Economia

Pescadores de Rabo de Peixe estão a migrar para a Graciosa

  • 15 de Fevereiro de 2016
  • 444 Visualizações, Última Leitura a 17 Setembro 2019 às 14:23
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Algumas dezenas de pescadores, oriundos sobretudo da comunidade piscatória de Rabo de Peixe, em São Miguel, têm migrado nos últimos anos para a Graciosa, onde auferem rendimentos superiores pelo facto das suas águas terem maior abundância de peixe comparativamente a outras ilhas açorianas.

Este é um fenómeno novo - confirmado pela Cooperativa Porto de Abrigo e pelo Sindicato dos Pescadores - a que se tem assistido durante os últimos 5 ou 6 anos,  afetando profissionais (pescadores e armadores) ligados à pesca costeira, como também a embarcações de maior porte (traineiras).  Migram por períodos relativamente longos, com ou sem as famílias, na tentativa de ganharem mais dinheiro onde há mais peixe.

“Temos uma situação surpreendente de haver pescadores que migram dentro da própria Região - uma vez que é difícil emigrar para os Estados Unidos e Canadá - para poderem subsistir”, constata o responsável pela Cooperativa Porto de Abrigo, que fala numa situação de “indigência” na pesca, setor que, na sua ótica, está a passar pela pior crise dos últimos 40 anos.

Liberato Fernandes diz já haver um núcleo significativo de pescadores provenientes da maior comunidade piscatória açoriana (Rabo de Peixe) a trabalhar atualmente na ilha Graciosa, sendo que alguns deles são pescadores-armadores que deixaram as suas embarcações para trás para irem trabalhar por conta de outros armadores.

Para o dirigente da Porto de Abrigo, isto significa que se “viram obrigados a deixar a atividade com a sua embarcação, a deixar as famílias, nalguns casos vão com as famílias”, para garantirem o sustento.

Num passado não muito distante, a Região, especialmente a maior ilha, costumava receber profissionais de outras paragens para a faina da pesca, vindos por exemplo do continente português, da Madeira e de Cabo Verde.

Uma lógica que presentemente funciona um pouco ao contrário, já que “hoje são os próprios pescadores de São Miguel que migram para outras ilhas” à procura de melhores condições de vida.

Na realidade, isso acontece, segundo Liberato Fernandes, porque o arquipélago neste momento “não garante um nível digno mínimo de vida aos seus pescadores”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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