Economia

Governo e parceiros juntos para escoar o leite a mais nos Açores

  • 1 de Abril de 2016
  • 545 Visualizações, Última Leitura a 24 Junho 2019 às 17:25
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Os critérios de pagamento de apoios comunitários aos produtores de leite açorianos, como no caso do prémio à vaca leiteira  e aos produtos lácteos, vão ser alterados para deixarem de incentivar a produção e ajudarem a responder à crise que abala o setor.

Quem o revelou ontem foi o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, depois de ter estado reunido durante quase 4 horas com representantes da produção, da indústria e da comercialização em Ponta Delgada.

Uma reunião de trabalho realizada na Quinta de São Gonçalo, onde se, por um lado, constatou-se a dificuldade em escoar os produtos lácteos açorianos e  que não se pode incentivar os lavradores a produzirem mais leite, por outro ficou assente o compromisso que estão a ser preparadas medidas que garantirão o tão necessário escoamento, de que são exemplo campanhas de marketing e de apoio à exportação de produtos, especialmente em mercados “mais voláteis”.

Produção, indústria, comercialização e Governo Regional são consensuais em relação à necessidade de encontrar mercado para o leite de vaca excedentário produzido na Região, em consequência do fim do regime de quotas leiteiras na União Europeia, dos efeitos do embargo russo e da retração das importações de mercados emergentes, como o chinês. Para Vasco Cordeiro, não se verificando um aumento significativo da produção nas ilhas, “temos  de centrar muitas das respostas ao nível da capacidade de escoamento”.

Em matéria de leite, o chefe do Executivo açoriano não deixou de condenar a postura da União Europeia: tem o poder de decisão a partir de Bruxelas, mas depois remete as responsabilidades pelos efeitos dessas decisões para os países e suas regiões.

“Isso não pode acontecer, porque fazer depender de cada país e de cada região a resposta às decisões que Bruxelas toma, quer dizer fazer depender da capacidade financeira de cada país e de cada região a intensidade dessa resposta.

Ou seja, privilegiar a agricultura dos países que têm maior capacidade financeira e prejudicar a agricultura dos países que têm menor capacidade financeira”, salientou o governante, ressalvando ainda ser relativamente comportável para a Região que produza hoje aquilo que produzia no fim do regime de quotas leiteiras, isto é, em março de 2015.

Recorde-se que o Governo Regional, entre outras medidas, aprovou um pacote de apoios ao setor leiteiro que ascende aos 5 milhões de euros.

Para o presidente da Federação Agrícola dos Açores, os lavradores obrigados pela indústria a produzir menos leite “têm de ser recompensados por via do POSEI, principalmente no prémio aos produtos lácteos, para fazer a devida compensação, porque senão são duplamente penalizados”.

Jorge Rita entende que a produção excedentária de leite nas ilhas pode ter como destino Angola, apesar das dificuldades económico-financeiras com que se debate e que inibem a exportação para este país.

“Com o aval e acordo dos governos, (Angola) pode ser muito interessante para o escoamento e para vazar os excedentes da Região e mesmo a nível nacional”, insistiu.

Por seu lado, Eduardo Vasconcelos, da BEL Portugal, afinou  pelo mesmo diapasão, sublinhando que os apoios devem ser direcionados para escoar os produtos lácteos excedentários nos Açores.

As partes interessadas voltam a sentar-se à mesa para fazerem um novo balanço da situação em meados de maio.
Ontem, foi constituído formalmente o Centro Açoriano de Leite e Laticínios (CALL) para tratar de todas as questões ligadas a esta fileira.


Importações de leite agravam crise do setor

Portugal importa 300 milhões de euros de produtos lácteos por ano, agravando a crise do setor do leite nacional que o fim do regime das quotas leiteiras reforçou no ano passado.

A decisão de liberalizar o mercado europeu do leite, depois de 30 anos de imposição de quotas, foi contestada pelos produtores, sobretudo açorianos (responsáveis por mais de 30% da produção de leite nacional), mas não é a única causa das dificuldades do setor.

Já no final de 2015, a produção europeia excedia em 13% as suas capacidades de comercialização. No conjunto, a queda do consumo, o embargo russo aos produtos agrícolas europeus e o fim das quotas leiteiras ditaram um ano negro para os produtores nacionais de leite, que viram os preços cair 16% desde abril de 2015.


Fonte: Lusa

 

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