Economia

Federação das Pescas alarmada com falta de atum

  • 24 de Maio de 2017
  • 52 Visualizações, Última Leitura a 28 Junho 2017 às 06:57
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“Não temos capturas nenhumas em 2017”, diz  líder da FPA. Entretanto, 90% dos atuneiros açorianos já foram pescar para a Madeira.

A Federação das Pescas dos Açores (FPA) considera ser “alarmante” a falta de atum nos mares do arquipélago nos últimos anos.

O problema afeta o patudo, o voador e o bonito, embora neste último caso mantenha-se a esperança de que a safra, que começa em junho, melhore, em relação a 2016.

De uma maneira ou de outra, a situação é má. O líder da FPA diz que este ano, até agora, o único atum descarregado na lota açoriana foram 1800 quilos de pescado capturado na Madeira.

Gualberto Rita constata uma “quebra bastante significativa” na captura de tunídeos nos Açores, exemplificando com os registos de 3 mil toneladas em 2014, 2500 em 2015 e mil toneladas em 2016. Porém, houve anos, num passado mais longínquo, que as capturas nas ilhas aproximavam-se das 10 mil toneladas.

“Estamos muito preocupados com o que se tem vindo a passar, nesta altura já era para estar a haver algum patudo. Nós não temos capturas absolutamente nenhumas em 2017”, afirma Gualberto Rita, declarando que 90% dos atuneiros açorianos estão a pescar na Madeira, onde já foram descarregadas 1400 toneladas.

O bonito, atum voador, patudo, albacora e rabilho constituem espécies migradoras, de maior valor comercial, que costumavam aumentar os rendimentos de armadores e pescadores nesta altura do ano. Eram capturadas pela frota atuneira açoriana quando passavam nas águas do arquipélago a caminho do Mediterrâneo.

Gualberto Rita garante “não haver memória” de uma pescaria de atum tão fraca na Região. E também não tem certezas do que se poderá estar a passar. Desconfia-se que possam ser questões da natureza ligadas às alterações climáticas a explicar o problema e, sobretudo, a pesca de cerco feita maioritariamente por embarcações espanholas no mar de África - com o consentimento da Comissão Internacional para a Conservação do Atum do Atlântico (ICCAT, na sigla inglesa) -, que impede os tunídeos de prosseguirem as suas rotas migradoras.

Em causa está o impacto negativo resultante da utilização de dispositivos flutuantes de agregação de pescado por frotas industriais  que atuam no Atlântico. Depois de sinalizados estes cardumes, os dispositivos, lançados aos milhares por cada embarcação, funcionam como plataformas flutuantes que, através da sombra que fazem, acabam por agregar debaixo delas os tunídeos, capturados em larga escala através de redes.

Gualberto Rita entende que esta é uma técnica predadora contrária ao conceito de sustentabilidade associado ao salto e vara nos Açores, impondo por isso - a seu ver - que a ICCAT reduza as licenças que emite para este tipo de pesca. Diz que o Governo Regional deve ter um papel “mais reivindicativo” junto deste organismo internacional na defesa do setor no arquipélago.


Fonte: Açoriano Oriental

 

 

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