Economia

Estudo mostra que a hotelaria açoriana desperdiçou milhões

  • 16 de Novembro de 2017
  • 41 Visualizações, Última Leitura a 16 Dezembro 2017 às 01:35
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Açores, Madeira e Norte podiam ter tido mais 47 ME de lucro por ano, entre 2012 e 2016, se preço médio tivesse seguido procura.

A hotelaria das regiões dos Açores, Madeira e Norte tiveram perdas avaliadas em 47 milhões de euros por ano, devido a ineficiências de gestão, o que representa cerca de 12% dos resultados do setor a nível nacional.

Foi a esta conclusão a que chegou a BlueShift - Achievers Make the Change, grupo de gestão e consultoria hoteleira, depois de comparar a evolução da Taxa de Ocupação e Preço Médio em cada região do país, procurando aferir até que ponto as organizações conseguiram tirar o máximo partido do novo ciclo de crescimento.

Avaliando o período desde 2012, ano anterior ao arranque da procura, até 2016, ano recorde para o turismo nacional, a consultora conclui que, “na Madeira, Açores e Norte, há uma desconexão aparente entre o crescimento sustentado da taxa de ocupação e a inércia do preço médio, que se mantém estagnado ou em queda durante dois a três anos, e passando para terreno positivo apenas em 2015 ou 2016”.

Deste modo, “olhando para as curvas agregadas das quatro regiões, calculamos um coeficiente de correlação de apenas 16% (1,9% na Madeira e 7,6% nos Açores), indiciando que a evolução do preço médio não tem uma relação consistente com as variações da procura”.Para os autores do estudo, “a situação dos Açores ilustra de forma exemplar as ineficiências geradas por um contexto de elevada incerteza”.

“Não só o crescimento de 2013 não se reflete num aumento de preço médio – pelo contrário -, como o boom verificado em 2015, com a liberalização do espaço aéreo (30% de crescimento acumulado em Ocupação), não impede a continuação de uma série de três anos em queda de preços”, sublinha a BlueShift.

Nas conclusões do estudo, a consultora recorda que “a liberalização foi anunciada com poucos meses de antecedência, muito depois de a contratação do ano estar feita, e associada a uma enorme insegurança sobre os impactos, nomeadamente tendo em conta a situação de debilidade da SATA”.

A equipa responsável pelo estudo realizado em outubro deste ano, com recurso exclusivo a fontes externas, nomeadamente INE e Turismo de Portugal, lembra que “a capacidade de crescer em preço depende de muitos fatores exógenos à empresa hoteleira, como o ponto de partida do destino (em mercados com ocupações muito baixas a prioridade é atingir um nível de atividade operacionalmente eficiente), a previsibilidade do contexto competitivo (capacidade de antecipar o crescimento), ou o mix “natural” de canais do destino (quanto mais contratação maior a inércia do preço)”.

No entanto, ressalva, “essa capacidade também depende, em grande medida, do comportamento dos agentes hoteleiros. Empresas com menos competências e ferramentas tendem a crescer primordialmente via taxa de ocupação, pois basta-lhes ‘ter a porta aberta’ para entrarem mais clientes.

Em contrapartida, empresas com maior capacidade de planeamento e previsão, conseguirão gerir estrategicamente a função de ‘Revenue Management’, empurrando uma parte – ou até a maioria – da pressão da procura para a variável preço, em busca de uma melhor rentabilidade operacional”.

O estudo identifica assim que “destinos tradicionalmente mais dependentes da Tour Operação, como Madeira e Açores, apresentam as maiores dificuldades a canalizar a pressão da procura para aumentos de preço médio, fazendo-o com um desfasamento de dois a três anos, bastante superior ao próprio ciclo de contratação”.

E conclui ainda que “a inércia do preço é agravada em contextos de incerteza quanto ao cenário competitivo, em que as empresas não assumem a tendência de crescimento nas suas decisões de contratação e gestão de canais. Nestes casos, podem gerar-se situações incoerentes em que um elevado crescimento de ocupação é acompanhado por uma queda sustentada de preços”.

Para os autores do estudo, “a região dos Açores, que tem convivido com cenários de elevada incerteza a nível de ligações aéreas, é um caso paradigmático”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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