Economia

Açores podem vencer na era da globalização com mais iniciativa

  • 1 de Dezembro de 2015
  • 572 Visualizações, Última Leitura a 21 Março 2019 às 21:58
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Eduardo Catroga diz que economia dos Açores tem potencial para crescer.  ‘Chave’ não está no Governo, mas sim nos privados.

O economista Eduardo Catroga afirma que “todas as regiões podem vencer na globalização com políticas corretas e os Açores também podem vencer” até porque “os desafios que a economia açoriana tem são os desafios que todas as regiões do mundo têm com a globalização”.

Eduardo Catroga falava na conferência/almoço com o tema “A Globalização, a Política e a Economia”, que ontem decorreu no Hotel Açores Atlântico, em Ponta Delgada e que encerrou um ciclo de quatro conferências promovidas este ano pelo Açoriano Oriental e pela Rádio Açores/TSF.

As pequenas economias abertas, como a açoriana, podem ganhar com uma maior abertura de mercados, defende Eduardo Catroga, podendo encontrar fora de portas a saída para os seus produtos e a escala que a pequena dimensão do mercado interno normalmente não permite, mesmo quando este está protegido.

Eduardo Catroga também é da opinião que o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP na sigla inglesa) que se está a negociar entre os Estados Unidos da América e a União Europeia é essencial para os Açores “que serão dos maiores beneficiários como zona ultraperiférica que neste contexto pode ficar no centro, aproveitando a abertura do mercado norte-americano”.

O economista caracterizou os Açores como tendo um nível de riqueza que já está hoje muito próximo do Continente, tendo as transferências do Estado para as Regiões Autónomas, os fundos comunitários e o desempenho do tecido empresarial açoriano contribuído para esta situação, entre outros fatores.

Contudo, afirmou, “os Açores precisam melhorar as suas políticas públicas e precisam meter na cabeça que o problema não está no Estado; o problema está em cada um de nós, pelo que é preciso desenvolver a capacidades de iniciativa”, disse. Uma iniciativa que potencie o surgimento de novos empreendedores em novas áreas de negócio, sejam açorianos, de outras partes do país ou estrangeiros aproveitando-se, por exemplo, as ligações da diáspora açoriana na América do Norte.

Eduardo Catroga admitiu que nos Açores se sentiu menos a crise de 2008/2014 que no Continente “porque a despesa pública teve aqui um efeito amortecedor”, mas não deixou de alertar para a “vulnerabilidade estrutural” que é deixar perpetuar um peso excessivo do Estado,  neste caso da Região, sobre a economia.  Sobre a economia açoriana, afirmou ser preciso continuar a “fazer bem o que já se faz bem e fazer um ‘upgrade’ (atualização) dos setores tradicionais, com produtos de cada vez maior valor acrescentado” em setores como o agroalimentar e as pescas, apostando-se também na diversificação da atividade económica.

E lembrou, perante uma plateia que reunia alguns dos maiores empresários dos Açores, que a Região soube manter os seus grupos económicos no período revolucionário que se sucedeu ao 25 de Abril de 1974, quando no Continente se deixou ‘decapitar’ os grandes grupos económicos que existiam, em prejuízo da economia nacional.

Eduardo Catroga defendeu também o aumento das exportações dos produtos açorianos para novos mercados, sobretudo os produtos tradicionais.   Sobre o turismo, “que andou adormecido durante muitos anos”, o economista mostrou-se esperançado no seu crescimento com a liberalização das ligações aéreas ao Continente defendendo, contudo, que os Açores devem apostar na “qualidade” e tentar evitar a massificação que acabou por verificar-se na Madeira.

Defendeu ainda o desenvolvimento e a criação de novos centros de excelência na área da ciência e da tecnologia, lamentando que, no reverso da medalha, ainda se verifique nos Açores um abandono escolar precoce acima do que se verifica no Continente.

Finalmente e sobre o projeto de criar uma zona económica especial para a ilha Terceira, na envolvente à Praia da Vitória e Lajes, um projeto do Governo Regional que espera por ‘luz verde’ de Bruxelas, Eduardo Catroga diz que pode ser uma “oportunidade” para reduzir a dependência da economia da ilha da atividade que se gera à volta da Base das Lajes e do que apelidou de “subsídio dos americanos”.


Fonte: Açoriano Oriental

 

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