Economia

Empresários preocupados com o estado dos transportes nos Açores

  • 26 de Novembro de 2017
  • 271 Visualizações, Última Leitura a 19 Agosto 2019 às 17:08
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Encontro Empresarial conclui que empresas e famílias são prejudicadas perante o que dizem ser avanços “muito ténues e demorados”.

Cerca de meia centena de empresários representando as três Câmaras de Comércio dos Açores e diversos setores de atividade reuniram nos últimos dois dias em Ponta Delgada, no âmbito do Fórum CCIA 2017 - Encontro Empresarial dos Açores, e no final mostraram-se críticos sobre o estado da economia regional.

“O Fórum refletiu e reafirmou, na generalidade, sobre o que tem sido a evolução das políticas para a competitividade da economia dos Açores concluindo que têm sido muito ténues e demorados os avanços conseguidos, prejudicando o posicionamento das empresas dos Açores e onerando os custos para as famílias”, enfatizou Mário Fortuna, porta-voz do grupo, na conferência de imprensa destinada a apresentar as conclusões do encontro, subordinado ao tema “Turismo, Emprego e Produção Local e Regional”.

Na altura, o presidente da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada exemplificou com aquilo que os empresários consideram ser “evidências preocupantes, cuja resolução tarda, em prejuízo do bem-estar geral da sociedade açoriana”.

Isto é, concretizando, “os parcos avanços em áreas como os custos de contexto, a adequação e modernização de serviços públicos, o financiamento da economia privada, o investimento público estratégico, as privatizações, a adequação/adaptação legislativa e o emprego”.

A partir de uma análise retrospetiva desde 2016, as chamadas de atenção ‘varreram’ vários temas importantes - desde a operacionalização do Programa Operacional Açores 2020, passando pela realização de investimentos prioritários estratégicos, transporte aéreo de carga, transporte aéreo interilhas, até investimentos na área do turismo, formação e fiscalidade -, “constatando-se que não houve qualquer evolução positiva significativa nas políticas associadas”.

O mesmo é dizer que “na intervenção pública não são identificadas intervenções estruturais significativas”, com a agravante, nestas matérias, de que a concertação estratégica “tem sido efetivamente nula”.

O Fórum debruçou-se prolongadamente sobre os transportes.

E concluiu que, no caso dos aéreos, deve ser revisto o sistema de ‘gateways’ atuais por forma a eliminar as obrigações de serviço público, assim como deve ser revisto o modelo de transportes aéreos interilhas para permitir uma maior oferta e redução de tarifas e, de igual modo, o modelo de transportes aéreos de ligação com o território nacional para torná-lo mais sustentável.

Nesta área, os empresários reclamam, por um lado, a “consolidação da Azores Airlines para que possa cumprir uma função reguladora, de forma comercial e sustentada”, e por outro, “a consolidação da SATA Air Açores para que possa dar melhor resposta aos desafios de ligações interilhas mais frequentes e mais competitivas”.

A esse propósito, foi solicitada a intervenção do governo no sentido de tornar a Azores Airlines, empresa do grupo SATA, mais “sustentável”.

O Fórum chamou ainda a atenção para o que considera ser a necessidade urgente de se chegar ao fim do processo de concessão do transporte de carga aérea, isto porque, decorridos mais de dois anos da adoção do novo modelo, “o processo de concessão continua por concluir com evidentes prejuízos para a economia regional”.

Nos transportes marítimos de cargas, o tom das preocupações é tanto ou maior, tendo sido reiterada pelas três Câmaras de Comércio dos Açores e setores de atividade representados no encontro a realização de um estudo independente e especializado sobre o que deve ser o modelo de transporte marítimo que sustente as opções a fazer neste domínio.

O mesmo tratamento se pede em relação à anunciada compra de um navio de passageiros e mercadorias, tendo em conta os montantes envolvidos na sua aquisição/construção, operação e manutenção.

“O Fórum não percebe que se despenda 48 milhões de euros na aquisição de um equipamento sem que antes se tenha revisto o que será o modelo de transportes marítimos para os Açores. Volvidas três décadas, continuamos dependentes de um modelo que remonta ao último quartil do século passado”, censuram.

Os empresários reivindicam a implementação de planos estratégicos para os portos que incluam requalificação das infraestruturas e modernização dos equipamentos, com gestão privatizada. “É preocupante que se façam intervenções para durarem os próximos 20 anos, impondo condições de rigidez, como está a ser feito em Ponta Delgada e na Horta”, salientam, alertando que as soluções neste setor devem ser “racionalizantes levando a reduções de custos sem prejuízo de frequências”.

Na verdade - como vincam - “o modelo atual não serve! Não é competitivo, não funciona adequadamente e as rotas e escalas definidas não são cumpridas com pontualidade”.

Lamentaram ainda a falta de avanço em investimentos urgentes, como a estrutura portuária e de graneis de Ponta Delgada.

No respeitante ao transporte marítimo de passageiros, constataram a “total inoperância” do Plano Integrado dos Transportes.O Fórum não escondeu a sua preocupação com a gestão das áreas naturais dos Açores, especialmente a “pressão” exercida nas lagoas de São Miguel e montanha do Pico, e alertou para as “consequências inaceitáveis” que podem advir da ausência de uma ação rápida na descontaminação na ilha Terceira.

De salientar que o Fórum defende a redução de impostos para as famílias e empresas dos Açores, apoiando as propostas do pacote fiscal conjuntamente apresentado pela Câmara do Comércio e Indústria dos Açores, Federação Agrícola dos Açores e UGT-A.

No Programa Operacional (PO) Açores 2020, que deverá aplicar uma média anual de cerca de 220 milhões de euros na economia regional visando a sua competitividade, os empresários consideram, entre outros aspetos, que é preciso haver uma afetação adequada de recursos para a formação profissional e requalificação de ativos e promover a inclusão nas linhas de apoio ao turismo da requalificação urbana e melhorias de qualidade em investimentos em Alojamento Local.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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