Economia

“Atualmente existem mais 13.163 açorianos empregados que no início de 2014”

  • 7 de Setembro de 2018
  • 109 Visualizações, Última Leitura a 17 Setembro 2019 às 14:52
    • *
    • *
    • *
    • *
    • *

Sérgio Ávila Vice-presidente do Governo dos Açores destaca a recuperação do empregoe o bom desempenho da Região na execução do Quadro Comunitário de Apoio. Hoje, começa no Pavilhão do Mar a AçorExpo, que mostra o que de melhor se faz nos Açores

 

Começa hoje no Pavilhão do Mar, em Ponta Delgada, a AçorExpo, com a presença de cerca de 75 empresas açorianas. Considera que este é um bom momento para o aparecimento de novas empresas e para a aposta em novos mercados?

Sem dúvida que sim. O Governo Regional dos Açores, dando continuidade à estratégia ‘Marca Açores’, promove mais uma edição da feira ‘AçorExpo’, com o objetivo de valorizar a notoriedade e reforçar o consumo de produtos e serviços regionais.

Este certame está integrado no plano ‘Açores Export 2018’, desenvolvido em parceria com as empresas açorianas e que, no âmbito da estratégia de incremento de exportações de produtos e serviços regionais, contempla múltiplas iniciativas e apoios às empresas, designadamente participação em feiras, atividades promocionais e organização de missões empresariais à Região e ao exterior, potenciando assim novos negócios.

Incentivamos a participação das empresas açorianas em eventos promocionais com uma forte componente comercial e que já contemplou a participação em feiras nacionais e internacionais, além da presença em missões empresariais inversas, com a visita de importantes empresas de distribuição, como o LCBO do Canadá, o grupo francês Auchan, Makro Portugal e diversas empresas das Canárias em visita à Região.

Durante os dias da feira, os visitantes do espaço, poderão aceder a uma mostra diversificada de vários setores de atividade económica, onde mais de meia centena de expositores participam, estando em evidência os produtos, serviços e artesanato dos Açores.

A economia dos Açores atravessa um novo ciclo de desenvolvimento e os resultados estão à vista. Em relação ao Indicador de Atividade Económica, que retrata o estado geral da economia no curto prazo, este regista este ano, por exemplo, crescimentos na ordem dos 2%, refletindo, também, a nova dinâmica e retoma dos investimentos regionais.

Todos os indicadores de produção e económicos, neste momento, são positivos.

Como também são positivos os indicadores de consumo. Esta dinâmica cria um clima de confiança e este tem levado a um crescimento significativo do investimento privado e isso também leva ao ressurgimento de mais empresas.

 

Que efeitos tem tido a Marca Açores no crescimento ou até no surgimento de novas empresas?

Desde a sua implementação, em janeiro de 2015, a ‘Marca Açores’ já foi atribuída a 177 empresas e foram concedidos mais 3 mil selos, entre produtos, serviços e estabelecimentos, o que demonstra uma enorme adesão e valorização que as empresas açorianas dão a esta medida.

No primeiro trimestre deste ano foi realizado um inquérito de satisfação às empresas com produtos ou serviços com selo “Marca Açores” e, à semelhança do inquérito do ano passado, os resultados foram muito positivos.

Verificou-se um aumento de 22% das vendas em 2017, sendo 98% o grau de satisfação das empresas, em relação à estratégia da ‘Marca Açores’.

Estes resultados constituem, sem dúvida, um indicador muito positivo e evidenciam a satisfação ao nível do atendimento e acompanhamento por parte dos Gestores da Marca Açores, a celeridade na resolução de processos de adesão ao selo Marca Açores, bem como diversas iniciativas de promoção e ativação da marca, entre outras.

A certificação ao selo da ‘Marca Açores’, e a consequente visibilidade global da marca, estimula o interesse nos empreendedores em comercializar produtos regionais.

Como, por exemplo, em Portugal continental já existem quatro empresas com a certificação ‘Marca Açores’, nomeadamente um restaurante e três lojas de venda de produtos alimentares.

A aposta na estratégia ‘Marca Açores’ e na promoção do consumo dos nossos produtos é uma missão contínua que tem vindo a dar frutos e que continuará a ser trabalhada com o objetivo de valorizar os produtos açorianos, as suas características únicas e de alta qualidade, com o intuito de promover os Açores como uma região de excelência e de elevada sustentabilidade.

A imediata e simples identificação dos produtos com o selo ‘Marca Açores’ dão a estes produtos o “certificado pela natureza”.

Este selo visa estimular a preferência do consumidor para os produtos regionais, contribuindo assim para o crescimento das produções, o que por sua vez, assegura a progressão das empresas açorianas na cadeia de valor e se traduz na geração de mais riqueza e emprego em todo o Arquipélago.

