Economia

Carne IGP precisa diferenciar-se da Marca Açores

  • 21 de Novembro de 2017
  • 22 Visualizações, Última Leitura a 18 Dezembro 2017 às 05:05
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A introdução da Marca Açores na carne de bovino normal tem sido uma mais-valia para a venda da carne açoriana, que neste momento está a ser vendida em condições proporcionalmente até mais vantajosas para os produtores que o leite.

Contudo, o facto de já existir no mercado carne açoriana com o rótulo de Indicação Geográfica Protegida (IGP) pode estar a gerar alguma confusão nos consumidores. Segundo apurou o Açoriano Oriental, esta confusão pode resultar de, por já haver carne normal da Marca Açores no mercado, o consumidor não perceber a real mais-valia da IGP.

E pode mesmo acontecer o consumidor comprar carne normal com a Marca Açores, pensando que está a comprar carne IGP.

Uma situação que deverá levar a um esforço suplementar das empresas e produtores no sentido de esclarecer melhor junto do consumidor o que é uma carne de Marca Açores, que apenas certifica a sua origem açoriana, de uma carne IGP que, para além da origem açoriana, garante ainda uma qualidade superior da carne que deriva de todo um maneio específico para garantir uma carne tenra e de sabor característico.

Ou seja, o consumidor, sobretudo no exterior da Região, terá de perceber melhor o que é a carne normal com Marca Açores e que é a carne IGP, que é a ‘melhor’ de toda a carne açoriana. Esta situação não acontecia antes da Marca Açores, quando a IGP era o único ‘selo’ qualitativo dos Açores no mercado da carne.

Contudo, antes de haver Marca Açores na carne, esta vendia-se no mercado local e continental sem qualquer diferenciação e o seu preço era muito prejudicado por isso. E estamos a falar, no fundo, de 90% a carne que se produz na Região, conforme admite em declarações ao Açoriano Oriental o presidente da Federação Agrícola dos Açores.

“É relevante fazermos a diferenciação junto do consumidor, porque para o produtor ela está claramente feita entre o que é Indicação Geográfica Protegida, que implica um maneio específico e o que é toda a outra carne dos Açores, que não podia continuar a ficar como carne indiferenciada, porque para isso já nos chegam os leites de ‘marca branca’ que temos no mercado”, afirma Jorge Rita que, contudo, lembra que os produtores de carne IGP também não podem apresentar-se como “sendo os únicos detentores da Marca Açores” na carne.

Por seu lado e também contactada pelo Açoriano Oriental, a vogal do conselho de administração da Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores (SDEA), Marisa Toste, refere que a Marca Açores foi criada “com o objetivo muito claro de promover os Açores e a comercialização dos seus produtos e serviços, certificando-os e garantindo que eles são dos Açores”.

Marisa Toste, que é também responsável pela estratégia da Marca Açores, diz que a SDEA sempre teve como preocupação “esclarecer não só as empresas aderentes à Marca Açores, como também o consumidor que coloca questões em relação à Marca Açores”.

Marisa Toste admite que nem sempre possa existir uma diferenciação clara no consumidor entre a Marca Açores e a IGP e que “as empresas que apostaram nesse tipo de certificação podem ter interesse em esclarecer melhor o consumidor sobre que tipo de carne se trata”. Contudo, garante, “nós na Marca Açores, sempre o fizemos com a clara noção de que são certificações diferentes”.

Marisa Toste apela, por isso, também às empresas e aos produtores que promovam essa diferenciação, embora revele abertura por parte da SDEA em debater estas questões com os empresários. Até porque, conclui, a Marca Açores tem sido uma mais-valia - sobretudo na promoção e comercialização - funcionando em complementaridade e não em concorrência com outras denominações como a IGP.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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