Economia

Governo não pretende ficar com mais empresas

  • 25 de Fevereiro de 2010
  • 151 Visualizações, Última Leitura a 20 Outubro 2017 às 00:39
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A intervenção do Governo Regional na exploração comercial dos campos de golfe das Furnas e Batalha (São Miguel), que são propriedade da Verdegolf, encerra um ciclo de intervenção em empresas privadas de sectores considerados estratégicos para a economia açoriana que se encontram em dificuldades.

O vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, assegura que “não está previsto ou em estudo a intervenção, através da aquisição de capital social, em qualquer empresa regional”.

No entanto, Sérgio Ávila adianta que o executivo açoriano vai continuar “a monitorizar a evolução de todas as empresas estratégicas na estrutura produtiva regional e a desenvolver, as medidas necessárias, para assegurar a manutenção de um clima de estabilidade económica e social na Região, contribuindo, assim, para a promoção do reforço dos nossos níveis de produção, rendimento e emprego.”

De acordo com o vice-presidente do Governo Regional, a intervenção na Verdegolf teve em conta “assegurar o nível de qualidade que considera necessário para este importante sector da economia regional”.Para o executivo açoriano, trata-se de um problema “conjuntural e não estrutural” pelo que “não se justifica” a entrada no capital social da empresa”.

Nesse sentido, a partir de 1 de Março, a Ilha de Valor, SA assume a exploração dos campos de golfe, através de um contrato de que não resulta “qualquer encargo económico ou patrimonial para a Região”.

Por outro lado, Sérgio Ávila, recordou que o executivo açoriano financiou em 2,7 milhões de euros as obras de requalificação do Clube de Golfe da Ilha Terceira.

Reacção dos partidos

A intervenção do Governo Regional nas empresas privadas em dificuldades merece o apoio dos partidos da oposição com excepção do CDS/PP.

O líder parlamentar do PSD,  António Marinho,  defende que  “o golfe e o turismo são estratégicos para a economia açoriana e que a protecção dos postos de trabalho exigem que o executivo intervenha”.

Segundo António Marinho,  existem mais empresas regionais em dificuldades, sendo assim, “serão necessárias outras intervenções, a curto prazo”. No entanto, advoga que  o Governo “deve clarificar a sua estratégia de intervenção no tecido empresarial do arquipélago”.

Posição contrária tem o CDS/PP. Artur Lima, líder parlamentar do CDS/PP, critica a intervenção do Governo Regional na Verdegolf, argumentando que “as empresas que não são viáveis, não devem ser sustentadas artificialmente com fundos públicos” e condena o executivo por avançar com a “sovietização da economia açoriana”.

Para o Bloco de Esquerda, “o negócio está mal explicado”. A líder parlamentar do BE, Zuraida Soares, concorda com a intervenção do Governo nas empresas em dificuldade, “mas, apenas, se forem estratégicas e se o seu encerramento colocar em causa muitos postos de trabalho e, para já, diz que o negócio parece procurar salvaguardar os accionistas e não os interesses da Região”.

Quanto ao deputado do PCP, Aníbal Pires, concorda com a intervenção do executivo açoriano “mas sublinha que se deve definir as regras dessas intervenções e, acima de tudo, intervir com base numa linha condutora e não de forma avulsa”.

Paulo Estêvão, deputado do PPM, também concorda com a intervenção do executivo açoriano em empresas em dificuldades mas que esse tipo de intervenção “deve ser conjuntural e tendo em conta os interesses da economia regional”.

Casos de dificuldades

Em pouco mais de um ano, o Governo Regional decidiu intervir em duas empresas privadas consideradas como estratégicas para a economia regional que estavam em risco de encerrar.

Em Janeiro de 2009, o Governo Regional, através da Lotaçor, adquiriu a totalidade do capital social da Santa Catarina - Indústria Conserveira, proprietária de uma fábrica de conservas de conservas de atum na Calheta (São Jorge), assumindo os activos e os passivos em troca do pagamento de um valor financeiro simbólico.

No início deste mês, o Governo Regional anunciou a aquisição de 51 por cento do capital social da SINAGA, uma empresa de São Miguel que transforma beterraba em açúcar por 800 mil euros.

Com a mudança de accionista principal, a SINAGA deverá retomar a laboração logo que consiga obter matéria-prima.

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