Economia

Defesa da Pesca de Atum de Salto e Vara com declaração de apoio

  • 18 de Outubro de 2017
  • 33 Visualizações, Última Leitura a 19 Novembro 2017 às 03:05
    • *
    • *
    • *
    • *
    • *

Manifesto foi subscrito por entidades de 16 países e será remetido à Comissão Europeia e outras entidades internacionais.

O manifesto, subscrito por entidades de 16 países onde a pesca de atum de salto e vara garante a subsistência de muitas comunidades e até de economias regionais, será remetido à Comissão Europeia e a várias entidades internacionais com objetivo de alertar para uma maior valorização de uma técnica altamente seletiva e sustentável, onde a captura do peixe é feita ‘um a um’, com recurso a uma vara.

Um tipo de pescaria que tem encontrado nas frotas altamente industrializadas uma grande ameaça em termos de sustentabilidade, não só por via da exploração massiva e pouco seletiva dos recursos, como do impacto ao nível da deterioração do preço com que o atum chega aos mercados.

Preocupações e desafios que marcaram a I Conferência Mundial de Salto e Vara, certame que terminou ontem na cidade da Horta e que reuniu mais de 200 participantes de vários cantos do mundo.

A Declaração dos Açores de Apoio à Pesca de Atum de Salto e Vara é, de modo geral, um instrumento que pretende mobilizar apoios e concertar estratégias que permitam assegurar a sustentabilidade das pescarias de atum com salto e vara, numa altura em que, a nível global, estão a diminuir as capturas com recurso a esta técnica artesanal.

“Para reverter esse cenário, não bastam só políticas ambientais. É preciso influenciar decisores a nível global, por exemplo, em termos de gestão dos oceanos. Não é tarefa fácil, mas o trabalho tem de ser feito porque existem comunidades que não têm alternativa de subsistência. A tarefa é de todos e a responsabilidade também”, alertava Adam Bask, diretor da Política e Promoção da Internacional Pole&Line Foundation (IPNLF), entidade que organizou, em parceria com a Secretaria Regional do Mar, Ciência e Tecnologia, o evento em causa.

A estratégia terá de passar, numa primeira fase, por incrementar o reconhecimento das características próprias e valorativas da pescaria de atum com salto e vara, garantindo “uma posição válida nos mercados globais”, como refere a Declaração dos Açores, documento onde também se reconhece que, apesar de ser uma atividade com “elevados critérios ambientais e sociais, os constrangimentos económicos e os desafios geográficos limitam, por vezes, o seu envolvimento nos processos de certificação ou em projetos de melhoria”.

Um documento que pretende ser uma espécie de código de conduta, subscrito por líderes governamentais, armadores, pescadores, associações do setor, comerciantes, indústria, investigadores e membros de organizações não-governamentais oriundos de países como Cabo Verde, Senegal, África do Sul, Japão, Indonésia, Maldivas, Espanha, Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América, França, Alemanha, Espanha, Canadá, Moçambique e Portugal.

“Sabendo dos problemas e soluções que cada um, no seu canto do mundo, detém, podemos certamente avançar para a definição de uma estratégia conjunta que nos permitirá, finalmente, chegar a uma ação ampla e eficiente que nos permita perspetivar futuro para as nossas pescarias de atum”, desafiava o diretor regional do Mar, Luís Rodrigues, ontem, na sessão de encerramento da conferência.

“O futuro depende da capacidade de superarmos o nosso atual estado e assumirmos incondicionalmente a responsabilidade de estabelecermos uma convergência, o mais perfeita possível, entre aquilo que pensamos e aquilo que fazemos”, acrescentou, lembrando que a utilização dos recursos marinhos deixou de ser um problema de natureza unicamente ambiental, social ou económica, mas sim um sério problema ético.

“Que responsabilidade temos todos e cada um de nós na preservação destas espécies? Esta é a questão que se coloca. Que responsabilidade temos todos e cada um de nós perante as próximas gerações?”, questionou o diretor regional das Pescas.Luís Rodrigues diz, no entanto, não ter dúvidas de que o salto-e-vara é uma arte sustentável, que respeita e preserva as espécies de atum. “É consensual que, se queremos preservar a viabilidade dos atuns, há que garantir a defesa intransigente do salto e vara”.

Refira-se, a propósito, que as entidades que subscrevem a Declaração dos Açores de Apoio à Pesca de Atum de Salto e Vara comprometem-se, entre outras medidas, a “conferir maior visibilidade a esta pesca junto dos decisores relevantes, através de circuitos de abastecimento e dos consumidores, para garantir que esta pesca prospere ao longo das próximas gerações”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

Comentários

Deixar Comentário

Quantos são Um mais Oito? O que é isto?

Pesquisar

Conhecer Todos
Conhecer Todos