Economia

‘Blue Azores’ vai proteger mar da extração mineral

  • 15 de Março de 2019
  • 15 Visualizações, Última Leitura a 21 Março 2019 às 22:19
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O programa ‘Blue Azores’ prevê estabelecer no horizonte dos próximos três anos um conjunto de áreas protegidas numa extensão de 150 mil km2 no mar dos Açores - 15% da sua Zona Económica Exclusiva - onde todas as atividades extrativas, nomeadamente de metais preciosos do fundo do mar, serão proibidas.

O memorando de entendimento que cria o programa ‘Blue Azores’ foi assinado no passado dia 28 de fevereiro entre o Governo dos Açores, a Fundação Oceano Azul (Portugal) e a Fundação Waitt (Estados Unidos da América) e na passada semana o projeto foi dado a conhecer internacionalmente na World Ocean Summit (Cimeira Mundial do Oceano), organizada pela revista britânica ‘The Economist’ e que decorreu em Abu Dhabi, a capital dos Emirados Árabes Unidos.

Durante esta cimeira, a Fundação Waitt promoveu também o seu projeto “Blue Prosperity Coalition”, com o qual pretende estabelecer uma rede de parcerias com governos e outras instituições, com o objetivo da proteção global dos oceanos e da defesa do seu uso sustentável.

Em entrevista ao Açoriano Oriental, a diretora executiva da Fundação Waitt, Kathryn Mengerink, afirmou que o programa ‘Blue Azores’ tem quatro objetivos fundamentais.

O primeiro é, precisamente, o estabelecimento em 15% da extensão do mar dos Açores de áreas marinhas protegidas “onde todas as atividades extrativas serão proibidas”, afirma.

O segundo objetivo é o de “desenvolver planos de gestão para áreas marinhas protegidas existentes e as novas” que serão criadas no âmbito do ‘Blue Azores’.

O terceiro objetivo é a adoção de um plano de ordenamento marinho dos Açores, que seja incorporado no processo nacional de ordenamento do espaço marinho e o quarto objetivo é o de apoiar uma “gestão sustentável da pesca em colaboração com a comunidade piscatória”.

A Fundação Waitt - através do Waitt Institute - tem desenvolvido muito trabalho de pesquisa no mar dos Açores nos últimos anos, incluindo o apoio a duas grandes expedições.

Conforme recorda Kathryn Mengerink, “estas expedições envolveram um grande número de parceiros, cientistas e outros especialistas, incluindo a Marinha Portuguesa, o programa National Geographic Pristine Seas, cientistas da Universidade dos Açores e a Fundação Oceano Azul, juntamente com muitos outros colaboradores.

A pesquisa incluiu o mapeamento do fundo do mar, a marcação de jamantas para aprender mais sobre sua migração e a avaliação do estado dos recursos marinhos, particularmente da pesca costeira.

Uma incrível descoberta da expedição de 2018 incluiu a identificação de uma nova fonte hidrotermal”.

Esta fonte foi o Campo Hidrotermal ‘Luso’, descoberto em junho do ano passado. Este novo campo hidrotermal é uma grande fonte de ferro, um elemento que, uma vez chegado à superfície do mar, pode ter um efeito muito benéfico, quer na alimentação marinha, podendo levar à maior concentração de peixes, quer na mitigação dos efeitos das alterações climáticas, através da contribuição para uma redução do dióxido de carbono no mar e na atmosfera.

Um dos aspetos mais relevantes do programa ‘Blue Azores’ é a sua ambição de transformar cerca de 150 mil km2 do mar dos Açores em áreas marinhas protegidas, o que o torna pioneiro a nível mundial.

Conforme refere a diretora executiva da Fundação Waitt em entrevista ao Açoriano Oriental, com o programa ‘Blue Azores’ (Açores Azuis) o Governo dos Açores “está a abrir definitivamente o caminho para a proteção marinha na Europa e no mundo”.

Kathryn Mengerink afirma também que ao dar esse passo, os Açores estão a impulsionar “o esforço global para alcançar 10% de proteção marinha até 2020 e 30% até 2030”.

Até porque, “atingir essas metas é essencial para a sustentabilidade a longo prazo do oceano e do planeta”, afirma.

O programa ‘Blue Azores’ é liderado pela Região com o apoio técnico e financeiro da Fundação Oceano Azul e do Waitt Institute. Além disso, pretende-se ao longo dos próximos três anos juntar a este programa outros parceiros, assim como se pretende o envolvimento das comunidades.

O programa ‘Blue Azores’ integra-se num esforço mundial da Fundação Waitt para promover o que designa de ‘Prosperidade Azul’, através da chamada “Blue Prosperity Coalition”.

Para a diretora executiva da Fundação Waitt, Kathryn Mengerink, “as áreas marinhas protegidas desempenham vários papéis importantes que são vitais para a Prosperidade Azul”.

Por exemplo, a proteção de áreas de pesca permite a recuperação dos stocks pesqueiros e a proteção dos recursos genéticos é essencial para os avanços na área farmacêutica e da biotecnologia.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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