Economia

Peixe açoriano escoado de barco perde 30% do valor

  • 26 de Março de 2018
  • 50 Visualizações, Última Leitura a 24 Maio 2018 às 05:30
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Falta de lugar nos aviões levou comerciantes a escoar cerca de 60% do peixe por barco, com baixas de preço.

Perante a ausência de um avião cargueiro e face às dificuldades de disponibilidade de carga nos aviões comerciais, cerca de 60 por cento do peixe dos Açores tem sido escoado por barco como um produto refrigerado e não “do dia”, o que traz prejuízos para os empresários e não valoriza o pescado açoriano.

Esta é uma situação que se verifica há cerca de cinco anos, quando aumentaram as dificuldades em arranjar lugar nos aviões para a exportação de peixe e que resulta em perdas de valor de cerca de 30 por cento na venda a partir dos Açores.

Este peixe refrigerado é vendido para as grandes superfícies comerciais do continente, que são as únicas que têm capacidade de o vender rapidamente, porque se fosse para o comércio tradicional, a venda mais demorada do peixe levaria a que este acabasse por se estragar, o que não aconteceria caso o peixe fosse escoado dos Açores por avião e chegasse ao destino em 24 horas.

E para os comerciantes do pescado, mesmo com a introdução rápida de um avião cargueiro - esperado há três anos - a retoma do valor do preço será progressiva, para não sobressaltar o mercado e os consumidores.

“É sabido que a disponibilidade oferecida nos horários que nos são mais interessantes e que podem valorizar mais o pescado é reduzida e foi-se criando, como alternativa, o transporte marítimo do peixe refrigerado para o continente, num mercado de venda de segunda linha, porque o peixe sai daqui numa sexta-feira e só chega na segunda ou terça-feira ao mercado e não tem o mesmo valor que um peixe que chega ao seu destino final em 24 horas”, afirma em declarações ao Açoriano Oriental o secretário geral da Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores, Pedro Melo.

Para o representante dos comerciantes do pescado, este é também um resultado da incerteza que se foi criando ao longo dos últimos três anos, desde a liberalização das ligações ao continente a partir de São Miguel e Terceira, porque “sempre que nos aproximávamos do verão, não sabíamos se podíamos contar ou não com o transporte aéreo”.

Por isso, para Pedro Melo e numa altura em que “ouvimos falar muito da valorização do peixe dos Açores, não pode haver valorização se não houver boas acessibilidades e se o peixe não chegar atempadamente aos mercados que mais valorizam o nosso peixe e com uma boa logística”.

O peixe representa cerca de 75% da carga aérea dos Açores para o exterior neste momento e este é o setor que mais interesse tem na criação de uma linha aérea de transporte de carga entre os Açores e o continente.

Recorde-se que recentemente houve uma manifestação pública de interesse por parte do consórcio luso-espanhol MAIS, que já opera na Madeira e pretende agora começar a operar nos Açores a partir de abril e sem ajudas do Estado.

Segundo afirmou na altura à agência Lusa e à Antena 1/Açores o diretor executivo do consórcio Madeira Air Integrated Solutions (MAIS), António Beirão, a intenção seria começar uma operação apenas entre Lisboa e Ponta Delgada - com possível extensão mais tarde à Terceira - com cinco frequências semanais, de terça-feira a sábado e num avião com uma disponibilidade de sete toneladas de carga.

O consórcio MAIS admite que ainda não teve qualquer negociação sobre esta matéria com o Governo dos Açores e afirma pretender operar à margem dos dois concursos públicos para o transporte de carga já lançados pelo Governo da República, sendo que o primeiro ficou vazio e o segundo terá sido, supostamente, cancelado.

Contudo e segundo apurou o Açoriano Oriental, nenhuma informação oficial sobre este cancelamento terá ainda chegado ao Governo dos Açores que, por isso, não se tem pronunciado, nem sobre o concurso, que é da responsabilidade do governo central, nem sobre o interesse privado de operadores em fazer o transporte de carga aérea entre os Açores e o continente, sem apoios do Estado.

A Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores refere também que não teve ainda contactos com o consórcio MAIS e afirma esperar para ver qual vai ser a configuração da operação, se ela de facto se concretizar e, sobretudo, quais vão ser os preços praticados.

Isto porque, uma das vantagens do concurso público era o facto deste apresentar preços por quilo de carga que eram menos de metade dos preços praticados atualmente pela SATA e a TAP, as únicas companhias que fazem o transporte aéreo de carga entre os Açores e o continente.

Contudo, lembra o secretário geral da Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores, “o interesse por parte de operadores existe e o que se pode concluir é que o concurso, tal qual foi lançado, estaria provavelmente a ser exigente de mais face à realidade da Região, tal como publicamente nós sempre referimos”.

Em causa, estavam as seis frequências semanais no verão e as cinco frequências semanais no inverno. Isto para além da exigência ao nível da capacidade de carga da aeronave, que teria de disponibilizar 15 toneladas, mais do dobro do que propõe oferecer o consórcio MAIS.

Obrigações que levam o secretário geral da Associação dos Comerciantes do Pescado dos Açores a afirmar que se a operação começasse com menos frequências e carga disponível numa fase inicial teria depois “uma margem de progressão enorme, até porque começar com exigências muito altas é desmotivador”.

Por isso, Pedro Melo não tem dúvidas em afirmar que este “foi um dos fatores que afastou os interessados” do concurso para o transporte aéreo de carga entre os Açores e o continente.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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