Economia

Produção de leite sobe em 2017 e pode bater recorde

  • 18 de Janeiro de 2018
  • 141 Visualizações, Última Leitura a 23 Março 2019 às 00:57
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Até novembro, produziram-se mais sete mil toneladas nos Açores, com S. Miguel em destaque. Recorde de 2015 pode ser batido.

A produção de leite subiu em 2017, após um ano de crise em 2016, quando a produção caiu sete mil toneladas nos Açores, face a 2015.

Entre janeiro e novembro de 2017 e segundo os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), produziram-se na Região 564,9 mil toneladas de leite, um aumento superior a sete mil toneladas face à produção de janeiro a novembro de 2016.

A grande responsável por este aumento é a ilha de São Miguel, que tem 65% da produção de leite dos Açores e onde a produção subiu entre janeiro e novembro deste ano quase nove mil toneladas, face ao período homólogo de 2016.

Quer isto dizer que se o mês de dezembro mantiver a tendência, quando se fechar as contas de 2017 é bem provável que se ultrapasse o recorde de 2015, quando se produziram nos Açores 610 mil toneladas de leite.

Recorde-se que 2015 foi o último ano em que ainda vigoraram até abril as quotas leiteiras da União Europeia (UE), ainda que num regime já muito liberal em termos de limites de produção.

Depois do fim das quotas e com o embargo russo aos produtos alimentares da UE, o setor do leite entrou numa grande instabilidade, que já vinha a dar sinais com a crise financeira do início da década, que se sentiu em toda a Europa.

Os preços baixaram e a eles juntaram-se os limites de produção impostos por algumas fábricas nos Açores, que penalizavam os produtores que tentassem compensar a baixa do preço com mais leite. O resultado foi uma quebra de cerca de 7 mil toneladas de produção de leite nos Açores em 2016, por comparação com 2015.

A crise começou, contudo, a inverter-se no ano de 2017. No caso dos Açores, deu-se também a coincidência favorável aos produtores de ter sido um ano muito bom em termos climatéricos, com um inverno sem grandes temporais e um verão com alguma chuva regular.

Esse fator fez com que 2017 fosse um ano muito bom de produção de erva e de milho forrageiro, dois alimentos naturais que, quando existem em abundância tornam a alimentação do gado bastante mais barata para o produtor.

Tudo isso somado e, sobretudo no caso de São Miguel, a ilha com maior escala e vocação para a produção leiteira, criaram-se as condições ideais para um aumento de produção, que foi também acompanhado por uma subida do preço pago ao produtor, que rondou os 3 cêntimos por litro no global do ano.

Contudo, alerta o presidente da Associação Agrícola de São Miguel e da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, em declarações ao Açoriano Oriental, esse aumento de três cêntimos seguiu-se “a uma descida de 10 cêntimos entre 2014 e 2016, quando até agora ainda só tivemos uma retoma de três cêntimos e continuamos a ter o leite mais barato da Europa”.

Jorge Rita refere que este aumento da produção de leite se deve “também ao que temos feito aqui nos Açores com o melhoramento genético e do maneio alimentar das vacas, porque há mais conhecimento”.

O presidente da Associação Agrícola de São Miguel e da Federação Agrícola dos Açores desafia, por seu lado, a indústria, no sentido desta “ter capacidade para transformar esta produção e vendê-la, porque nós temos feito a parte que nos compete, que é produzir mais e com mais qualidade”.

Jorge Rita lembra que o mercado nacional continua a ser praticamente a única saída para os laticínios açorianos, representando mais de 80% da exportação.

E para se internacionalizar o leite e o queijo açorianos, é preciso apostar em produtos que valorizem a especificidade da produção nos Açores e que levem o consumidor a pagar mais por eles.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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