Economia

Empresários da Terceira exigem explicações sobre ligações da Delta aos Açores

  • 6 de Dezembro de 2018
  • 7 Visualizações, Última Leitura a 9 Dezembro 2018 às 19:27
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A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) exigiu explicações ao governo açoriano sobre os voos da Delta Airlines entre Nova Iorque e Ponta Delgada, reivindicando um acordo entre a companhia norte-americana e a SATA.

“A direção da CCAH estranha as notícias divulgadas em vários jornais que dão conta de declaração do ex-embaixador dos EUA, Robert Sherman, referindo que a ligação aérea da Delta Airlines a São Miguel surgiu como contrapartida do ‘downsizing’ da base das Lajes”, afirmaram os empresários, em comunicado de imprensa.

Em causa está uma entrevista do antigo embaixador dos Estados Unidos da América em Lisboa, Robert Sherman, ao jornal Expresso, em que o norte-americano dá a entender que a ligação da Delta foi uma medida de mitigação dos impactos socioeconómicos da redução militar norte-americana na base das Lajes, na ilha Terceira.

"Criou-se um voo direto da Delta Airlines para Ponta Delgada. A nível da tecnologia, há oportunidades para fazer mais no lançamento de microssatélites. O MIT [Massachusetts Institute of Technology] acaba de relançar a sua colaboração com as universidades americanas. Fala-se de utilizar os Açores para estudar as alterações climáticas. Há muitas discussões em curso, e não apenas entre os Estados Unidos e o Governo português. Tenta-se que haja um esforço internacional”, adiantou Robert Sherman ao Expresso.

A administração norte-americana anunciou, em janeiro de 2015, uma redução de cerca de 500 militares na base das Lajes, localizada na ilha Terceira, o que levou a uma redução da força laboral portuguesa para metade, com 450 trabalhadores a assinarem rescisões por mútuo acordo.

A Delta Airlines iniciou em maio de 2018 uma operação para os Estados Unidos a partir de Lisboa e de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, contando esta última com cinco ligações semanais.

A CCAH, que representa os empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, já tinha questionado o Governo Regional dos Açores sobre esta possibilidade e exige agora que o executivo preste novos esclarecimentos.

“No início deste ano, a direção da CCAH emitiu comunicado a pedir esclarecimentos à Embaixada dos EUA e ao presidente do Governo Regional dos Açores, tendo obtido respostas claras no sentido contrário ao que agora é veiculado. Perante estas declarações, a direção considera que as entidades competentes deverão esclarecer, com total transparência, todo o processo de negociação estabelecido”, frisou.

Os empresários reivindicam ainda um “acordo ‘interline’ da SATA Air Açores com a Delta”, alegando que a falta dessa medida coloca em causa “o desenvolvimento do turismo nas ilhas do grupo central”.

“O período de maior venda de pacotes turísticos nos Estados Unidos da América é janeiro e fevereiro, pelo que é urgente a resolução deste entrave ao desenvolvimento da economia do grupo central”, salientaram.

No mesmo comunicado, a associação empresarial congratula-se com o início da operação de transporte aéreo de carga do consórcio Mais, da Madeira Air, com cinco ligações aéreas entre Lisboa e Ponta Delgada e extensão à ilha Terceira três vezes por semana.

“O transporte aéreo de carga é uma revindicação antiga da CCAH e essencial para o desenvolvimento da economia da região. A direção está a acompanhar este assunto e aguarda a todo o momento uma reunião com a empresa responsável pelo transporte da carga”, apontou.

Já no que diz respeito ao transporte marítimo, os empresários reivindicam “medidas urgentes” para fazer face às greves “contínuas e prolongadas dos estivadores”, que têm tido “consequências nefastas no tecido empresarial, com os atrasos de entrega das suas mercadorias, que são agravadas neste período de Natal”.

“Devem ser tomadas medidas urgentes de forma a diminuir os constrangimentos existentes na operação de carga dos portos da região”, salientou a CCAH, manifestando a sua disponibilidade para “colaborar no que for necessário nesse sentido, no âmbito das suas competências”.


Fonte: Lusa / AO Online

 

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