Economia

Agricultores desiludidos com a falta de decisão da União Europeia

  • 15 de Março de 2016
  • 487 Visualizações, Última Leitura a 26 Maio 2019 às 07:55
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“Desilusão total”. Foi com este sentimento que  o presidente da Federação Agrícola dos Açores e o secretário regional da Agricultura sairam da reunião do Conselho de Ministros da agricultura da União Europeia.

O encontro, realizado em Bruxelas, apresentava-se como uma oportunidade para encontrar uma saída para a crise do leite, mas as soluções de fundo voltaram a ficar adiadas para próximas reuniões.

Da reunião não saiu nenhum sinal de abertura para se acabar com o embargo à Rússia, garantindo um maior escoamento dos produtos lácteos produzidos na Europa, nem se criaram medidas para reduzir a produção de leite na Europa.

A Comissão Europeia apenas se mostrou disponível para autorizar a redução temporária da produção de leite sob uma base voluntária e um aumento dos apoios ao armazenamento, anunciou o comissário europeu para a Agricultura, Phil Hogan.

Esta posição representa apenas a possibilidade de cada Estado membro aceitar reduzir a sua produção, perante “uma situação de um desequilíbrio grave no mercado”, acrescentando que os detalhes desta solução têm ainda que ser finalizados, esperando o comissário poder apresentar uma proposta aos Estados-membros “muito em breve”.

Para os representantes da agricultura nos Açores esta resposta do Comissário da Agricultura  representa um adiamento das soluções para a crise do leite.

Jorge Rita, presidente da Federação Agrícola, considera que a decisão de reduzir a produção de leite “deveria ser aplicada a todos os países”.

“Não pode ser uma região ou um país a reduzir a produção, enquanto outros países vão continuar a manter a sua produção, porque as ajudas estatais para reduzir a produção vão variar de país para país. Na prática, a União Europeia está a criar uma fissura completa em toda a produção e vai reinar uma anarquia. Isso vai prejudicar os produtores dos Açores e países periféricos, em detrimento da Alemanha e de países com maior dimensão. Vai haver uma discriminação mais acentuada, porque este Conselho de Ministros apenas empurrou para a frente os problemas e deixou resolução do problema para cada Estado-membro”, afirmou Jorge Rita.

Também o secretário regional da Agricultura, Luís Neto Viveiros, considera que os resultados desta reunião do Conselho de Ministros da União Europeia representa uma “completa desilusão para os açorianos”.

“A União Europeia não está a perceber a dimensão do problema, nem a gravidade desta crise do leite. Para os Açores, esta reunião representava a última oportunidade para se encontrar uma solução útil, mas isso não aconteceu”, lamentou.

Luís Neto Viveiros considera que o problema vai agravar-se ao longo dos próximos meses com o natural aumento da produção durante o período da primavera e verão.

O secretário regional considera que esta crise está relacionada com um problema de “escoamento de mercado”, sendo necessário garantir a “reabertura do mercado da Rússia”.

Agora o Governo dos Açores promete continuar a abordar o problema “junto da Europa”, com o objetivo de garantir um “reforço das ajudas à Região, porque entendemos que este é um problema criado pela União Europeia”.

Luís Neto Viveiros salientou que foram reforçados os apoios regionais aos agricultores, mas o “problema de fundo tem de ser resolvido na Europa”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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