Economia

Lavoura pede "contas em dia" ao Governo

  • 11 de Novembro de 2016
  • 381 Visualizações, Última Leitura a 24 Agosto 2019 às 20:07
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Federação Agrícola reclamou pagamento das ajudas aos encargos com a banca na primeira reunião com o novo secretário da Agricultura.

Cerca de 200 agricultores esperam que o Governo dos Açores pague até ao final do ano as verbas relativas aos apoios já aprovados no SAFIAGRI III, o sistema lançado para compensar os agricultores pelos encargos assumidos junto da banca para realizar investimentos de modernização das suas explorações.

Para o presidente da Federação Agrícola dos Açores, Jorge Rita, este é mesmo o primeiro assunto que o novo secretário regional da Agricultura e Florestas, João Ponte, tem para resolver: “imediatamente, o que o novo secretário regional deve fazer é por as contas em dia”, afirmou Jorge Rita, à saída da primeira reunião com o recentemente empossado secretário regional da Agricultura e Florestas, numa reunião que teve por objetivo fazer um ‘retrato’ do setor a João Ponte.

Um desafio ao qual o novo secretário regional, que está a reunir-se com as associações para perceber os anseios dos agricultores, respondeu afirmativamente: “naturalmente irei abordar este assunto com todo o cuidado que ele merece”, afirmou João Ponte, que no entanto e tal como Jorge Rita, não revelou o valor total dos apoios que estão por pagar.

Na reunião, foram debatidos temas como a necessidade de subir o preço do leite pago aos produtores; a facilitação dos transportes para tornar a exportação dos laticínios açorianos mais competitiva ou a necessidade dos Açores criarem um ‘lobby’ em Bruxelas - uma intenção já anunciada e que deverá ser concretizada em união de esforços com a Madeira - “porque todo o trabalho que for feito em Bruxelas será replicado positiva ou negativamente nos Açores conforme o desempenho de todos em Bruxelas”, disse Jorge Rita.

Mas também a revisão em curso do POSEI - o programa comunitário de apoio à Agricultura das Regiões Ultraperiféricas - foi debatida nesta primeira reunião entre o novo secretário regional da Agricultura e Florestas e a Federação Agrícola dos Açores.

Uma reunião que serviu também para a apresentação de cumprimentos ao novo secretário regional e que teve a originalidade de ter sido João Ponte a deslocar-se às instalações da Associação Agrícola de São Miguel, em Santana, Rabo de Peixe, em vez da forma protocolar normal de ser Jorge Rita a deslocar-se aos serviços da secretaria regional, em Ponta Delgada.

Numa altura em que o turismo ganha um novo fôlego nos Açores, Jorge Rita fez também questão de salientar ao novo secretário regional que a agricultura ainda é “o mais importante setor da economia regional” e que, por isso, “vai necessitar de muito empenho de todos nós para ultrapassar a crise, quer da parte do Governo, quer da parte dos produtores e das suas organizações”, afirmou.

Sobre a subida do preço do leite, que nos últimos dois anos caiu mais de 10 cêntimos por litro perante o fim das quotas e o embargo russo à UE, o presidente da Federação Agrícola dos Açores afirmou-se esperançado na inversão deste ciclo negativo, “porque começa a haver sinais positivos e algumas subidas nos mercados internacionais do leite, que esperamos se venham também a fazer aqui na Região”.

Jorge Rita apelou, por fim, a um maior apoio do Governo da República em relação à lavoura açoriana nesta altura de crise pedindo uma maior articulação entre os Governos da República  e da Região, “porque ao contrário do continente, onde existem muitas alternativas ao leite, nos Açores essas alternativas são residuais”.

Por seu lado João Ponte afirmou que o Governo pretende trabalhar “perto” dos agricultores e das suas organizações, reconheceu as dificuldades que o setor do leite atravessa - “que não foram criadas pelo Governo dos Açores”, salientou -  e manifestou-se esperançado numa inversão do ciclo de descida do preço do leite pago à produção nos Açores no curto prazo, “por haver indicadores de procura e de subida de preços a nível nacional e europeu que nos indiciam haver condições para a indústria fazer nos próximos tempos um ajuste no preço do leite”, concluiu.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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