Economia

Exportação de carne aumentou mais de 17% em 2016

  • 13 de Março de 2017
  • 537 Visualizações, Última Leitura a 19 Abril 2019 às 06:45
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Região exportou no ano passado mais 1.300 toneladas de carne face a 2015. Mercado continental está em crescimento.

Os Açores exportaram no ano  passado mais quase seis mil bovinos que em 2015, o que corresponde a um aumento superior a 1.300 toneladas de carne exportada.

Segundo os dados do Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), a exportação de carne de vaca no ano passado registou uma  subida superior a 17%. No total do ano passado, foram exportados 40.368 bovinos, correspondentes a 8.854 toneladas de carne.

Dados que se justificam, em grande medida, por uma maior abertura que se verificou no mercado continental no ano passado, na qual todos ganharam. Ou seja, a nível do continente, tem havido um grande aumento da exportação de carne para o estrangeiro, o que a está a abrir a porta à entrada de muito mais carne dos Açores para abastecer o mercado nacional.

E esta situação deverá continuar, uma vez que no passado mês de fevereiro saíram de Portugal para Israel mais 4 mil animais vivos (2 mil bovinos e 2 mil ovinos), num mercado, o do Médio Oriente, onde por questões culturais, este tipo de carne tem bastante procura uma vez que, quer os judeus, quer os muçulmanos, não consomem carne de porco.

Este é um mercado onde os Açores dificilmente conseguirão entrar, porque a exportação de gado vivo já não é apoiada pelo Governo e o duplo transporte (Açores-continente e continente-estrangeiro) penaliza a competitividade da carne açoriana em termos de preço.

E mesmo a carne em carcaça refrigerada, tal como é exportada atualmente, tem pouca viabilidade para destinos muito longínquos em relação aos Açores, uma vez que tem um prazo de validade até ser consumida de apenas cerca de um mês.

Por isso, é no mercado espanhol, próximo de Portugal e com transportes relativamente fáceis, que a carne açoriana tem encontrado algum mercado no estrangeiro.

Em declarações ao Açoriano Oriental, o presidente da Federação Agrícola dos Açores confirmou essa maior abertura do mercado nacional, por via de muita saída de carne do continente para o estrangeiro. “Quanto mais no continente se exportar carne para o estrangeiro, mais espaço deixa no mercado nacional para nós podermos entrar com mais carne e é isso que está a acontecer neste momento”, afirma Jorge Rita.

O mercado nacional absorve cerca de de 80 por cento das exportações de laticínios e de carne dos Açores e é, por isso, o grande mercado para os produtores açorianos.

Contudo, alerta Jorge Rita, “o mercado do continente ainda não valoriza muito a carne açoriana, que não seja pela necessidade, conforme a oferta e a procura”.

Por isso, o presidente da Federação Agrícola defende a aposta numa valorização da carne dos Açores, seja pela raça dos animais - os bovinos Angus, por exemplo, têm um preço três vezes superior aos da raça Holstein na venda  de vitelas - seja pela mais-valia da Identificação Geográfica Protegida (IGP).

Aliás e numa altura em que a produção de leite nos Açores está a passar por uma crise - houve mesmo uma redução de 1,2% no leite entregue nas fábricas em 2016, por comparação com 2015 - Jorge Rita defende que a aposta em explorações mistas de produção de leite e carne pode ser uma forma dos produtores encontrarem alguma compensação para a perda de rendimento no leite.

O presidente da Federação Agrícola dos Açores não tem dúvidas em afirmar que não há alternativa à produção de leite - pela capacidade instalada - e que esta se deve manter como o pilar da agricultura nos Açores. Contudo, conclui Jorge Rita, pode e deve-se complementar esta produção com uma maior aposta na carne, até porque existem apoios à inseminação para animais de carne da raça Angus, sem por em causa as vacas leiteiras.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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