Economia

Leite para consumo aumenta 9 mil toneladas até outubro

  • 4 de Janeiro de 2019
  • 82 Visualizações, Última Leitura a 19 Abril 2019 às 22:55
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Aumento da produção em 2018 foi canalizado sobretudo para o leite UHT, com redução do preço. Unileite já admite impor limites.

A produção de leite está a aumentar nos Açores e depois da produção recorde de 611 mil toneladas em 2017, é de prever que este valor seja ultrapassado quando forem conhecidos os números oficiais de 2018.

Contudo, este aumento de produção já começa a causar problemas à indústria e até a Unileite já admite a possibilidade de impor limites aos seus produtores, a exemplo do que aconteceu com as outras indústrias açorianas.

Segundo os dados mais recentes do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), entre janeiro e outubro de 2018 houve um aumento de 3,2 por cento na quantidade de leite entregue nas fábricas açorianas, que se refletiu sobretudo na produção de leite UHT, que subiu 9 mil toneladas - quase 8 por cento - entre janeiro e outubro de 2018, por comparação com o mesmo período de 2017.

Há, por isso, mais leite à venda no mercado sem que a procura tenha aumentado na mesma medida e o resultado tem sido o abaixamento do preço do leite UHT.

A Unileite, em São Miguel, que recebeu à volta de 200 mil toneladas no ano de 2018 por parte dos seus cerca de 680 produtores, tem sido a única desde o fim das quotas leiteiras na União Europeia em 2015 que ainda não impôs qualquer limite de entrega de leite.

Mas perante aumentos de produção anual que, na ilha de São Miguel, estarão a rondar já os 4%, já admite seguir as outras indústrias e impor limites, caso a mesma tendência se mantenha em 2019 e o mercado não dê resposta ao aumento da produção.

Foi isso, aliás, que foi transmitido aos produtores na última assembleia geral da Unileite, no passado dia 28 de dezembro, para já apenas em jeito de aviso, uma vez que nenhuma medida concreta nesse sentido foi ainda tomada, conforme garante em declarações ao Açoriano Oriental o presidente da Unileite.

“Há um grande crescimento na produção de leite e se continuarmos a crescer à volta dos 4 por cento, fica perigoso para o mercado poder absorver todo esse crescimento e poderá vir a ser preciso por limites à produção, mas isso foi um aviso à navegação, não há nenhuma decisão tomada e uma decisão dessas só será tomada numa nova assembleia geral”, afirma Gil Jorge, para quem “o mercado é que vai dizer” sobre a necessidade dos limites à produção virem a ser colocados também na Unileite.

O leite UHT produzido por esta cooperativa instalada nos Arrifes destina-se sobretudo ao mercado nacional, tendo em Angola, China ou Espanha os seus mercados de exportação.

O queijo é o produto que tem maior potencial de exportação, mas conforme reconhece Gil Jorge, “qualquer fábrica que esteja a laborar nos Açores tem o objetivo de produzir muito queijo, mas é preciso que haja mercado para ele”.

Também em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da Federação Agrícola dos Açores e da Associação Agrícola de São Miguel, Jorge Rita, vê com “apreensão” a situação dos produtores de leite, lamentando que “com um produto de excelência, que é reconhecido pela sua qualidade, a indústria não tenha ainda conseguido valorizá-lo no mercado e, neste momento, só há dois países na União Europeia onde se paga menos pelo leite do que aqui nos Açores”.

Jorge Rita admite que os produtores estão “desiludidos” com esta situação “depois de tanto investimento”, sobretudo se a Unileite vier mesmo a impor limites ao leite entregue na fábrica.

E justifica o aumento de produção que se tem verificado “pela ansiedade que os produtores têm em manter o nível de receita”, o que só tem sido possível pela subida da produção, que também traz um aumento de despesas para as explorações.

Jorge Rita admite também que a produção venha a baixar em 2019 face aos valores recorde de 2017 e 2018, até porque os efeitos da seca do verão passado na redução de alimentos forrageiros para as vacas irão sentir-se sobretudo este ano.

Por isso, o presidente da Federação Agrícola dos Açores alerta para a necessidade “de haver acordos tripartidos entre a produção, a indústria e a comercialização no sentido dos preços não se degradarem da forma como se têm vindo a degradar nos mercados, estabelecendo-se um limite, abaixo do qual o preço não baixaria nos mercados, como existe noutros países e salvaguardando a produção”.

E conclui, garantindo que para o produtor, o mais importante não é produzir mais, mas sim ter um maior rendimento, “porque se houver compensações para baixar a produção, essa solução poderá ser viável”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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