Economia

Crise levou pescadores de São Miguel para a Graciosa

  • 9 de Janeiro de 2017
  • 404 Visualizações, Última Leitura a 22 Agosto 2019 às 08:56
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A crise da falta de peixe levou recentemente algumas tripulações de pescadores de São Miguel, nomeadamente do Porto de Rabo de Peixe, para a ilha Graciosa, onde há falta de pescadores.

Estes pescadores estão a trabalhar para armadores locais e fizeram a opção de sair de São Miguel para terem mais peixe para pescar e, sobretudo, um melhor rendimento.

Na Graciosa, pratica-se sobretudo pesca de fundo a espécies como o goraz e o cherne, que têm maior valor em lota e que vão começando a rarear nos sobrelotados mares de São Miguel.

“Havia embarcações na Graciosa que precisavam de pescadores e alguns pescadores foram para lá”, afirma ao Açoriano Oriental o presidente da Federação das Pescas dos Açores, Gualberto Rita.

Alguns pescadores de São Miguel, embora em menor número, estão também a trabalhar no Faial, outra ilha onde às vezes os armadores têm falta de mão-de-obra.

Aliás, São Jorge, Graciosa e Faial são ilhas onde há poucos pescadores e onde poderia haver oportunidades de trabalho para os pescadores de São Miguel, mas não é fácil para eles tomarem essa decisão, habituados que estão a trabalhar na sua comunidade de nascimento há várias gerações.

A integração desses pescadores micaelenses na Graciosa tem sido boa, admite o presidente da Federação das Pescas dos Açores, apesar dos encargos financeiros que essa deslocação acarreta.

Reação diferente seria se fossem os armadores micaelenses a transferir as suas embarcações para outras ilhas, habituados que estão a uma pesca mais intensiva, pois aí sim as associações locais impediriam essa situação, para evitar a sobrecarga dos recursos nessas ilhas.

Atualmente, dos cerca de 3 mil pescadores profissionais no ativo nos Açores, cerca de metade está em São Miguel e os restantes 50 por cento dividem-se sensivelmente em 25 por cento na Terceira e 25 por cento em todas as outras ilhas.

Há, por isso, uma concentração muito grande de pescadores em São Miguel e na Terceira, ilhas onde a Federação das Pescas dos Açores defende neste momento a necessidade de um resgate, que pudesse retirar do ativo cerca de mil pescadores e 100 a 150 embarcações, tornando a gestão dos recursos de pesca, cada vez mais limitados por regras comunitárias, mais fácil e para que o rendimento dos pescadores pudesse também aumentar.

A Federação das Pescas defende, por isso, um apoio do Governo Regional no sentido de promover um programa de reformas antecipadas para os pescadores mais antigos que queiram deixar com dignidade a sua profissão.

Para os mais novos, que não estão  ver na pesca neste momento o rendimento de que precisam e não podem ainda pensar na reforma, a solução poderia passar por um plano de reconversão profissional para outras áreas, nomeadamente a marítimo-turística, onde os pescadores poderiam utilizar muito do seu conhecimento já adquirido no mar.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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