Economia

Turismo rural está a crescer 11,1% por ano há 15 anos

  • 20 de Março de 2016
  • 561 Visualizações, Última Leitura a 16 Dezembro 2017 às 01:21
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Nos últimos 15 anos, o Turismo em Espaço Rural cresceu nos Açores em número de estabelecimentos, de camas, de hóspedes, de dormidas e de proveitos, mas a taxa de ocupação média subiu apenas timidamente, tal como a estada média, e persiste a concentração da procura nos meses de verão.

Estas são as principais conclusões que se podem retirar da análise evolutiva dos principais indicadores do desempenho do turismo no espaço rural, entre 2000 e 2015, calculada pelo Observatório do Turismo dos Açores, com base nos dados divulgados pelo Serviço Regional de Estatística dos Açores.

De acordo com esta análise, entre 2000 e 2015, verificou-se  um aumento médio por ano de 7,1% do número de hóspedes (de 4162 passou-se para 11587 hóspedes) e de 11.1% das dormidas (de 9573 passou-se para 46410 dormidas), tendo os proveitos totais passado de cerca de 823,5 mil euros para 1,6 milhões de euros.

“Para além do aumento do número de estabelecimentos”, houve outros fatores que contribuíram para este aumento: “desde logo, o esforço de promoção realizado, no nosso caso, pelas Casas Açorianas em parceria com as entidades públicas e outras, e sem nunca descurar os novos meios de comunicação que vão surgindo, numa aposta que consideramos ganha, mas nunca acabada”, sustenta Gilberto Vieira, da Associação de Turismo em Espaço Rural – Casas Açorianas.

O número de estabelecimentos em atividade e o número de camas cresceram em média por ano 14,7% e 12,9% , respetivamente. De facto, em 2000, estavam em atividade apenas 12 estabelecimentos, quando em 2015 eram já 94, tendo-se passado, nesse período de 147 camas para 905.

Gilberto Vieira diz que, “depois de algumas experiências pioneiras, muitas pessoas perceberam que tinham no turismo rural e de natureza uma janela de oportunidade diferenciada e apelativa, no panorama da oferta turística açoriana”. E, acrescenta, “os investidores que apostaram neste segmento perceberam que as suas ideias para um turismo de qualidade e de interação com a nossa realidade natural e antropológica tinha o apoio de uma política delineada para promoção do turismo nos Açores”. Para o empresário, foi também muito importante a constituição da associação que “potencia uma maior conjugação de esforços na divulgação e na garantia de qualidade dos seus associados”.

Numa análise por ilha, verifica-se contudo que a ilha Terceira é a única que vê decrescer o número de hóspedes e de dormidas nestes 15 anos. O representante dos empresários de Turismo Rural explica que, “durante muitos anos, a única unidade de turismo rural e de natureza dos Açores era na Terceira”, tendo depois  chegado mesmo a ser “a ilha com mais unidades ativas e emblemáticas”,  “numa altura em que a hotelaria convencional ainda era muito reduzida na Terceira”. Entretanto, “com o surgimento de novos hotéis, algumas destas importantes unidades de referência viram ser absorvida boa parte dos clientes pelas novas ofertas convencionais” e “algumas delas acabaram, mesmo, por encerrar a atividade”.

São Miguel é a ilha com mais hóspedes e mais dormidas, mas o  Faial e o Pico também se destacam na Região. “A liderança de São Miguel, também no turismo rural, é fácil de compreender”, diz Gilberto Vieira. “Para além de ter o maior número de unidades no ativo, tem o grosso do fluxo turístico para os Açores, e parece lógico que o número de turistas que escolhem as unidades em espaço rural seja proporcional ao número global de visitantes”.

Já o Pico “é um caso especial”, sublinha o empresário que considera que “há um fascínio que foi possível transmitir, pela majestade da montanha; por ter sido pioneiro em observação de baleias e golfinhos, atividade que foi e é - atualmente não só no Pico -, um atrativo de peso e que foi uma excelente resposta perante o fim da caça à baleia”. “Acresce que a ilha tem muitos outros e diversificados pontos de interesse – como todas -, entre os quais avulta a, classificada pela Unesco como Património Mundial, paisagem da vinha na ilha”, diz, para concluir que “o tipo de turista com apetência para vivenciar as experiências atrás referidas escolhe, tendencialmente, um alojamento, também ele, original”.

O que se pode fazer para melhorar a procura na época baixa, uma vez que, nos últimos 15 anos, se intensificou a procura nos meses de verão (63,7%), bem como a taxa de ocupação que passou de 17,8% em 2000 para 18,8% em 2015? “É uma tarefa complicada”, responde. “Para além da aposta contínua na promoção da Região como destino surpreendente, é necessário criarem-se eventos direcionados para públicos específicos, na época baixa, desde congressos e outras reuniões corporativas, até iniciativas nos campos da cultura, etnografia ou desporto, por exemplo, como já vem sendo feito, mas concentrando essas e novas realizações na época baixa”, sustenta.

Entre 2000 e 2015, a maior procura passou a ser dos estrangeiros (representam 81% dos hóspedes, quando em 2000 correspondiam a 35%), tendo diminuído a procura por residentes em Portugal. A explicação encontrada por Gilberto Vieira é “o esforço de promoção persistente que, passo a passo, vai atingindo novos mercados ou reforçando aqueles em que a imagem do destino Açores já tinha alguma notoriedade”. Por outro lado, “apesar de esse esforço de divulgação não ter sido descurado a nível nacional, a crise dos últimos anos atingiu de formas diferentes os potenciais turistas nacionais ”, acrescenta o empresário.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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