Economia

Setores económicos da Região revelam desejos para o ano novo

  • 1 de Janeiro de 2019
  • 56 Visualizações, Última Leitura a 19 Junho 2019 às 23:30
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“Novo ano, vida nova” é o que se costuma a dizer sempre que se inicia janeiro, e os principais setores de atividade da Região esperam que 2019 traga boas notícias para a economia açoriana e medidas que corrijam o que de negativo se registou em 2018.

É com a expectativa de que o novo ano corrija o que não correu bem no ano que findou e continue a permitir o crescimento da economia açoriana que os representantes dos principais setores de atividade da Região iniciam 2019.

“A economia mundial continua a crescer e a expectativa é de que os Açores continuem a crescer em termos gerais, puxados ainda pela dinâmica que o Turismo tem tido e que vai continuar a ter durante 2019”, antevê Mário Fortuna, presidente da Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA).

O representante dos empresários açorianos sublinha, em declarações à Açores/TSF, que todos os setores de atividade estão interligados “e acabam por beneficiar dos efeitos de arrastamento que alguns setores estão a proporcionar” e, como repara Mário Fortuna, “a liderança neste momento vem do Turismo”.

No caso do comércio, o setor turístico “acaba por dinamizar não só a procura interna, como a procura externa, e, como tal, o comércio acaba por beneficiar de algum deste efeito”.

Já a indústria, afirma à TSF/Açores Mário Fortuna, beneficia da procura pelos nossos produtos por parte dos turistas, enquanto, a Construção usufrui da “requalificação das cidades mobilizada pelo Turismo, e algumas obras de maior volume que têm sido anunciadas”.

No que se refere ao Turismo, o presidente da CCIA acredita que em 2019 a evolução será “moderadamente positiva”.

Mário Fortuna afirma que “há trabalho a ser feito no sentido de atrair mais turistas”, no entanto, tendo em conta que “há um conjunto de operadores que estão a intensificar o seu trabalho nos Açores, parece-nos que há boas perspetivas de haver continuidade do crescimento do Turismo, apesar de não necessariamente com taxas de crescimento muito elevadas”.

“Temos uma expectativa muito alta em relação aos voos da Delta, agora numa base diária na época alta, e esperamos que a TAP inicie alguns voos nesta rota, assim como a WestJet do Canadá”, afirma.

Já na lista de preocupações constam: “saber como se vai reequilibrar a promoção externa dos Açores, dadas as incertezas que ainda pairam sobre a resolução do problema da ATA”; saber como “vai ser o novo ano para a operação da SATA”; e que “a formação venha em tempo útil para servir em 2019”.

De qualquer forma, repara o presidente da CCIA, o Turismo “já representa uma fatia bastante grande da economia dos Açores” - “o contributo do turismo vai-se aproximando rapidamente de 10% da riqueza gerada nos Açores, o que é muito importante”.

No que se refere à Agricultura, “fica a expectativa de que não haja problemas significativos durante o próximo ano, pois este setor, sofrendo problemas, arrasta o resto da economia também”.


Agricultura espera correção dos pontos negativos de 2018

“A expectativa que temos é que se perceba de uma vez por todas o que foi negativo em 2018 e se tente melhorar”, diz Jorge Rita, presidente da Federação Agrícola dos Açores.E o principal ponto negativo do ano que terminou é o baixo preço do leite pago aos produtores.

“Continuamos a ter o leite mais barato da Europa – o que não faz qualquer sentido quando temos um produto de excelência, com a marca a ser consolidada em todos os mercados e a todos os níveis com a marca Açores”, afirma à Açores/TSF.

“Infelizmente as nossas indústrias continuam a não valorizá-lo no mercado, talvez por falta de arte e engenho também”, diz Jorge Rita que sustenta que, “sem a valorização do leite, vamos ter cada vez mais dificuldades, e isso poderá arrastar outros setores de atividade e a própria economia”.

Espera por isso que as indústrias aumentem o preço do leite e a Região melhore a sua estratégia quanto à produção leiteira.No que se refere à fileira da carne dos Açores, a expectativa é positiva: “perspetiva-se que possam haver algumas melhorias, não só por os mercados serem valorizados, mas também por causa de algum investimento que tem sido feito na Região por parte do governo ao nível dos matadouros e da certificação dos mesmos”.

Jorge Rita defende, contudo, que a certificação do matadouro de São Miguel, “o de maior dimensão”, que está prevista apenas para 2020, deve ser antecipada.

Já ao nível das outras produções tradicionais, prevê que o crescimento que estas têm registado prossiga neste novo ano, contribuindo para a diminuição das importações, bem como continue o trabalho de valorização do mercado dos produtos de eleição dos Açores, como o ananás, o mel, o chá, a meloa, o alho, entre outros.

Entre as preocupações para 2019, estão desafios ao nível das infraestruturas agrícolas, como o abastecimento de água às explorações - “uma questão que está a ser trabalhada com o governo regional ao nível do Plano e do Quadro Comunitário de Apoio”; os transportes; e ainda “a ameaça de redução de fundos para a Região e para o país” que tem de ser invertida.

Jorge Rita espera “um discurso da Região sem qualquer tipo de reservas” na defesa de uma discriminação positiva em termos de ajudas, pois “não se pode falar de convergência na UE e a nível nacional isso não passar do discurso”.

Num ano de eleições europeias, Jorge Rita alerta também que são precisos bons eurodeputados e pede assim boas escolhas no momento de fazer as listas de candidatos.


Pescas pedem contratos e boa gestão dos recursos

“Só teremos um setor sustentável quando tivermos garantido que todos os pescadores dos Açores têm um ordenado condigno, e se os recursos estiverem disponíveis”, defende Gualberto Rita, presidente da Federação das Pescas dos Açores.

Por isso, para 2019 o representante dos pescadores açorianos pede investimento na formação dos profissionais da pesca e que se coloque em prática os contratos de trabalho, de modo a “dignificar mais o nosso setor”, afirma à Açores /TSF.

Conseguir uma boa gestão dos recursos, nomeadamente do goraz e dos “beryx” (imperador e alfonsim), é também essencial para “garantir bons rendimentos para 2019”, tal como será fundamental conseguir rendimentos alternativos para o setor, na área do Turismo e da aquacultura, defende ainda.

A Federação espera, por outro lado, que o novo ano traga uma outra medida há muito pedida: a regulamentação da pesca lúdica, “pois a gestão dos recursos não passa só pela pesca profissional”.

 

Fonte. Açoriano Oriental

 

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