Economia

Mais apoios e formação para atrair jovens à agricultura

  • 21 de Agosto de 2019
  • 26 Visualizações, Última Leitura a 20 Setembro 2019 às 03:56
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Atribuir majorações para os jovens nos apoios concedidos e na obtenção de crédito e reforçar a formação em agricultura, através da criação de um novo curso profissional.

Estas são, no essencial, as medidas previstas no programa Jovem Agricultor, que o governo tem debatido com as associações do setor e que pretende ver aprovado e em vigor até ao final deste ano.

O objetivo é trazer mais jovens para a agricultura uma vez que, atualmente, apenas 16 por cento das explorações açorianas são geridas por agricultores com menos de 40 anos, num universo de apenas cerca de mil jovens agricultores a exercer nos Açores.

Além disso, existem 534 jovens a trabalhar nas explorações e que são filhos dos proprietários tendo, por isso, potencial para dar continuidade à atividade dos pais.

Ao nível das habilitações, apenas 20 por cento dos agricultores com menos de 40 anos completou o 12.º ano, uma percentagem ainda inferior àqueles que, atualmente, têm apenas o 6-º ano de escolaridade e que ainda representam 23 por cento do total de jovens agricultores nos Açores.

O programa Jovem Agricultor não tem uma verba fixa atribuída pelo Governo, pelo que o seu impacto orçamental na Região vai depender também do nível de adesão que as medidas vierem a ter por parte dos jovens agricultores.

Para já, a intenção do Governo dos Açores é investir no rejuvenescimento agrícola da Região, acreditando ser possível acomodar estas medidas no orçamento regional.

Em declarações aos jornalistas após reunir-se ontem em Ponta Delgada com os presidentes das associações representativas dos agricultores, o secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, afirmou que o programa Jovem Agricultor “prevê medidas de incentivo a um conjunto de apoios que já existem no setor agrícola, mas que queremos que venham a prever majorações para os jovens”.

Conforme refere o secretário regional da Agricultura e Florestas, o programa Jovem Agricultor prevê ainda medidas novas como “uma linha de apoio ao crédito para os jovens com projetos de primeira instalação, mas também para aqueles que se instalaram nos últimos cinco anos”.

João Ponte lembrou também que, no contexto nacional, até é nos Açores que existe uma maior participação dos jovens na agricultura. Aliás, nos Açores, a média de idade geral dos agricultores é de 53 anos, enquanto que a média nacional é de 64 anos.

Contudo, acrescenta o secretário regional da Agricultura e Florestas, “temos de olhar para o futuro e continuar o rejuvenescimento do setor agrícola na Região”.

Um dos pontos em maior destaque no programa Jovem Agricultor é a aposta na educação, através da criação de um curso de formação profissional em Agricultura e Pecuária que será ministrado num estabelecimento de ensino oficial e com caráter permanente, ou seja, que não está sujeito a abrir nuns anos e não abrir noutros, como acontece com alguns cursos profissionais.

Para o secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, esta é uma medida “fundamental para conseguirmos atrair mais jovens para a agricultura e para que os jovens possam também formar-se na Região, uma vez que a oferta formativa que existe não é suficiente e não é a necessária”.

Outra medida que João Ponte considera importante no programa Jovem Agricultor é a do “complemento regional ao prémio da primeira instalação e que será atribuído durante cinco anos, que é o período em que existem maiores dificuldades na sustentabilidade das explorações”.

Em resumo, o secretário regional da Agricultura e Florestas considerou o programa Jovem Agricultor como “ambicioso, mas que visa garantir também a sustentabilidade do setor agrícola, o que só se fará com a entrada de mais jovens no setor”.

 

Associações satisfeitas

O presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, considerou ontem o programa Jovem Agricultor, que o Governo dos Açores pretende lançar ainda este ano, como um instrumento “que irá proporcionar aos jovens agricultores alguns desafios, mas também algum proveito, através das majorações nas ajudas”.

Jorge Rita afirmou ser importante apoiar de uma forma diferenciada os jovens agricultores, porque se isso não acontecer, “iremos ter muito mais dificuldades no futuro, num setor muito importante nos Açores”.

Por isso, acrescentou Jorge Rita, “a formação tem aqui um papel preponderante, porque poderemos deixar de ter mão-de-obra na agricultura”.

E deu como exemplo os jovens que estão hoje desempregados e que podem ter na formação em agricultura “uma saída digna e com expectativas de trabalho, numa região em que agricultura tem um grande peso económico e social”.

Por seu lado, o presidente da Associação de Jovens Agricultores Micaelenses, César Pacheco, afirmou que o programa Jovem Agricultor “vai ao encontro das reivindicações dos jovens de um maior apoio, quer ao nível da formação, quer ao nível do financiamento, no arranque de uma atividade que custa muito aos jovens”.

César Pacheco lembrou que ainda há jovens a apostar na agricultura - muitos deles a trabalhar com os pais - pelo que é “preciso dar-lhes mais condições para que eles possam substituir os pais, que já estão mais desgastados e em idades avançadas”.


Governo devia ‘cobrar’ subida do preço do leite à indústria

Se o Governo apoia a indústria para que esta se modernize e promova o leite dos Açores, também deveria exigir à mesma indústria aumentos do preço do leite à produção, quando estes se justificassem.

Esta é a opinião do presidente da Federação Agrícola dos Açores, Em declarações aos jornalistas, Jorge Rita afirmou que “existe muito investimento da parte do Governo Regional nas indústrias nos Açores, bem como comparticipações em feiras nacionais e internacionais para a promoção dos nossos produtos”.

Por isso, acrescentou, “o Governo Regional tem que cobrar a essas mesmas indústrias a valorização e, essencialmente, um aumento do preço do leite”.

Governo não fixa preçosEm resposta, o secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, afirmou que o Governo dos Açores - tal como outros governos - não fixa o preço do leite, que é determinado pelo mercado.

Além disso, acrescentou João Ponte, também não é possível no atual enquadramento jurídico fazer depender apoios à indústria da fixação de preços do leite à produção.

João Ponte referiu que o papel do Governo é o de criar as condições para que os agricultores e a indústria possam produzir e vender melhor o leite dos Açores, apoiando-os.

No caso da indústria, João Ponte salientou ainda o plano estratégico para os laticínios dos Açores, “que poderá ser uma ferramenta importante para as indústrias posicionarem-se nos mercados”.

Por isso, concluiu João Ponte, “o governo está a fazer o que lhe compete, independentemente de poder emitir uma opinião” relativamente ao preço do leite, perante cada momento do setor.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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