Economia

Auto-estrada marítima

  • 23 de Fevereiro de 2010
  • 261 Visualizações, Última Leitura a 18 Dezembro 2017 às 22:32
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O projeto que visa criar na Região uma plataforma de distribuição intercontinental de mercadorias ainda não tem um porto principal agregador identificado.

Ainda está por definir qual será o principal porto agregador no projeto de potenciação do arquipélago como plataforma logística de distribuição de mercadorias entre Europa, África e América, já denominado como “Açores Logístico” avançou,ontem,a Di, o presidente da Câmara de Comércio de angra do Heroísmo (CCAH), Sandro Paim.

“Estamos numa fase de estudo de fluxos e ainda não se pensou em termos de localizações”, afirmou.

Questionado sobre se esta se pode tornar numa matéria polémica, Sandro Paim avançou que tal não se deve verificar, uma vez que tudo aponta para que os portos da Praia da vitória e de Ponta Delgada assumam papeis complementares.

“Conhecemos a capacidade de crescimento destes dois portos e acreditamos que devem ser complementares, assumindo o seu papel em termos dos fluxos endógenos e da passagem de mercadorias para outros continentes”, avançou.

Recorde-se que o “Açores Logístico” foi um dos projetos discutidos, na passada quinta-feira, numa reunião entre a CCAH e o presidente do Governo regional, Carlos César.

Segundo Sandro Paim, em causa está um projeto que está a ser desenvolvido em parceria com o Governo regional.

“Trata-se de um projeto com perto de dois anos que tem a participação do Governo regional há cerca de seis meses.

O objetivo é perceber de que forma os açores se podem enquadrar nas novas perspetivas que surgem.

Em termos de transporte marítimo de mercadorias é perceber o que está a ser feito a nível europeu e intercontinental e de que forma os Açores geograficamente podem enquadrar-se e potenciar esse transporte de mercadorias, passando algum deste transporte pela região”.

"Atualmente - explicou - está-se a evoluir para uma economia que aposta menos nos stocks e que exige melhores acessibilidades, com maior qualidade".

“Começa-se a falar em auto-estradas marítimas, que incluem a nível europeu e inter-continental os grandes portos, mas também se começa a perceber de que forma os pequenos portos podem e devem enquadrar-se neste leque complexo de distribuição de mercadorias a nível mundial”.

Ainda de acordo com o responsável pela CCAH,já em declarações ao programa “frente a frente”, da RDP/açores, o “Açores Logístico” também se enquadra no projeto nacional “Portugal Logístico”.

“O desenvolvimento do Portugal Logístico passou muito pelo transporte terrestre mas também marítimo, sobretudo com uma ‘auto-estrada’ vocacionada para a Europa e a relação com o outro continente ficou um pouco esquecida.

Queríamos que os açores fossem enquadrados no Portugal Logístico e que alguma desta frequência do intercontinental fosse captada para a região”, esclareceu.

Como? este projeto exige, de acordo com Sandro Paim, projectar algumas infra-estruturas, bem como perceber de que forma se pode aproveitar os fluxos, potenciando a exportação dos pequenos portos africanos para a Europa e da Europa e de África para a América do Norte e vice-versa, havendo também possibilidade de serem estabelecidas operações com a América do Sul. “Onde se julga haver grande potencial é em trabalhar com os pequenos portos da Europa e de África.

Não queremos competir com grandes portos como Roterdão. Receberíamos nos portos açorianos barcos com dimensões perto das atuais, cerca de 600 teU (capacidade de carga), sendo as mercadorias agregadas na região e depois existiria um barco maior, com cerca de 1500 teU, por exemplo, que faria a rota para a América do Norte e, talvez numa segunda fase, para a do Sul, bem como o percurso inverso, criando uma auto-estrada de importações e exportações”, conclui.


O projeto de 1970

O porto da Praia da vitória é apontado desde a década de 70 como tendo potencial para desempenhar um papel na distribuição intercontinental de mercadorias.

Segundo declarações de Artur Cunha de Oliveira, então responsável pela Direção Regional dos Estudos e Planeamento dos Açores, o projeto de criação de um porto de apoio ao transporte marítimo no atlântico e plataforma de distribuição de mercadorias dos Estados Unidos para a Europa do Norte e Sul, incluindo também operações com o continente africano, foi abandonado na altura devido a interesses políticos.

A ideia caiu por terra, mesmo depois de ter sido realizado um estudo com 63 países que apontava para a sua viabilidade.

“Jogou-se com o porto da Praia da vitória para dar primazia, em contrapartida à extensão do aeroporto de Ponta Delgada”, lamentou.

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