Economia

Desemprego chega para milhares de famílias

  • 31 de Dezembro de 2009
  • 225 Visualizações, Última Leitura a 24 Agosto 2017 às 10:36
    • *
    • *
    • *
    • *
    • *

Sectores como a construção civil e o turismo sucumbiram à recessão económica, gerando milhares de desempregos.O investimento externo, que foi bandeira do Governo dos Açores, recuou. Nem as “almofadas” de uma economia com as características da açoriana surtiram efeito.O mau tempo está de volta ao canal.

Por mais fértil em acontecimentos que tenha sido o ano de 2009, uma questão incontornável assombra todas as outras: - a recessão económica. O ano de 2009 termina como começou, com a recessão a bater também à porta dos Açores, embora com maior veemência do que em 2008.

Apesar da economia da Região estar mais protegida do que a continental, o certo é que o desemprego chegou para milhares de famílias, na construção civil e hotelaria, de forma mais evidente.

Algumas empresas tiveram mesmo que recorrer à figura do “lay-off” para viabilizar a sua sobrevivência.

No final do ano, em Novembro, o desemprego aumentou 11 por cento nos Açores (são os últimos indicadores conhecidos). O Governo avançou com uma série de medidas para fazer face ao cenário de recessão, mas a oposição, designadamente o PSD, achou-as insuficientes e avançou no Parlamento com o seu próprio pacote anti-crise, que viria a ser inviabilizado pela maioria socialista.

As “almofadas” como os fundos comunitários, ausência de grandes industrias, bem como a concentração de grande parte dos activos na função pública, não surtiram resultados suficientes para atenuar os efeitos nefastos da crise.

Para além do desemprego,os açorianos viram o seu incumprimento com a banca aumentar consideralmente, tal como no contexto nacional.

Em termos económicos assiste-se ao recuo de grandes projectos, na ordem de largos milhões de euros, como foi o caso da SIRAM. Era a grande bandeira do Executivo em termos de investimento externo. O Governo, por outro lado, sente a necessidade de intervir no dossier dos jogos de fortuna e azar.

É que o casino continua a ser uma utopia, apesar dos milhões de euros transferidos pelo Governo para o grupo ASTA, ao abrigo do que a legislação estabelece.O Hotel SPA das Furnas continua também encerrado.

Depois de anos de silêncio, o novo titular da pasta da Economia pede explicações sobre em que pé está o projecto do jogo nos Açores à ASTA e ao grupo Bensaude.

A ASTA responde que não se encontra em incumprimento e contra-argumenta com um despacho de Duarte Ponte que, basicamente, prorroga o prazo de execução do projecto.

Na comunicação social paira a ideia de eventual proteccionismo por parte do Governo dos Açores ao grupo Martins Mota. O ano de 2009 fica também como o ano em que é reaberta a “Guerra das Bandeiras”. Ao abrigo de uma disposição do Estatuto Político-Administrativo, o poder político nos Açores tenta accionar o desfraldar da bandeira dos Açores nos quartéis.

Os militares reagem, tal como aconteceu na primeira “Guerra das Bandeiras”, negativamente. Em Lisboa, o Ministério da Defesa pronuncia-se negativamente às pretensões dos Açores.

O desempate vem através do Tribunal Constitucional que invabiliza esta possibiidade nos Açores, a par de outras normas consideradas inconstitucionais do Estatuto dos Açores.

Na Câmara de Comércio de Ponta Delgada e na Santa Casa da Misericórdia de Ponta Delgada os tempos são de mudança. Costa Martins e Luís Silva, deixam as instituições.

Mário Fortuna consegue formar uma lista consensual contra Costa Martins, que é acusado de estar demasiado “colado” ao Governo de Carlos César, em detrimento do interesse dos empresários.

A derrota de Costa Martins não foi, contudo, digerida facilmente, tendo este recorrido dos resultados eleitorais, alegando ilegalidades praticadas pela lista afecta a Mário Fortuna.

O economia e professor universitário afecto ao PSD renuncia aos cargos que desempenhava na estrutura partidária. A Justiçaviria posteriormente a legalizar o acto eleitoral.

O tempo foi também de agitação na comunicação social pública, com os jornalistas da RTP a denunciaram eventuais pressões políticas do Governo na redacção.O director da estação de televisão pública vem a público contestar as palavras do jornalistas.

Numa entrevista ao Açoriano Oriental, o secretário-geral da UGT, João Proença denuncia o aumento da precaridade laboral nos Açores.

O ano que agora cessa fica também marcado como o ano da corrida ao título de cidade.Vila Franca do Campo avança com esta intenção, sendo seguida da Lagoa.

Seguem-se uma série de localidades a reivindicar a elevação a vila e também lugares a freguesias.

Dois episódios singulares marcam entretando o ano político:Berta Cabral é forçada por Manuela Ferreira Leite a deixar cair Duarte Feitas para viabilizar a presença do PSD/Açores no PE; presidente de Junta de Freguesia das Furnas deixa de ser candidato de César à Povoação, surgindo em alternativa Carlos Ávila.

Um dos “calcanhares de O Aquiles” do Governo dos Açores tem sido justamente a operação de transporte marítimo de passageiros e carga.

Em 2009 o cenário agudizou-se. Nos últimos anos, as falhas na operação montada têm sido constantes, para descontentamento generalizado dos passageiros que têm ficado em terra.

O Governo optou então por se substituir à iniciativa privada, encomendando a construção de raíz de dois navios aos Estabeleiros Navais de Viana de Castelo. Entretanto, o Instituto Portuário dos Transportes Marítimos (IPTM) detectou falhas no navio “Atlântida”.

O Governo dos Açores tinha anunciado no final de 2008 que os problemas de estabilidade em avaria do navio “Atlântida” estavam solucionados, o que não se veio a verificar.

A maioria socialista chumba entretanto a audição do secretário regional da Economia em sede de comissão parlamentar, solicitada pelo PSD/Açores, para esclarecer dúvidas sobre os barcos encomendados pelo Governo dos Açores.

O Tribunal de Contas arrasa com a gestão da Atlânticoline relativamente à construção dos dois navios nos Estaleiros de Viana do Castelo.

Desde quatro aditamentos ao contrato até à confirmação do aumento significativo dos custos e dos prazos de construção, passando pela detecção de situações de eventuais infracções financeiras por parte da administração da Atlânticoline, o TC aponta de tudo.

A líder do PSD/Açores, Berta Cabral afirma que se fosse Governo já tinha rescindido com os Estaleiros de Viana do Castelo.E é o que faz o Governo a reboque da líder da oposição.

A cair o pano de 2009, o Governo e os Estaleiros de Viana de Castelo chegam a acordo que entretanto não consegue anular a imagem negativa deixada em todo o processo.

Apesar de tudo, a operação de 2009, entregue à “Atlânticoline”, aproximou-se mais do que deve ser a normalidade de uma operação de transportes.

Comentários

Deixar Comentário

Quantos são Nove mais Nove? O que é isto?

Pesquisar

Conhecer Todos
Conhecer Todos