Economia

Jovens açorianos fizeram “rutura” com a geração dos pais

  • 15 de Abril de 2018
  • 94 Visualizações, Última Leitura a 12 Novembro 2018 às 18:41
    • *
    • *
    • *
    • *
    • *

Os jovens açorianos fizeram “uma clara rutura geracional” no que diz respeito à escolaridade e à redução do número de mulheres domésticas, concluiu o estudo “Juventude Açoriana e Mundo do Trabalho” que é publicado agora em livro (ver caixa na página ao lado).

Apesar dos inegáveis problemas associados à escolaridade dos jovens açorianos - que é baixa no contexto nacional e europeu e está associada ao absentismo e ao insucesso -, em regra, os jovens dos Açores apresentam uma escolaridade muito maior do que a dos seus pais, salienta o trabalho de investigação de Fernando Diogo (coordenador), Ana Cristina Palos, Ana Matias Diogo, Licínio M. Vicente Tomás e Osvaldo Silva.

E há uma outra diferença assinalável entre os jovens açorianos e a geração dos pais: entre os jovens entrevistados há um pequeno grupo de domésticas, mas em número bastante inferior ao da geração dos seus pais, em que grande parte das mães tem essa ocupação.

O estudo que procurou caracterizar a relação da juventude com o trabalho, concluiu ainda que cerca de metade dos jovens açorianos ainda vive com pelo menos um dos progenitores, o que demonstra “dificuldades” nos processos de de transição para a vida ativa e para a idade adulta.

No que se refere à transição da escola para o trabalho, a investigação constatou que o número de jovens que deixou a escola em idades baixas e com escolaridade reduzida é elevado, e as duas principais razões para a saída foram a obtenção do diploma pretendido ou por não gostarem da escola.

A escolaridade baixa dos jovens está, pois, associada ao desgosto pela escola, ao insucesso e à saída precoce, mas mesmo os mais escolarizados demonstram dificuldades em integrar-se no mundo do trabalho.

Em geral, o ingresso no mercado de trabalho está associado ao apoio de familiares e de outros indivíduos, da sua rede de relações sociais de proximidade, para se conseguir o primeiro emprego.

Contudo, os mais escolarizados tendem a recorrer mais a formas institucionais de ajuda na busca da primeira experiência de trabalho.


Raparigas em desvantagem

Entre as principais conclusões do estudo em análise, no que se refere à sua inserção no mercado de trabalho, está a de que são os rapazes mais velhos e com uma escolaridade relativamente baixa os que têm situações mais estáveis no mercado de trabalho, embora em atividades de qualificação média ou baixa.

Enquanto as raparigas mais novas tendem a ser mais escolarizadas, mas encontram maiores dificuldades de inserção no mercado de trabalho, embora o façam em atividades mais qualificadas, são mais vulneráveis ao desemprego episódico - a qualificação tende, contudo a proteger os jovens (em geral) do desemprego, mas não evita a precariedade laboral.

Ainda segundo o estudo, “existem grupos (alguns pequenos) que se relacionam de forma particularmente complicada com o mundo do trabalho, raparigas e rapazes com fracas qualificações escolares que se declaram domésticas, as primeiras, ou que estão em casa sem atividade discernível, os segundos. Outros, rapazes e raparigas, encontram-se em situação de grande precariedade em atividades pouco qualificadas”.

Entre os jovens que estão a trabalhar, a maioria (81,9%) trabalha por conta de outrem, figurando aqui poucos trabalhadores independentes (5,8%) e patrões (2,8%).

A situação de desemprego afeta 7,2% dos entrevistados e o número de estagiários (1,6%) ou domésticas (0,7%) é residual.

Entre os trabalhadores independentes, estagiários, domésticas ou desempregados há uma sobre representação das raparigas.

Há também, de acordo com o trabalho de investigação, uma elevada rotatividade laboral: a maioria dos inquiridos (50,4%) acumula ao longo do seu trajeto no mundo do trabalho duas ou mais experiências, sendo que destes 26% referem ter mudado entre três e sete vezes de emprego.

Segundo o estudo, a maioria (65,8%) dos entrevistados está numa situação profissional temporária - só 34,2% refere ter assinado um contrato permanente de trabalho.

Mais uma vez as raparigas aparecem em desvantagem: “estão sub-representadas na forma contratual permanente e sobre representadas nas formas mais precárias de vinculação laboral”, afirmam os investigadores.

Por outro lado, verificou-se que as oportunidades de promoção profissional destes jovens foram bastante escassas, pois apenas 21,5% usufruíram da mobilidade funcional - os rapazes declaram mais do que elas terem tido oportunidades de promoção profissional.


Desemprego

Tendo em conta a escassez de empregos e a precariedade laboral, o desemprego e a inatividade não são realidades desconhecidas dos jovens açorianos.

O estudo adianta que são os menos qualificados os mais penalizados pelo desemprego, em especial jovens com apenas o 1.º ou o 2.º ciclos do ensino básico.

A investigação concluiu por outro lado que há uma “circulação incessante da juventude entre diversas situações perante o trabalho (emprego, desemprego, inatividade)” e que “os episódios de desemprego abrangem um número muito significativo de inquiridos e acompanham de forma reincidente as suas trajetórias profissionais”.

As raparigas, neste caso, parecem estar mais protegidas do desemprego reincidente, o que poderá explicar-se pelo facto de estarem mais representadas entre os jovens mais escolarizados, designadamente entre os diplomados do ensino superior.


Salário médio dos jovens açorianosé de cerca de 553 euros

Na relação da juventude com o trabalho uma das maiores vulnerabilidades é o rendimento, pois 81,9% dos entrevistados auferem rendimentos inferiores a 750 euros.

Entre estes, alguns (28,3%) sobrevivem sem qualquer rendimento ainda que se declarem ativos empregados (12,1%) ou trabalhadores independentes (8%).

O salário médio auferido por esta população juvenil situa-se nos 552,5 euros (investigadores admitem que possa haver algum desfasamento real).

As remunerações mais baixas resultam fundamentalmente de trabalhos a tempo parcial, e entre os que se declaram “sem rendimentos” estão muitos jovens que trabalham ocasionalmente.

De salientar contudo que a maioria dos jovens trabalha a tempo completo (73,8%).

Os mais qualificados parecem ter mais possibilidades de um trabalho mais gratificado.


Fonte: Açoriano Oriental

 

Comentários

Deixar Comentário

Quantos são Oito mais Nove? O que é isto?

Pesquisar

Conhecer Todos
Conhecer Todos