Economia

Empresas de animação turística pedem combate à economia paralela

  • 16 de Setembro de 2019
  • 28 Visualizações, Última Leitura a 15 Outubro 2019 às 02:24
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Alice Sousa Lima Presidente da direção da Associação Regional das Empresas de Animação Turística defende um reforço da vigilância contra a economia paralela neste setor de atividade que tem potencial para representar 25 milhões de euros na economia regional.


Por que motivo foi criada uma associação de empresas de atividades turísticas nos Açores?

A AREAT surgiu em 2014, por intermédio de um grupo de empresários que perante uma adversidade devido à falta de organização, na paragem de cruzeiros nos Açores, viram aqui a oportunidade de se fazerem representar num mercado em constante mudança, com legislação recente, e em constante pressão. Esta adversidade foi fator de união e deu a oportunidade de os empresários terem uma voz na defesa dos seus interesses e da Região.De um modo geral, somos o elo de ligação dos empresários que exercem a atividade com as várias entidades. Assumindo uma posição de combate à ilegalidade e de melhoria constante da qualidade das atividades das nossas empresas nos Açores, aplicando também princípios de proteção ambiental e sustentabilidade.

 

Quantas empresas representa a associação?

A associação neste momento tem cerca de meia centena de associados efetivos e proponentes, representando empresas de atividades de animação turística e marítimo-turísticas dos Açores de dimensões muito díspares e com representação em diferentes ilhas dos Açores.Em abril deste ano, a Associação tomou m novo fôlego, através da eleição de uma nova direção. Aproveitava para apelar ao associativismo pois é uma das premissas da nova direção. Pretendemos reforçar a representação em todas as ilhas dos Açores de modo a intervir mais eficazmente na defesa dos nossos interesses, para alem das vantagens mesuráveis como apoio jurídico e protocolos. Juntos poderemos sempre fazer mais...
Qual o potencial de crescimento das empresas ligadas a atividades turísticas?As atividades turísticas a nível mundial têm tido um crescimento exponencial nos últimos cinco anos, sendo um mercado cada vez mais apetecível e os Açores não são exceção.O viajante hoje em dia procura experiências e tendo em conta este perfil, poderemos fazer um pequeno exercício: no ultimo ano de 2018, registaram-se mais de 2,5 milhões de dormidas nos Açores e se apenas 20% destes turistas usufruírem das nossas atividades com um investimento de 50 euros, isto representa um impacto de 25 milhões euros para a Região.O potencial é enorme, têm é de ser bem trabalhado pela Região e por cada empresa.


Que problemas identificam neste setor de atividade?

Sendo um setor com uma importância recente e de rápida evolução a legislação e regulamentação muitas vezes não acompanha as necessidades.Um dos pontos a alterar será a necessidade de regulamentar as atividades consideradas de risco mais elevado como, por exemplo, o canyoning e o coastering. Neste momento, qualquer empresa que se registe e obtenha um seguro poderá exercer estas atividades sem a obrigatoriedade de formação específica e de requisitos específicos de equipamento.As empresas que operam, neste momento, nos Açores felizmente autorregulamentaram-se tendo em conta parâmetros essenciais definidos na área desportiva. Contudo, neste momento, nada impede de uma empresa ou ENI de exercer a atividade sem seguir estes parâmetros.Outro ponto importante será o mercado paralelo e ilegal que está em força, inclusivamente conseguem-se encontrar excursões ou passeios turísticos em carros particulares através de plataformas online de venda de serviços.Tem sido reforçada a fiscalização mas aos que já se encontram identificados e registados. E achamos esta situação muito boa. Contudo, todos os restantes que não possuem qualquer seguro de atividade ou registos ficam de fora destas fiscalizações. Ou seja, neste momento, os que operam registados são verificados e são exigidas constantes atualizações aos métodos de trabalho e o total cumprimento da lei, enquanto os que não se registam, fazem o preço que bem entendem destroem o mercado, andam sem seguros de responsabilidade civil e de acidentes pessoais.Outro ponto, será o mercado das recomendações/comissões, umas mais oficiais e outras menos. É natural que um visitante se dirija à receção de um Hotel ou a um gerente de alojamento local e solicite uma recomendação de atividade. O lamentável é que estes, muitas vezes, recomendam a quem oferece mais comissões, não verificando a legalidade das empresas e das atividades e, por vezes, promovendo a animação turística ilegal.


