Economia

Linha de Crédito a empresas para pagamento de dívidas vai manter-se

  • 11 de Fevereiro de 2010
  • 231 Visualizações, Última Leitura a 20 Novembro 2017 às 19:14
    • *
    • *
    • *
    • *
    • *

O Governo Regional decidiu prorrogar o prazo de vigência da linha de crédito criada para pagamento de dívidas das empresas a terceiros. O anúncio foi feito ontem pelo vice-presidente do executivo açoriano, durante a interpelação do PSD ao Governo sobre a situação económica e social da Região.

No segundo dia de trabalhos plenários da Assembleia Legislativa, na cidade da Horta, Sérgio Ávila elencava as medidas tomadas nos Açores para contrariar os efeitos da crise quando revelou que, até ao final do próximo mês de Março, as empresas ainda vão poder candidatar-se à Linha Açores Empresas. Trata-se de uma linha de crédito, que pode ser pedida em praticamente todos os bancos nos Açores, e que é assegurada pelo Governo. Ou seja, a fim de saldar contas a fornecedores, Segurança Social ou Finanças, as empresas recorrem a um financiamento bancário que tem como ‘avalista’ a Região em 75 por cento.

O dinheiro é depois depositado na conta do credor, beneficiando as empresas de uma bonificação “significativa da taxa de juro” praticada pelo banco. Esta, recorde-se é agora a única das três linhas de crédito criadas em 2009 como medidas de apoio excepcional às empresas na Região. As outras duas, destinavam-se a renegociar empréstimos bancários e a reforço do fundo de maneio. Até à data, quantificou Sérgio Ávila, os apoios concedidos no âmbito das linhas de crédito, “beneficiaram 755 empresas açorianas e permitiram disponibilizar 36,3 milhões de euros de financiamentos adicionais à estrutura produtiva regional, assegurando a manutenção de 9076 postos de trabalho”.

A intervenção do vice-presidente do Governo aconteceu depois do apelo feito pela bancada parlamentar do PSD no sentido de “unir esforços” contra o agravamento das condições económicas e sociais nos Açores. Só que, após quatro horas de debate, os sociais democratas concluíram que a maioria socialista e o Executivo rejeitaram o desafio e não reconhecem a gravidade da situação.

“É uma realidade que, teimosamente, não obtém reconhecimento por parte do governo. Nos Açores, um quarto da população vive em risco ou abaixo do limiar da pobreza”, afirmou o deputado João Bruto da Costa, acrescentando que “mais de 60 mil açorianos não conseguem chegar ao fim do mês com as contas pagas, e desses já uma grande percentagem não faz todas as refeições diárias, racionando um bem-estar que é o mínimo aceitável para o nosso tempo”. Para o líder do grupo parlamentar do PSD, durante o debate o Governo e o PS “fizeram o habitual, que é o auto-elogio e o corrupio dos números e das percentagens, esquecendo-se do essencial, as pessoas”.

António Soares Marinho disse que o Governo socialista “rejeita reconhecer as preocupações dos açorianos” e que “está cada vez mais insensível, cansado, sem ideias e repetitivo”. Acusações que o presidente do Governo não esqueceu quando chegada a sua vez de fazer uso da palavra. Carlos César acusou então o PSD de não ter apresentado uma “única proposta”, o que considerava “uma vergonha” para um partido que aspira ao poder.

Comissão fiscaliza RSI

Também ontem durante este debate, a bancada socialista anunciou a intenção de propor uma comissão para o Rendimento Social de Inserção (RSI). Isto, explicou o líder parlamentar, para elaborar um conjunto de recomendações relativo à aplicação e fiscalização do RSI nos Açores.

Hélder Silva desafiou a oposição a apoiar esta iniciativa. Em aparte, o deputado do PSD Jorge Macedo comentou “apresentem primeiro a proposta”, Zuraida Soares do BE disse que sim senhor, mas “só e quando criarem uma para fiscalizar os apoios dados às empresas”. Quanto ao PP, Artur Lima comentou “bem-vindos ao clube. É isso que o CDS reivindica há muitos anos” mas, acrescentou, deve ser a tutela governamental a fazer esse trabalho e, depois, apresentar contas à Assembleia.

85% dos desempregados sem escolaridade obrigatória

Analisada a estrutura etária e qualificação dos açorianos inscritos nos centros de emprego, o Governo disse que 83,5% têm habilitações inferiores à actual escolaridade mínima obrigatória e que 66% abandonaram o sistema de ensino há mais de 14 anos.

De acordo com Sérgio Ávila, a maioria tem origem na construção civil, pelo que revelou estar em preparação um programa de valorização profissional para este sector que vai financiar acções de qualificação de trabalhadores até quatro meses por ano, nos períodos de baixa actividade.

PCP defende investimento nos sectores produtivos

O PCP, pela voz de Aníbal Pires, afirmou sobre o desemprego que o “problema não é novo”, sendo “anterior à chamada crise internacional”, devido a “uma política de continuada desvalorização dos sectores produtivos”. Para o PCP “a política de garrote ao investimento público” ou “a ausência de garantias para impedir o encerramento e deslocalização de unidades produtivas” beneficiárias de “apoios públicos” - alerta também feito pelo BE - têm que ser travados. “Precisamos de um desenvolvimento assente nos nossos sectores produtivos, primário e transformador”, defendeu.

CDS-PP propõe maior divulgação ao microcrédito

Um aumento da divulgação do regime de microcrédito bancário como forma de estimular o auto-emprego, diversificação agrícola, aposta nas pescas e no sector do mar, uma rede de transportes de passageiros e carga eficaz foram algumas das propostas do PP.

No primeiro dia em que o tema esteve a debate, Artur Lima disse que “quem cria emprego são as empresas e que estas têm que ser apoiadas, [...]com responsabilidade”. Ontem, o líder dos populares relembrou a proposta de aquisição de um avião-cargueiro para incrementar a exportação de bens regionais.

Comentários

Deixar Comentário

Quantos são Dois mais Um? O que é isto?

Pesquisar

Conhecer Todos
Conhecer Todos