Economia

Hotéis dos Açores poderiam ter preços 30 a 40% superiores

  • 5 de Janeiro de 2017
  • 420 Visualizações, Última Leitura a 24 Maio 2019 às 17:39
    • *
    • *
    • *
    • *
    • *

Opinião foi expressa pelo diretor do novo hotel de cinco estrelas, o Azor, durante o debate da Estratégia do Turismo até 2027.

As estadias nos hotéis dos Açores poderiam ser vendidas a preços 30 a 40 por cento superiores aos atuais e sem entrar em especulações.

A afirmação é de Pedro Alvellos, diretor do novo Azor Hotel, uma unidade de cinco estrelas que abriu em Ponta Delgada no ano passado e foi proferida durante o debate do Laboratório Estratégico de Turismo, uma iniciativa do Turismo de Portugal que percorreu o país a discutir a estratégia turística no horizonte 2027 e que ontem teve a sua sessão nos Açores, na Biblioteca Pública de Ponta Delgada, com sala cheia de agentes do setor.

O documento final da Estratégia Turismo 2027 deverá ser apresentado até ao fim de março.

Pedro Alvellos considera que se a Madeira é a ‘Pérola do Atlântico’, os Açores são certamente o ‘Diamante do Atlântico’, embora o destino Açores esteja neste momento a ser ‘pessimamente vendido’ e a preços que considera mesmo ‘ridículos’.

O diretor do Azor Hotel revela que tem uma ocupação de 45 por cento e ‘bem vendida’ para o mês de janeiro, um mês que toda a gente dizia que ia ser terrível. Das muitas conversas que tem tido com os seus hóspedes, diz ter percebido “que os clientes que vêm para aqui têm um potencial de pagar muito mais do que pagam e aceitariam certamente pagar um preço superior pelo mesmo produto, porque este é um produto que vale”.

Pedro Alvellos afirmou ainda, em declarações aos jornalistas no fim do debate, que os Açores já estão a atrair um turista de luxo que antes não vinha para cá, dando o exemplo de “vários clientes que já tivemos este ano com jatos privados e neste momento apareceram-me uns brasileiros multimilionários, que chegaram ao hotel espontaneamente e compraram as duas suites mais caras”. Por isso, conclui, é preciso encarar como ‘natural’ este interesse cada vez maior pelos Açores e apontado a um turista com poder de compra.

O debate sobre a Estratégia para o Turismo nos próximos 10 anos foi muito aberto, com muitos intervenientes e falou-se, entre outros assuntos, na necessidade de dignificar as profissões turísticas; no reposicionamento qualitativo das unidades hoteleiras açorianas; na sustentabilidade ambiental do crescimento turístico; na fiscalização às atividades ilegais e nas assimetrias grandes que ainda existem entre ilhas ao nível do turismo.

Exemplo disso foi o desabafo de Carlos Morais, empresário turístico do Faial, que lembrou as dificuldades que é ter um hotel na Horta em janeiro “com 18 empregados para apenas um hóspede”.

De dificuldades falou também Luís Duarte, representante nos Açores da  Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), que lançou um forte apelo a uma maior dignificação das profissões turísticas, com mais formação e sensibilização nas escolas, para que não se vejam os bons profissionais emigrarem para ganhar experiência em destinos onde há mais turismo e menos sazonalidade que nos Açores, enquanto que cá os restaurantes têm de recorrer a ‘pedreiros e eletricistas’ para servir às mesas, por falta de pessoal qualificado.

Um repto ao qual respondeu a secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo, Marta Guerreiro, ao afirmar no final do debate que “temos de tornar as profissões no turismo mais nobres e, por exemplo, um empregado de sala tem que ver a sua profissão como digna, sabendo acolher bem o turista num restaurante, o que é uma arte, é algo nobre e com valor, não é uma submissão e temos de trabalhar isso nas camadas mais jovens. Por isso, estamos já a desenvolver currículos para as aulas de cidadania em todas as escolas do arquipélago que prevejam a importância do turismo na economia”.

Marta Guerreiro salientou ainda na sua intervenção inicial a criação de quase 200 postos de trabalho no último ano nos Açores ao nível da hotelaria tradicional e do turismo em espaço rural, um sinal do dinamismo que este setor está a demonstrar.

Dos muitos contributos que o Turismo de Portugal tem recolhido para a Estratégia Turismo 2027 - que pretende ser um documento orientador para as políticas na próxima década - foi referida a autenticidade das pessoas, bem como a História e a Cultura do país como o grande ponto forte que nos diferencia de outros mercados turísticos sendo, por outro lado, a falta de notoriedade no estrangeiro e a associação exclusiva a destinos como Lisboa, Algarve ou Madeira como uma grande lacuna que o país tem ainda de ultrapassar para ser um destino turístico no seu todo.

Um exemplo dessa autenticidade  foi dado durante o debate por Luís Duarte, da AHRESP, que referiu uma açoriana que, não sabendo falar Línguas estrangeiras, levou pessoalmente turistas ao Santuário do Santo Cristo, por não saber explicar-lhes como lá chegar.

Reforçar a Marca Açores como destino sustentável de referência internacional; promover um desenvolvimento mais harmonioso do turismo em todas as ilhas e  consolidar o crescimento da procura dos Açores por turistas nacionais e estrangeiros, sem por em causa o património natural são, de resto, os três grandes desafios  que o Turismo de Portugal considera colocarem-se aos Açores neste momento, face aos contributos recolhidos para a Estratégia 2027.

Por fim, o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, deixou ainda um elogio à nova orgânica do Governo dos Açores, que aliou o Turismo ao Ambiente e à Energia, uma opção que considerou ‘ouro sobre azul’, porque “este é um dos principais desafios para o turismo nacional, o de saber como conseguimos traduzir a sã convivência entre o turismo, a preservação da autenticidade, a conservação dos recursos e a melhoria da experiência dos turistas que nos visitam”, concluiu.


Fonte: Açoriano Oriental

 

Comentários

Deixar Comentário

Quantos são Cinco mais Quatro? O que é isto?

Pesquisar

Conhecer Todos
Conhecer Todos