Economia

Campanha quer tornar queijos açorianos populares no Canadá

  • 16 de Setembro de 2019
  • 37 Visualizações, Última Leitura a 15 Outubro 2019 às 01:20
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Com um milhão de euros de financiamento, o projeto ‘EU Free Grazing Dairy’ é a primeira iniciativa europeia do Centro Açoriano de Leite e Laticínios. O objetivo é promover os queijos dos Açores no Canadá, aproveitando o acordo comercial.

Uma campanha de promoção integrada num projeto sustentado a três anos pretende dar a conhecer os queijos açorianos ao grande público do Canadá e já está neste momento a decorrer nas duas grandes metrópoles do país, Toronto e Montreal.

Esta campanha de cerca de um milhão de euros é financiada em 80 por cento por fundos comunitários e resulta do projeto ‘EU Free Grazing Dairy’, uma designação inglesa que significa laticínios de vacas criadas na pastagem.

Os restantes 20 por cento são financiados pelas instituições ligadas à produção e à indústria de laticínios que integram o Centro Açoriano de Leite e Laticínios.

Os produtos escolhidos para esta campanha foram o ‘Queijo Ilha’, mas também o Queijo com Denominação de Origem Protegida (DOP) pela União Europeia e ainda o ‘Queijo Prato’, que representa os queijos açorianos cujo formato assenta na dimensão de um prato.

A campanha - que não promove marcas, mas sim tipos de queijo - já decorre através de grandes cartazes no Canadá e recorre ao grafismo mais utilizado nesse país, fazendo uma associação com a famosa expressão inglesa ‘say cheese’, que se diz quando se quer que alguém sorria para a fotografia.

Os cartazes apelam também ao pluralismo cultural e étnico do Canadá através de várias pessoas fotografadas a sorrir, sendo o único elemento comum a forma da meia-lua sobre a parte inferior do rosto das pessoas, que identifica não apenas uma fatia de queijo, como também simboliza um sorriso aberto.

O projeto ‘EU Free Grazing Dairy’ resulta de uma candidatura financiada com fundos comunitários destinados a apoiar a promoção de produtos alimentares para exportação e é a primeira ação de dimensão europeia do Centro Açoriano de Leite e Laticínios, o organismo que congrega o Governo dos Açores e representantes da produção, distribuição e indústria leiteira.

Esta é uma linha de apoio gerida diretamente por Bruxelas, sendo que a candidatura açoriana foi uma das 58 aprovadas ao nível de todos os 28 Estados-Membros, num total de 146 candidaturas.

A candidatura açoriana, feita através da Associação Agrícola de São Miguel, foi mesmo a única candidatura portuguesa aceite.

Aliás, a candidatura açoriana é apresentada pela Associação Agrícola de São Miguel por ser esta a única entidade no seio do Centro Açoriano de Leite e Laticínios que tinha a dimensão, o enquadramento jurídico e que manifestou também a disponibilidade operacional para o fazer.

Isto porque o Governo dos Açores não se pode candidatar a este apoio e as indústrias isoladamente também não, uma vez que os fundos são destinados a produtos e não a marcas.

Para além disso, o próprio Centro Açoriano de Leite e Laticínios e a Federação Agrícola dos Açores - que é quem oficialmente integra o Centro de Leite - não dispõem de estruturas no terreno nem têm histórico financeiro para apresentar uma candidatura.

Por isso, a candidatura açoriana só poderia ser apresentada pela Associação Agrícola de São Miguel, ainda que no âmbito do Centro Açoriano de Leite e Laticínios, uma vez que esta é uma candidatura para beneficiar toda a fileira do leite e não apenas os produtores.

Conforme refere em declarações ao Açoriano Oriental o vice-presidente da Associação Agrícola de São Miguel e vogal da direção do Centro de Leite, Jorge Sousa, “esta é uma promoção que não se destina apenas às comunidades açorianas, sendo alargada a todos os canadianos, com o objetivo de dar a conhecer os queijos dos Açores e o seu modo de produção, numa altura em que se valoriza muito a questão ambiental e do bem-estar animal”.

Para Jorge Sousa, “o facto de termos gado na pastagem todo o ano foi um fator de diferenciação da nossa candidatura para a sua aprovação”.

Refira-se que a janela de oportunidade desde projeto de promoção dos queijos açorianos no Canadá surgiu com o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Canadá (CETA na sigla inglesa), que entrou em vigor há dois anos.

No caso dos queijos, a quota anual de exportação da União Europeia para a Canadá passará de 5300 toneladas em 2018 para cerca de 18 mil e 500 toneladas após o ano de 2022.

Há, por isso, uma oportunidade para os Açores aumentarem as suas exportações para o Canadá, uma vez que a campanha de promoção dos queijos dos Açores decorre durante o período de aumento da quota de exportação e pretende criar uma imagem consolidada no consumidor, o que não se conseguiria apenas com ações pontuais.

Conforme recordou, por seu lado e também em declarações ao Açoriano Oriental, a presidente do Centro Açoriano de Leite e Laticínios, Maria Carolina da Câmara, “os sócios do Centro de Leite entenderam que haveria aqui uma oportunidade, uma vez que já tínhamos nesse país o mercado da saudade, mas agora com o aumento da quota, pretendemos estender esse mercado não apenas aos portugueses, mas a todos os canadianos”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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