 

Os regimes de incentivos do Governo têm servido de barómetro para a vitalidade do investimento privado nos Açores. Qual é o ponto da situação no atual quadro comunitário de apoio?

A execução do atual quadro comunitário nos Açores é a mais elevada do país e do conjunto dos programas regionais que integram o designado Portugal 2020 (PT 2020), de acordo com o Boletim Informativo dos Fundos da União Europeia.

Os Açores são a parcela do território nacional com melhor desempenho na execução dos fundos comunitários.

De acordo com os dados agora divulgados pela União Europeia, podemos anunciar que já foram aprovados, no atual Quadro comunitário de Apoio, projetos no montante de 983 milhões de euros nos Açores, o que demonstra a eficácia de gestão na Região deste QCA.

Mas ainda mais relevante que o excelente nível de projetos aprovados é a sua execução. Do montante aprovado na Região, foram já realizados e pagos 51% da despesa aprovada.

Este nível de execução (51%) é muito superior ao que se verifica no resto do país e na generalidade da Europa.

Efetivamente, a taxa de realização nos Açores é muito superior, aos 35% que se verifica no país, e nenhum programa operacional regional do continente se aproxima da taxa de realização dos Açores, o que permite concluir que a Região lidera a execução do atual quadro comunitário de apoio.

O atual Quadro Comunitário de Apoio, posso adiantar, já permitiu injetar na economia açoriana mais de 476 milhões de euros, o que constitui um excelente contributo para o crescimento económico e do emprego que se verifica de forma sustentada na Região.

Gostava ainda de destacar que no caso do programa dos Açores, não haver diferenças substanciais entre a adesão do setor empresarial privado, avaliado pela excelente procura de financiamento enquadrado nos sistemas de incentivo de base regional, e a dinâmica do investimento público nas áreas das infraestruturas e dos equipamentos de índole social e económica, passando pelo financiamento comunitário das políticas ativas de fomento de emprego e de inclusão social.

De facto, este período de execução pontua-se não só pela boa execução em termos gerais, mas também pelo equilíbrio entre os setores e os atores principais que participam na programação com comparticipação comunitária.

 

A taxa de desemprego já regressou a valores de antes da crise, mas no entanto ainda está um pouco acima da taxa nacional. Como é que o Governo analisa estes dados?

Estará a retoma económica a ser um pouco mais lenta nos Açores?Efetivamente, hoje temos uma taxa de desemprego (8,2%) que é menos de metade do que a que se verificava há apenas 4 anos.

Atualmente, temos a taxa de desemprego mais baixa dos últimos sete anos. Há 16 trimestres consecutivos que se regista uma diminuição homóloga da taxa de desemprego e do número de desempregados, verificando-se, assim, uma evidente trajetória decrescente, consistente e sustentada da taxa de desemprego nos Açores.

Por outro lado, e no segundo trimestre deste ano, verifica-se, pelo sétimo trimestre consecutivo, um aumento homólogo do emprego. A população empregada (112.156) é o segundo maior valor desde o quarto trimestre de 2009.

Ou seja, conseguimos recuperar todo o emprego que existia, e desde 2009 não existiam tantos açorianos empregados.

Atualmente existem mais 13.163 açorianos empregados que no início de 2014 e menos 11.703 açorianos desempregados. Este crescimento no emprego e consequente descida no número de desempregados resulta do crescimento económico dos Açores.

Há um grande esforço de recuperação que tem vindo a ser realizado desde o enorme retrocesso que representaram as políticas do anterior governo da República.

Os Açores têm vindo a registar ao longo dos últimos três anos um crescimento económico significativo e sustentável.

Depois de em 2014 se iniciar a inversão do ciclo económico regressivo, a partir de 2015 a retoma económica tem sido consistente e confirmada por todos os dados estatísticos que sistematicamente têm sido divulgados.

A aceleração do crescimento económico, que se iniciou em 2015, de acordo com os dados estatísticos já divulgados pelo INE, tem sido sempre superior nos Açores ao verificado no país.

Em termos concretos, a economia açoriana cresceu 3% em termos reais em 2015, enquanto o país cresceu 1,8%, em 2016 a retoma da economia voltou a consolidar-se com um crescimento económico nos Açores superior ao país.

A conjugação do aumento do rendimento disponível das famílias e do consumo privado, com o incremento muito significativo do investimento privado, a estabilidade do investimento público e o aumento das exportações permitiram a obtenção destes resultados, sendo que o último ano se prevê ser o ano em que se tenha registado o maior volume de PIB na Região, já superior em 231 milhões de euros ao que se verificava antes da crise.

Esta realidade é confirmada pela evolução da criação de emprego e redução do desemprego. Todavia, o mercado de trabalho reage com algum desfasamento ao ciclo económico.

