Economia

Escolas profissionais pedem reforço da oferta formativa

  • 28 de Agosto de 2017
  • 197 Visualizações, Última Leitura a 23 Março 2019 às 20:33
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Associação Nacional das Escolas Profissionais defende que é necessário aumentar o número de cursos profissionais.

A Associação Nacional das Escolas Profissionais (ANESPO) defende que, nos Açores, deve ser reforçada a oferta de cursos de ensino profissional de nível IV, destinados a alunos do secundário que pretendem obter, em simultâneo, formação numa área profissional.

O vice-presidente da ANESPO, Domingos Borges, e presidente do conselho da administração da Fundação de Ensino Profissional da Praia Vitória, sublinha que a nível nacional foi definido o objetivo de ter, em 2020, 50% dos alunos a frequentar o ensino profissional, mas na região a média de alunos que frequenta este ensino está ainda entre 25 e 30%. Ora, salienta Domingos Borges, as empresas têm necessidade de quadros intermédios e, por essa razão, deve haver um reforço dos cursos de ensino profissional nos Açores.

Domingos Borges lembra que em 2014, registou-se na Região uma redução de cerca de 30% na oferta destes cursos - uma redução que, sustenta, se terá devido a dificuldades de financiamento dos cursos que são viabilizados com fundos comunitários, por ter ocorrido na altura da transição do quadro comunitário.

Segundo o representante das escolas profissionais nos Açores, esta redução foi, entretanto, sendo compensada nos últimos anos, com o reforço da oferta de formação de adultos, em resposta ao aumento do desemprego, em especial aos “desempregados que estavam numa situação de desemprego de média duração e sem formação profissional, ou formação académica”. Mas, com a redução da taxa de desemprego, Domingos Borges afirma que se regista já uma redução do número de cursos para adultos.

E, por todos estes motivos, defende que as escolas de ensino profissional têm de “retomar o foco inicial que são os cursos de formação profissional de nível IV, pois é a formação de quadros intermédios que continua a fazer falta às empresas”, sustentando que devem ser criadas pelo menos mais 30 a 45 turmas.Do ponto de vista da ANESPO, se a Região tiver como objetivo ter metade dos alunos do secundário a frequentar cursos profissionais, esse trabalho terá de ser feito pelas escolas profissionais, em conjunto com as escolas públicas. Mas, alerta, isso deverá ser feito em igualdade de circunstâncias.

Tal como já tinha sido denunciado recentemente por um grupo de escolas profissionais, é necessário que as exigências feitas às escolas públicas sejam as mesmas que são já impostas às escolas de ensino profissional, nomeadamente no que se refere às competências técnicas dos recursos humanos e dos equipamentos a utilizar nos cursos autorizados, sustenta a ANESPO.

“Somos sujeitos à homologação da Direção Regional de Formação e do Emprego ao nível dos formadores da componente técnica e as escolas públicas não têm essa obrigatoriedade não sei porquê. E isso leva a situações que não são as mais adequadas, quer para o curso em causa, quer para a motivação dos alunos e a qualidade do curso em causa, refletindo-se na imagem que o ensino profissional tem - as empresas é que fazem essa avaliação e acabam por vezes por generalizar”, diz o vice-presidente da ANESPO.

Por outro lado, Domingos Borges considera que falha também a articulação, quando as escolas públicas abrem cursos que já existem em escolas profissionais na mesma zona geográfica.Direção do Emprego diz que aposta é para continuar Paula Andrade, diretora regional do Emprego e da Formação Profissional, recusa a ideia de que tenha havido uma redução do número de cursos para adultos no ano letivo que se inicia. “O Reativar começou tardiamente, e este ano, os cursos iniciaram-se em abril.

Foram autorizados 37 cursos, tantos quantos os do ano passado. Não fazia sentido estarmos a abrir agora uma nova fase de candidaturas, pois haveria aqui uma sobreposição se avançássemos de imediato com uma nova leva de cursos Reativar”, ainda para mais quando a taxa de desemprego está a diminuir, afirmou.

Quanto ao número de cursos de ensino profissional, diz que “tem sido predefinido em articulação com as escolas e a Direção Regional da Educação”. “Nós apenas financiamos esses cursos, através do Fundo Social Europeu”, lembra Paula Andrade que explica que “o novo quadro comunitário tem uma dotação inferior ao nível da Formação Profissional, sendo o enfoque – por indicação da Comissão Europeia - para a inclusão social e o emprego, e portanto, dá prioridade aos programas de emprego”.

Questionada sobre um eventual reforço dos cursos profissionais, a diretora regional disse acreditar que irá “haver um reforço dos cursos do ensino profissional – até porque o desemprego jovem é uma das prioridades do governo”. E adiantou que “o Observatório do Emprego está a levar a cabo um estudo sobre as necessidades de formação para o próximo ano letivo 2018, e aí já vamos perceber quais as necessidades das empresas”.

Questionámos também a Direção Regional da Educação (DRE) sobre qual a meta que a DRE considera que deve ser atingida para o número de alunos a frequentar o ensino profissional na Região, se se pretende reforçar o número de cursos de ensino profissional, e se reconhece que há falta de articulação entre escolas públicas e escolas de ensino profissional na abertura de cursos, bem como falta de igualdade nas exigências feitas a umas e outras. No entanto, de acordo com a assessoria da Secretaria Regional da Educação, o diretor regional da Educação “escusou-se a fazer qualquer esclarecimento”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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