Economia

Crescimento revisto em alta ligeira para 0,9% no 2.° trimestre

  • 31 de Agosto de 2016
  • 354 Visualizações, Última Leitura a 17 Fevereiro 2019 às 04:26
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Consumo privado cresce menos e investimento cai ainda mais. Economia acelera só porque fez muito menos importações, diz INE.

O crescimento da economia portuguesa foi revisto, nesta quarta-feira, em alta ligeira (mais uma décima), para 0,9% no segundo trimestre, informa o Instituto Nacional de Estatística (INE). Antes a estimativa apontava para 0,8%. Face ao primeiro trimestre, o produto ganha um pouco de força também: avança 0,3% (no anterior foi 0,2%). Explicação: a economia acelera só porque fez muito menos importações. Segundo o INE, esta aceleração ligeira resulta de uma conjugação improvável de fatores. O consumo correu pior, o investimento também, as exportações desaceleraram, mas como as importações travaram ainda com mais força isso acabou por compensar o pior comportamento nos restantes agregados, que contribuem positivamente para o PIB. Quanto menos o país importa, melhor é para o conjunto do PIB já que se trata de valor produzido no exterior.

Assim, explica o INE, “o Produto Interno Bruto (PIB) registou, em termos homólogos, um aumento de 0,9% em volume no 2º trimestre de 2016 (taxa idêntica à observada no trimestre anterior)” o que é explicado por um menor contributo da procura interna para a variação homóloga do PIB diminuiu, que “passou de 1,7 pontos percentuais (p.p.) no trimestre precedente para 0,6 p.p., refletindo sobretudo o crescimento menos intenso do consumo privado e a redução mais expressiva do investimento“.

Mas este enfraquecimento interno foi compensado pelo maior contributo da procura externa líquida. O crescimento do saldo entre exportações e importações totais “aumentou agora para 0,2 p.p. (no 1º trimestre de 2016 tinha-se registado um contributo negativo de 0,7 p.p.)”. Isto sucede, explica o instituto, porque verificou-se “uma desaceleração das importações de bens e serviços mais acentuada que a verificada nas exportações“.

De facto, as importações levaram um rombo importante neste trimestre de abril-junho. Segundo a instituição, elas estavam a crescer 4,6% e agora só avançaram 0,9%. As exportações também estavam a crescer muito mais no primeiro trimestre (3,1%) do que agora (1,5%), mas como o seu ritmo ultrapassa o das contas ao estrangeiro, isso ajuda claramente a dinâmica aparente da retoma. No crescimento em cadeia também aconteceu uma revisão em alta de uma décima. “No 2º trimestre de 2016, o PIB registou uma taxa de variação de 0,3% em termos reais (0,2% nos dois trimestres anteriores)”.

O fenómeno é em tudo semelhante ao das variações homólogas. “Comparando com a Estimativa Rápida para o 2º trimestre, refletindo a incorporação de informação adicional entretanto disponível, verificou-se uma revisão em alta de 0,1 p.p. nas taxas de variação homóloga e em cadeia do PIB”, refere o destaque oficial. Consumo trava, investimento cai a pique O consumo privado “apresentou uma variação homóloga de 1,7% no 2º trimestre de 2016”, quando no trimestre precedente tinha crescido 2,6%.

Segundo o INE, isso deve-se ao facto de as famílias estarem a a comprar menos bens não duradouros e de terem posto um travam nos duradouros, designadamente na compra de carros. “A despesa com bens duradouros também desacelerou, apresentando taxas de variação homóloga de 12,7% e 8,2% no 1º e 2º trimestres, respetivamente, refletindo em larga medida a evolução da componente automóvel.” O agregado mais problemático continua a ser o crucial investimento, que é a base da retoma e do emprego no futuro. Depois de o país ter acusado a primeira quebra no investimento desde 2013 no primeiro trimestre, eis que agora a situação ainda se agrava mais.

“No 2º trimestre de 2016, o investimento em volume registou uma redução de 3%, que compara com a variação homóloga de -1,2% registada no trimestre precedente”, repara o INE. “Esta evolução refletiu, em larga medida, a diminuição da FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), que passou de uma variação de -1,7% no 1º trimestre para uma taxa de -3,1%.” Todas as principais componentes pioraram a sua prestação. O investimento em carros e equipamentos de transporte estava a crescer 20,5% no primeiro trimestre e agora expande-se 4,9%. Pior estão as outras rubricas. Estão todas a cair. As chamadas “outras máquinas e equipamentos” passaram a afundar 4,2% (face a 2,6% no 1° trimestre); na construção, a recessão passou de -3,9% para -4,9%; na produção de propriedade intelectual, a crise continua, mas mais suave, de -3,9% para -0,7%.

FONTE: Dinheiro Vivo

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