Economia

Estudo revela que homens ganham mais do que as mulheres

  • 3 de Julho de 2017
  • 300 Visualizações, Última Leitura a 21 Agosto 2019 às 07:39
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Nos Açores, os homens ganham, em média, mais 93,8 euros do que as mulheres, quando desempenham a mesma atividade.

Apesar de mais baixo do que a nível nacional, nos Açores o salário dos homens é mais elevado do que o das mulheres quando desempenham idênticas funções.

Os homens  ganham, em média, mais 93,8 euros do que as mulheres, no desempenho de atividades profissionais idênticas no setor privado regional, segundo os últimos dados do Relatório Único, 2015, do Observatório do Emprego e Formação Profissional (OEFP), que analisa a participação dos homens e mulheres no mercado de trabalho do setor privado.

Em Portugal e em específico nos Açores, o estudo conclui que subsiste uma desigualdade salarial entre homens e mulheres para o desempenho de atividades profissionais idênticas, segundo refere a diretora executiva da Associação Centro de Estudos de Economia Solidária do Atlântico (ACEESA), Catarina Borges, em declarações ao Açoriano  Oriental a propósito do encontro temático sobre “A valorização e a promoção da igualdade de género no mercado de trabalho”,  a ter lugar quarta-feira, em Ponta Delgada (ver caixa).

Na categoria dos quadros superiores, a desigualdade de gap salarial mantém-se, com as mulheres a auferirem menos 33% da remuneração do homem, o que significa que os homens ganham mais 694 euros mensais.

Na comparação com a realidade do território nacional,  a taxa de desigualdade é menor nos Açores, no valor de 11 por cento face aos 16,7 por cento da média nacional, traduzindo no valor de 165 euros mensais de diferença salarial, e média da União Europeia regista-se uma taxa de 16,9 por cento.

De acordo com o relatório da OEFP, persiste nos Açores e numa tendência equivalente ao território nacional, as profissões tendencialmente femininas e masculinas. No caso dos trabalhadores homens registam-se médias acima dos 75 por cento  em atividades como  a  Agricultura, Indústrias, Eletricidades, Construção, Transporte e armazenagem Administração pública. Com taxas acima de 64 por cento, encontram-se as atividades representadas por mulheres trabalhadoras, nas áreas como Educação; Atividade de Saúde humana e apoio social; e Alojamento, restauração e similares.
O tempo afeto pelos homens ao seu principal trabalho remunerado tende, portanto, a ser superior ao das mulheres: em termos médios, os homens afetam, por semana, 42 horas e 55 minutos à sua atividade profissional principal e as mulheres 40 horas e 47 minutos, ou seja menos 2 horas e 8 minutos.

Na análise sobre o número de hora extraordinária por qualificação e sexo, segundo  o relatório da OEFP, há uma diferença média na ordem dos 49 por cento em detrimento das mulheres. Significa que os trabalhadores homens disponibilizam cerca de 38.000 horas enquanto as mulheres 12.000 horas. Invertida a situação na qualificação de quadros médios, a  taxa feminina é superior à dos homens, em 11 por cento.


Mulheres trabalham menos horas pagas

As famílias constituem, ainda, espaços de desigualdade. As questões da parentalidade e a vida familiar  registam diferentes usos do tempo, entre homens e mulheres, sendo que as mulheres são ainda as principais responsáveis pela execução das tarefas domésticas e pela prestação de cuidados à família. Segundo Catarina Borges, continuam a ser necessárias ações para a promoção da articulação da vida profissional, pessoal e familiar que visem a sensibilização para a conciliação e usos de tempo”.

Cita um estudo que aponta  que o nascimento dos filhos/as “constitui muitas vezes um ponto decisivo no qual se definem ou reforçam assimetrias de género”.

As mulheres, em média, trabalham menos horas pagas mas mais horas em casa, sendo as “grandes cuidadoras do lar, dos filhos e dos familiares dependentes”.

O primeiro Inquérito Nacional aos Usos do Tempo de Homens e de Mulheres, (INUT) promovido pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, em 2015, da responsabilidade da CIG – Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, indica que a assimetria entre sexos continua a ser uma realidade. “E acontece em todas as faixas etárias, mesmo nas mais novas”, refere Catarina Borges.

Nas famílias com idades entre os 15 e os 24 anos a diferença ronda a 1h20  para as mulheres, enquanto na faixa dos 25 a 44 anos chega ou ultrapassa as 2 horas diárias. E no grupo dos 45 aos 64 anos o número de horas despendidas a mais pelas mulheres, por comparação com os homens, perto de 1 hora. Por isso e segundo a diretora executiva da ACEESA, pode constituir motivos para as “dificuldades na sua assiduidade laboral, prejudicando o acesso a benefícios e até, podendo justificar uma não progressão na carreia laboral e contribui para o gap salarial e as posições de chefias”.

Não obstante a Licença de Parentalidade (maternidade/paternidade), de acordo com a lei, poder ser partilhada pela mãe e pelo pai, são “ainda poucos os homens que auferem deste direito, em grande parte devido ao modo como são estigmatizados no seu local de trabalho”, acrescenta.

Face a estes resultados, Catarina Borges defende que há que insistir na redefinição dos papéis sociais dos homens e das mulheres em todas as “dimensões” da vida pessoal, profissional, familiar, económica, política, agilizando para a maior participação das mulheres no mercado de trabalho, nos processos de tomada de decisão, em assegurar a igualdade de acesso ao emprego e à formação profissional para ambos os géneros; promover o combate à segregação horizontal de profissões; combater o gap salarial eliminando os obstáculos persistentes e marcados por uma aprendizagem ainda assente em estereótipo de género.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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