Economia

Greve dos estivadores aumenta custos às empresas regionais

  • 13 de Maio de 2016
  • 507 Visualizações, Última Leitura a 18 Agosto 2019 às 00:42
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Greve dos estivadores no porto de Lisboa foi prolongada até 16 de junho, uma situação que já está a causar prejuízos na Região.

A greve dos estivadores no Porto de Lisboa está a provocar prejuízos na Região, com as empresas a queixarem-se dos custos adicionais que esta situação está a gerar.

Segundo Gil Jorge, presidente da Unileite, os produtos lácteos continuam a ser exportados e a chegar ao Continente, mas com custos acrescidos. “Junto com a transportadora estamos a resolver os problemas dentro do possível, mas com alguns constrangimentos”, revelou.

O responsável da empresa explicou que a solução tem passado pelo envio de mercadoria pelo Porto de Leixões, situação que chega a duplicar o preço do transporte. “Quando mandamos por Leixões o custo duplica, porque o nosso armazém é em Vila Franca de Xira e só de Leixões a Vila Franca cada contentor tem um custo de 500 euros”, explicou.

Deste modo, o prolongamento da greve deixa Gil Jorge apreensivo, ainda que esteja confiante que tanto o Governo nacional como o regional estejam a acompanhar a situação.

Também as empresas que estão dependentes de matéria-prima e bens vindos por transporte marítimo a partir do porto de Lisboa afirmam estar a sentir os efeitos desta greve.

O diretor da Logística da Insco, José Benjamim Rodrigues, revelou que as lojas do grupo estão a ser afetadas com esta greve.

Segundo o responsável, a greve está a ter impacto no grupo, apesar de grande parte estar montado no norte do País, destacando que a empresa foi mais afetada nos artigos de Bazar, lojas Sportzone, Wells, Worten e Mo.

O recurso tem sido a deslocação da carga de Lisboa para Leixões, mesmo assim nem sempre tem sido possível reposicionar produtos que estavam em folhetos.

A empresa revela ainda que, apesar de quase 70 por cento da mercadoria chegar aos Açores via Porto de Leixões, ontem tinha 22 contentores de retalho especializado no porto de Lisboa e quatro de produtos alimentares que entretanto já  devem ter saído com o desbloqueamento dos serviços mínimos para os Açores.

Também a Finançor destacou os problemas que esta greve tem causado em termos de matéria-prima, como de embalagens. Esta empresa tem também recorrido ao porto de Leixões para resolver os problemas, situação que onera a operação, principalmente pelo custo do transporte rodoviário entre Lisboa e Porto.

Já  o presidente da  Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA), Pedro Marques,  destaca os problemas que esta situação traz para o setor que representa. Assim, o representante da AICOPA lembra que esta greve causa atrasos na entrega de materiais, o que depois condiciona as obras. “O que o nosso setor necessita neste momento é de estabilidade e não de mais uma perturbação”, afirmou.

No entanto, acrescenta que a associação tem estado a acompanhar de perto o assunto com as entidades oficiais e sabemos que estão a ser diligenciados todos os esforços, mas o que temos pedido é que haja bom senso porque os Açores não podem ser usados como arma de arremesso para as reivindicações.

“Não nos opomos às greves, mas achamos que tem de haver uma discriminação positiva em relação às Regiões Autónomas, no nosso caso os Açores”, disse.

Da parte da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, o presidente da direção destaca que os empresários estão a combater as perturbações causadas pela greve com adaptações ao funcionamento, reencaminhando mercadorias pelos portos do norte de Portugal ou por via aérea.

No entanto, Mário Fortuna salienta que esta “não é uma solução que se possa considerar adequada” porque “acarreta custos adicionais muito elevados, o que vai aumentando o stress financeiro sobre as empresas dado o prolongamento da greve”.

Ontem, o Secretário Regional dos Transportes disse à Lusa que o prolongamento da greve dos estivadores penaliza “fortemente” as regiões autónomas, alertando que a deslocação de mercadorias para o porto de Leixões terá custos para o consumidor final.

“É uma situação que, mais uma vez, irá penalizar fortemente as regiões autónomas, aliás esta greve tem penalizado sobretudo as regiões autónomas, independentemente de todo o trabalho e de toda a cooperação que tem existido entre o Governo dos Açores e o Governo da República para encontrar uma solução, nomeadamente com a definição de serviços mínimos que pudessem corresponder às necessidades da Região”, afirmou Vítor Fraga.

Para o governante que tutela o Turismo e os Transportes nos Açores, “este prolongar da greve é, mais uma vez, uma situação que irá criar constrangimentos à economia açoriana”, às empresas da região e “afetar diretamente a vida” da população.

Já o presidente do Sindicato dos Estivadores justificou  à Lusa que o prolongamento da greve até 16 de junho se deve à “falta de entendimento” entre as partes e por não se terem alterado as condições.

Em relação aos Açores e Madeira, que segundo António Mariano podem sentir o impacto das paragens dos estivadores, o mesmo responsável garantiu que “estão a ser cumpridos totalmente os serviços mínimos”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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