Economia

Radar de última geração na Graciosa ajuda a perceber clima

  • 20 de Fevereiro de 2016
  • 761 Visualizações, Última Leitura a 24 Abril 2019 às 06:38
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EUA instalaram radar de precipitação na Graciosa, cujos dados podem também ajudar a perceber o clima dos Açores.

A Estação de Medição da Radiação Atmosférica, instalada pelos Estados Unidos da América nas imediações do Aeródromo da Graciosa, passou a contar recentemente com um radar de banda X, destinado ao acompanhamento dos fenómenos da precipitação.

Este novo radar vai complementar os dados recolhidos por outros dois radares de banda K e W, que avaliam a configuração e propriedades das nuvens, bem como os dados recolhidos pelo radar de vento e a toda uma bateria de dispositivos da mais recente tecnologia no domínio das ciências atmosféricas, que fazem com que a “Eastern North Atlantic (ENA) Graciosa Island ARM  Facility” tenha neste momento capacidades de investigação únicas ao serviço da investigação internacional, tirando partido da sua vantajosa posição geográfica.

Embora os Açores tenham neste momento falta de um radar meteorológico para prever no curto prazo e com maior exatidão situações extremas de mau tempo, contudo, este novo radar instalado na Graciosa não pode fazer o papel do radar que também os norte-americanos têm na Base das Lajes e cujos dados já não são disponibilizados ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Isto porque a estação da Graciosa não está configurada para acompanhamentos de rotina meteorológica operacional, mas sim para a investigação.

Mas segundo avançou ao Açoriano Oriental Eduardo Brito de Azevedo, diretor do Centro do Clima, Meteorologia e Mudanças Globais da Universidade dos Açores e investigador principal da ENA, na Graciosa, “muitos dos seus dados podem já ser utilizados para fins aplicados, designadamente no que se refere à produção de uma climatologia regional e local mais adequadas”.

Ainda segundo Eduardo Brito de Azevedo, uma das mais importantes linhas de pesquisa em curso na ENA “tem a ver com a forma como o  processo de formação de nuvens reage ao incremento dos gases com efeito de estufa”. Ou seja, como é que a poluição gerada por fumos ou aerossóis tem um efeito importante sobre a regulação da precipitação e da temperatura a nível mundial,  uma vez que o aumento de partículas em suspensão na atmosfera contribui também para o aumento dos núcleos de condensação, partículas sobre as quais o vapor de água condensa, aumentando  a quantidade e a densidade das nuvens.

A Estação de Medição da Radiação Atmosférica instalada na ilha Graciosa é uma iniciativa internacional do Departamento de Energia dos Estados Unidos da América, dando sequência a um projeto governamental que tem por objetivo estudar os parâmetros relevantes para a melhoria da modelação climática em diferentes partes do mundo e, sobretudo, para tentar ‘abrir uma janela’ sobre o que vai ser o clima futuro no planeta.

A extensão deste programa norte-americano aos Açores teve a colaboração  do Governo Regional e do Centro de Estudos do Clima da Universidade dos Açores. Conforme recorda Eduardo Brito de Azevedo, entre 2009 e 2010 teve lugar uma campanha de 18 meses de recolha de dados a partir da estação, na altura móvel, da Graciosa, que teve um elevado grau de sucesso.

“Os resultados desta campanha confirmaram que os Açores dispõem da mistura ideal de condições para o estudo das interações entre as nuvens marinhas, o aerossol e a precipitação, mecanismo ainda mal conhecido mas decisivo para a configuração do clima da Terra. Do êxito desta iniciativa resultou uma proposta aceite pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos da América de transformar a estação móvel numa estrutura fixa e com caráter permanente, o que veio a acontecer na atual Eastern North Atlantic, Graciosa Island ARM  Facility, que está em funcionamento contínuo desde 2013”, recorda Eduardo Brito de Azevedo.

A Estação da Graciosa passou a assim a fazer parte de um grupo muito restrito de apenas quatro estações fixas do programa de Medição da Radiação Atmosférica. “Assim, para além do retorno direto que o projeto ENA propicia à ilha Graciosa, quer através do emprego e consumo direto que gera, quer pela rotação de técnicos dos vários equipamentos que passam pela ilha, a informação produzida tem contribuído para um desenvolvimento científico sem paralelo desta zona do Atlântico que se traduz em numerosas publicações científicas nas mais conceituadas revistas internacionais”, conclui Eduardo Brito de Azevedo. 


Fonte: Açoriano Oriental

 

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