Economia

Mexidas no mercado de trabalho arriscam só beneficiar salários baixos

  • 14 de Janeiro de 2016
  • 347 Visualizações, Última Leitura a 18 Dezembro 2017 às 16:39
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Empregadores podem, ficar sem margem para aumentar salários mais elevados para manter hierarquia salarial.
O salário mínimo já subiu para 530 euros.

A Função Pública deverá ter horário de 35 horas e a hipótese também já foi sugerida para os privados. Os contratos a prazo devem ser penalizados e as políticas activas de emprego devem favorecer a contratação sem termo - esta é, pelo menos, a ideia do Executivo.

Antecipar o impacto conjugado das várias mudanças previstas para o mercado de trabalho é difícil mas, à primeira vista, as mexidas arriscam beneficiar os trabalhadores com baixos salários e penalizar quem tem salários mais altos. Entretanto, o emprego pode sofrer efeitos negativos.

“É de esperar um efeito salarial positivo nos níveis salariais mais baixos”, defende João Cerejeira, economista e professor na Universidade do Minho. Contudo, este impacto deverá vir a par de um “efeito negativo na criação de emprego neste segmento salarial”, completa, explicando que estes empregos ficam mais caros.

Já no extremo oposto da escala salarial, o impacto na retribuição dos trabalhadores é negativo e os efeitos no emprego são “difusos”, acrescenta Cerejeira. A ideia é que as empresas têm de aumentar os vencimentos de quem ganha o salário mínimo e de quem está imediatamente a seguir - para manter a hierarquia salarial. Mas isso retira margem ao empregador para aumentar os salários mais elevados, que ficarão contidos.

No que toca à criação de empregos mais bem remunerados, os efeitos são difusos, já que a ideia é tornar mais barata, através das políticas activas de emprego, a contratação sem termo, explica o professor.

Paula Carvalho, economista-chefe do departamento de research do BPI, sublinha que, desde logo, “não há certezas quanto aos impactos destas medidas”, mas acrescenta outros pontos ao debate: “O primeiro efeito pode ser negativo por provocar uma alteração nos índices de flexibilidade do mercado de trabalho”. Contudo, num segundo momento, podem ser retirados ganhos, já que “a produtividade pode aumentar”.

Seja como for, a economista faz uma chamada de atenção para a realidade: “Os últimos dados sobre o mercado de trabalho revelam uma interrupção da melhoria do emprego”. E “o aumento do salário mínimo não vai ajudar a retomar o movimento positivo, antes aponta para uma estagnação”, defende.


Fonte: Diário Económico

 

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