Economia

Britânicos viram as costas à União Europeia e entram em território desconhecido

  • 24 de Junho de 2016
  • 408 Visualizações, Última Leitura a 18 Novembro 2017 às 12:11
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"Brexit" vence referendo com 52% dos votos, segundo resultados provisórios. Libra cai para valores mínimo em 31 anos.

Desafiando os avisos económicos e as previsões, os eleitores britânicos decidiram que o Reino Unido deve sair da União Europeia, dando um passo que nunca foi dado por nenhum outro país em meio século de história da instituição.

Com a contagem ainda a decorrer, as projecções apontam para um vitória de 52% dos votos para os partidários do "Brexit" a ruptura com Bruxelas demorará anos a concretizar-se, mas a decisão bastou para fazer cair a libra para mínimos em décadas.

Ao abrigo do artigo 50.º do Tratado de Lisboa, cabe ao Governo britânico notificar oficialmente o Conselho Europeu da decisão de abandonar a comunidade um passo que não se sabe ainda quando será dado e estipula um prazo de dois anos para a conclusão das negociações.

Se não houver acordo por essa data, a saída pode concretizar-se sem acordo, a menos que a totalidade dos restantes Estados decida prolongar as discussões.

As atenções nas próximas horas vão estar, por isso, centradas na reacção dos principais líderes europeus a uma decisão com consequências para a estabilidade de toda a União Europeia.

As principais figuras das duas campanhas ainda não reagiram oficialmente aos resultados avançados, com excepção de Nigel Farage, o líder do partido anti-europeu UKIP que declarou este "o dia da independência do Reino Unido".

"Esta é uma vitória do verdadeiro povo, do povo decente", proclamou, no final de uma noite que começou com a divulgação de uma sondagem que atribuía vantagem à permanência, mas que depressa começou a avançar em sentido contrário passava pouco da meia-noite quando os resultados oficiais de Sunderland, no Norte de Inglaterra, atribuíram uma vitória folgada à saída, com 61% dos votos.

Horas antes da abertura oficial dos mercados europeus, a libra caiu já para valores mínimos desde 1985, naquela que é a maior queda da cotação da moeda britânica de que há registo, maior ainda do que no auge da crise financeira, em 2008. Quedas idênticas são esperadas nesta sexta-feira não só na bolsa londrina, como nas praças europeias.

O primeiro-ministro britânico, que se comprometeu em 2013 a realizar o referendo à permanência, deverá fazer esta manhã uma comunicação ao país.

David Cameron garantiu, por várias vezes, que não se demitiria em caso de derrota, mas a sua autoridade sobre o Partido Conservador e o Governo, ambos divididos neste referendo está agora em questão.

Quinta-feira à noite, mal as urnas encerraram, 80 deputados conservadores que fizeram campanha pela saída divulgaram uma carta afirmando que Cameron "tem o dever e tem mandato" para continuar à frente do executivo, mas não é certo até que ponto o primeiro-ministro terá condições políticas para, como afirma, liderar as negociações com a UE.

O líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, terá também de enfrentar questões internas, depois de durante semanas ter sido acusado por vários responsáveis do seu partido de pouco empenho na campanha a favor da permanência.

Questões mais difíceis de responder quanto foi nos bastiões do Labour no Norte de Inglaterra uma região onde há muito o UKIP tem vindo a fazer ganhos que se verificaram algumas das maiores votações a favor da saída.

A votação agrava também fracturas sobre a unidade política do Reino Unido: a Escócia votou maioritariamente a favor da permanência (62%) e a líder do governo regional, Nicola Sturgeon, afirmou que a votação "deixa claro que o povo escocês vê o seu futuro como parte da UE", deixando no ar a possibilidade de os nacionalistas escoceses decidirem pela repetição do referendo à independência.


Fonte: Público

 

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