Economia

Produção de leite bate recorde com 632 mil toneladas em 2018

  • 12 de Fevereiro de 2019
  • 10 Visualizações, Última Leitura a 19 Fevereiro 2019 às 16:52
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A produção de leite nos Açores bateu em 2018 um novo recorde com um total de 632,6 mil toneladas entregues nas fábricas, segundo os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA).

Este recorde representa um aumento de 3,4% na produção e mais cerca de 21 mil toneladas de leite em relação a 2017, que já tinha sido um ano recorde de produção de leite nos Açores, com 611,3 mil toneladas.

E se recuarmos até 2016, ano em que se entregaram nas fábricas açorianas 603 mil toneladas de leite, verifica-se que, em apenas dois anos, a produção de leite nos Açores aumentou cerca de 29 mil toneladas.

Um aumento de produção que se verifica sobretudo em São Miguel, mas também na Terceira e que tem levado algumas indústrias a impor limites de produção, acima dos quais começam a penalizar o pagamento do preço do leite entregue na fábrica pelos seus produtores.

Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, afirma que “quem vai definir se teremos novos recordes no futuro serão as indústrias, porque a produção tem muito a ver com o que as indústrias querem e pelo que foi dito no último Conselho Regional da Agricultura na Graciosa, as indústrias foram claras e objetivas a dizer que não querem mais produção”.

Jorge Rita denuncia também a situação de desequilíbrio que existe atualmente na produção açoriana, havendo produtores que entregam o leite em indústrias que penalizam a partir de um certo volume e outros que entregam em indústrias que aceitam todo o leite sem penalizações.

E há ainda os rateios nos apoios, que prejudicam todos, mas penalizam duplamente aqueles que já foram antes penalizados na indústria por produzirem acima do limite imposto.

“Estamos numa situação em que uns podem e os outros não podem”, lamenta o presidente da Federação Agrícola dos Açores, lembrando que “os excedentes de produção são relativos, porque as indústrias transformam e comercializam, mas não estão a comercializar bem”.

Sobre o aumento da produção no ano passado, Jorge Rita afirma que este vem demonstrar “a eficiência das explorações” nos Açores, justificada “com o melhoramento genético que tem sido feito ao longo dos anos, com o melhoramento do maneio e com o maior conhecimento e especialização que existe hoje nas explorações”.

Além disso e apesar da seca prolongada registada em 2018, a maioria das forragens utilizadas como alimento para os animais no ano passado resultou do excelente ano de produção de milho que tinha acontecido em 2017.

Por isso, também nesse aspeto houve condições para um grande um aumento de produção de leite em 2018, sendo que este ano, pelo contrário e devido à seca de 2018, as forragens serão muito menores e este deverá ser mais um fator que poderá contribuir para uma redução na produção de leite em 2019, a juntar aos limites de produção impostos por parte da indústria. Sobre o futuro do setor leiteiro nos Açores,

Jorge Rita refere que “temos um problema que tem de ser visto de uma forma cuidada e com muito rigor”, alertando que se as indústrias querem contratos com menos produção “têm que o assumir”.

Pelo lado dos produtores, acrescenta o presidente da Federação Agrícola dos Açores, “nós achamos que existe margem e mercados” para que a produção de leite não reduza nos Açores.

Contudo, caso as indústrias mantenham uma posição de não querer aumentos de produção de leite nos Açores, “nós temos uma série de propostas em cima da mesa que podem ser interessantes, mas com o objetivo de que todas as estratégias que venham a ser utilizadas para a redução da produção de leite irem ao encontro dos rendimentos dos agricultores, que têm de ficar salvaguardados”, alerta Jorge Rita.

 

As propostas da Federação Agrícola

Embora não defenda a redução da produção de leite e entenda que a indústria deveria fazer um maior esforço de comercialização e de procura de novos mercados para os laticínios açorianos, a Federação Agrícola dos Açores está, no entanto, a preparar-se para um cenário de redução da produção de leite na Região, em resultado das penalizações que estão a ser aplicadas por uma parte importante da indústria.

Sobre a mesa negocial e garantindo sempre o rendimento do produtor através de compensações, estarão propostas da Federação Agrícola para o abate de vacas, para a reconversão de parte da produção de leite para carne, para a reforma antecipada de produtores ou mesmo para a redução da carga fiscal e da Segurança Social sobre a lavoura.

Contudo, alerta o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, “nenhuma medida, por si só, resolve o problema e será o conjunto de várias medidas que irá resolver o problema e sempre de uma forma facultativa” para os produtores.

Recorde-se que o Centro Açoriano do Leite e Laticínios, que junta à mesma mesa Governo, Indústria e Produção de leite, vai ter uma reunião nos próximos dias para debater a atual situação do setor, face às penalizações aplicadas por alguma indústria, sobretudo nas ilhas de São Miguel e Terceira.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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