Economia

Diferença salarial entre homens e mulheres é a mais baixa do país, mas preocupa sindicatos

  • 15 de Fevereiro de 2010
  • 214 Visualizações, Última Leitura a 23 Setembro 2017 às 02:06
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A desigualdade salarial entre homens e mulheres nos Açores é a mais baixa do país, mas continua a ser uma preocupação para os sindicatos, especialmente no sector privado, onde é mais acentuada.

"O princípio constitucional da igualdade entre homens e mulheres é garantido na administração pública, mas algumas entidades patronais privadas ainda discriminam para contratar mão-de-obra mais barata", afirmou Francisco Pimentel, da UGT/Açores.

Por essa razão, Francisco Pimentel salientou que a luta pela igualdade salarial é um "processo inacabado", frisando que, "desde que (homens e mulheres) tenham a mesma qualidade, não há razões para haver desigualdades salariais".

Um estudo recente da Faculdade de Economia do Porto revela que os Açores têm a menor diferença de vencimentos entre sexos a nível nacional, com 99 euros a separar os salários base de homens e mulheres.

O valor é mais baixo do que é registado em Lisboa (233 euros), que tem a diferença mais elevada do país, e também inferior ao que se regista na Madeira (162 euros).

A diferença salarial nos Açores é também mais baixa que a média nacional, que é de 169 euros.

Para Graça Silva, da CGTP/Açores, a discriminação salarial reflete as desigualdades sociais, já que a maternidade e a maior necessidade de apoiar a famílias penalizam as mulheres.

"Além das diferenças salariais, as mulheres também são mais vulneráveis ao desemprego, representando o maior número de inscrições nos centros de emprego", acrescentou.

A dirigente sindical salientou ainda que as desigualdades são também notórias nas pensões sociais, recordando que "a pensão de velhice corresponde a 59 por cento da pensão média recebida pelo homem".

A questão das desigualdades sociais foi também referida pela economista açoriana Gilberta Rocha, para quem "as empresas são cada vez mais competitivas e preferem os homens às mulheres devido à compatibilização da vida pessoal e profissional".

"As mulheres têm menos disponibilidade para horas extraordinárias e horários alargados", afirmou a docente da Universidade dos Açores, que tem desenvolvido investigação na área do trabalho feminino.

Para Gilberta Rocha, a discrepância salarial entre homens e mulheres nos Açores também está relacionada com a estrutura de emprego, já que existem poucas empresas grandes com altos quadros.

"Apesar de termos aumentado o Produto Interno Bruto (PIB), não deixamos de ser das regiões mais pobres e, sem dúvida, menos qualificadas do país", afirmou.

Na sua perspetiva, apesar de a lei obrigar a uma igualdade salarial, "as empresas arranjam outros modos de remuneração" que criam a diferença, defendendo que a situação continuará a existir enquanto não mudar a mentalidade dos empresários.

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