Que medidas devem ser implementadas para melhorar este setor?

Deverão ser criadas reais vantagens competitivas para as empresas e empresários de atividades turísticas. Uma medida será a limitação de acessos a locais sensíveis para apenas residentes ou turistas devidamente acompanhados por estas empresas. Desde modo, poderemos ativamente auxiliar a proteger a nossa Região. O turista e visitante só é bom para a Região quando deixa investimento capaz de colmatar a pegada que cria.Tem sido reforçada a formação especializada na área, contudo, acreditamos que a mesma ainda não é adequada às necessidades. Enaltecemos a existência dos cursos de guias de parque natural, mas é necessário mais.Deverá também ser reforçada a fiscalização à animação turística ilegal, não se direcionado apenas para fiscalização fácil, pois quem se identifica como empresa de animação, em principio, não terá muito a temer.


Considera que já existe saturação de turistas em alguns locais na Região?

Saturação não. Consideramos que existe uma má distribuição do fluxo de turistas entre as ilhas e dentro da mesma ilha. A aparente saturação é muitas vezes causada pelo estado do tempo e, por exemplo, este mês de agosto os pontos de vista mais elevados e as Furnas foram fortemente fustigados, pois em dias de chuva o fluxo direcionou-se todo para as águas termais e nos dias limpos direcionou-se para os pontos altos. Também aproveito para mencionar que nós poderemos ser a resposta para esta questão, através da diversificação de atividades e de pontos de paragem a horas desiguais.Para além desta má distribuição, existe o problema do total desrespeito das regras de trânsito por parte de alguns turistas não acompanhados. Esta situação chega a ser perigosa nas nossas estradas.Aproveito para lembrar que a sinalética que dizemos ser internacional, por exemplo, nos Estados Unidos da América é totalmente diferente. Um traço contínuo - proibido estacionar, trânsito proibido - ou um sinal de sentido único são desconhecidos para alguns visitantes que não reconhecem a simbologia…É uma situação preocupante, no mínimo.


A sazonalidade é um problema das empresas de atividades turísticas?

A sazonalidade é o calcanhar de Aquiles do turismo, em qualquer atividade, sendo que na ilha de São Miguel se verifica uma redução significativa do período considerado de época baixa, servindo para diminuir os vínculos de trabalho precário pelo qual este setor é infelizmente conhecido. Nas restantes ilhas, ainda é bastante acentuada a sazonalidade, sendo essencial o seu combate para garantir maior estabilidade para o setor.Deveremos, através dos vários agentes, enfatizar os pontos fortes de cada ilha como, por exemplo, o património cultural e natural, devendo também reforçar eventos e acontecimentos em épocas baixas como, por exemplo, a rota do enólogo no Pico, a rota do Queijo em São Jorge ou o birdwatching no Corvo.Sendo também essencial a divulgação dos mecanismos de distribuição de passageiros e o melhoramento dos mesmos.Que atividades turísticas despertam maior curiosidade junto dos visitantes?A observação de cetáceos e as atividades relacionadas com a natureza, como os trilhos pedestres e o canyoning, têm sido uma excelente bandeira e, curiosamente, despertam a curiosidade de viajantes de todas as idades.


O que recomendam aos turistas para fazer quando existe mau tempo?

Felizmente nas nossas ilhas , não falta o que fazer em dias de chuva e mau tempo, desde seguir roteiros mais culturais ou gastronómicos ou mesmo atividades mais radicais que ganham um encanto em dias de chuva. Em são Jorge, poderão fazer uma prova de queijos; em São Miguel a rota das Termas e nas Flores uma atividade de canyoning, entre outros mais variados exemplos.

 

Fonte: Açoriano oriental

 

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