Energia, que nós Governo pretendemos que dê resposta a estas especificidades de cada ilha.

Queremos que a energia seja limpa, fiável e competitiva para todos e que explore aquilo que nós temos de mais valioso que são os nossos recursos naturais.

 

Fonte: Açoriano Oriental

 

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