Por outro lado, o crescimento do emprego no território continental tem assentado em setores que têm, comparativamente, um peso na economia do país, ainda superior ao peso relativo que têm, por enquanto, na economia dos Açores, como é o caso do setor turístico, onde temos, ainda, uma boa margem de crescimento.

Os resultados são bons, estamos satisfeitos com o caminho percorrido, mas vamos continuar determinados, a aperfeiçoar e a incrementar, ainda mais, a dinâmica que atualmente se vive nos Açores, com vista à criação de mais e melhor emprego.

 

O aumento das exportações foi uma grande aposta do Governo para os incentivos do atual Quadro Comunitário de Apoio. Que novos mercados se têm aberto aos produtos açorianos? Haverá medidas no âmbito dos transportes que podem vir a ser tomadas para potenciar as exportações?

O novo ciclo de desenvolvimento económico dos Açores tem sido potenciado pelo facto de termos uma estrutura fiscal substancialmente mais favorável às empresas e aos trabalhadores do que aquela que se verifica noutras regiões.

Como é sabido, a Região tem um diferencial fiscal vantajoso, na ordem dos 20% a 30% mais baixo, em relação ao restante território português, em sede de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC), de Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS) e de Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA).

Para além de uma estrutura fiscal muito atrativa, da estabilidade orçamental, política e social, o Governo dos Açores disponibiliza um sistema de incentivos ao investimento que é o mais abrangente e o mais generoso que há no contexto europeu.

Com o Competir +, Sistema de Incentivos para a Competitividade Empresarial, o Governo dos Açores está a promover o desenvolvimento sustentável da economia regional, a reforçar a competitividade das empresas açorianas, a fomentar o alargamento da base económica de exportação e a estimular a produção de bens e serviços transacionáveis e de caráter inovador.

Neste sentido, temos vindo a desenvolver um trabalho de internacionalização em estreita colaboração com os nossos parceiros na definição dos mercados prioritários.

Sem falar do mercado nacional, que é o principal mercado para nós, há novas perspetivas a abrirem-se em mercados como o espanhol, o francês e na América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e, eventualmente, na China, país que já começa a conhecer melhor a nossa realidade, sendo que alguns investimentos de origem chinesa nos Açores já são do conhecimento público.

Assim, e para além de outros apoios no âmbito do Competir +, ao abrigo do subsistema de incentivos para a Internacionalização, foi criado um instrumento específico para potenciar ainda mais a exportação, que permite o apoio de 90% dos custos de transporte para os produtos mais representativos da nossa base de exportação.

 

O crescimento do turismo e da notoriedade dos Açores está a atrair investimento externo?

O Governo tem recebido manifestações de interesse em investir nos Açores por parte de grupos nacionais e estrangeiros?Hoje assistimos, de forma evidente, a uma grande dinâmica no setor do turismo, mas cujo desenvolvimento é transversal a todos os setores de atividade, nomeadamente a áreas como a do agroalimentar, que inclui a agricultura, a pecuária e a agroindústria, a economia do mar e a área das tecnologias de informação e comunicação, na medida em que fornece soluções inovadoras para os negócios inseridos nos restantes setores.

Como já tive oportunidade de referir, nós temos um sistema de incentivos ao investimento que é o mais abrangente e o mais generoso que há no contexto europeu.

O Competir +, Sistema de Incentivos para a Competitividade Empresarial é o principal instrumento da política de incentivos ao investimento privado.

Neste momento, são já mais de 950 candidaturas de investimento privado no âmbito do Sistema de Incentivos para a Competitividade Empresarial, o Competir +, que representam quase 420 milhões de euros, que preveem criar mais de 2100 novos postos de trabalho diretos.

No que diz respeito só às candidaturas ao subsistema de fomento à base económica de exportação, estas representam um valor de quase 335 milhões de euros, ou seja à volta de 80 por cento do total de investimento privado.

Esta é uma realidade que demonstra, por um lado, a confiança dos empresários no futuro na nossa economia e resulta, por outro, do esforço desenvolvido no âmbito da estratégia de incentivo ao investimento e empreendedorismo, assim como de fomento à exportação e captação de investimento para a Região.

E ainda neste particular, a captação de investimento externo, os resultados da estratégia do Governo dos Açores traduzem-se, atualmente, em 120 intenções de investimento externo que estão a ser acompanhadas, num montante superior a 370 milhões de euros, uma parte já concluída, em execução ou a iniciar-se nos próximos tempos.

Já estamos, portanto, a falar de resultados muito positivos na captação de investimento externo para os Açores.


Fonte: Açoriano Oriental

 

Comentários

Deixar Comentário

Quantos são Nove mais Um? O que é isto?

Pesquisar

Conhecer Todos
Conhecer Todos