Economia

Empresários defendem privatização de empresas do setor público

  • 23 de Setembro de 2015
  • 400 Visualizações, Última Leitura a 20 Novembro 2017 às 03:39
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SATA, SINAGA, Santa Catarina e Verdegolf são exemplos de empresas públicas que, para a CCIA, devem ser privatizadas.

A Câmara de Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) defendeu ontem a venda das empresas SATA, SINAGA, Santa Catarina e Verdegolf, que são atualmente empresas com capitais do Governo Regional dos Açores.

Mário Fortuna, presidente da CCIA, durante a apresentação das conclusões do Fórum CCIA2015 - Economia dos Açores: Situação e perspetivas, sublinhou que se deve “programar a (re)privatização destas atividades”.

“As pessoas podem dizer que se não for o governo essas empresas vão à falência, mas se for assim é melhor que entrem em falência. O que não pode acontecer é que seja o erário público a garantir os défices operacionais destas empresas, porque os défices estão a acumular e a seguir para contas de endividamento”, afirmou Mário Fortuna, ladeado por Sandro Paim e Carlos Morais, representantes das Câmaras de Comércio de Angra do Heroísmo e Horta.

Mário Fortuna assume que as privatizações têm de deixar de ser um “tema tabu” e acrescenta que “quanto mais depressa” se avançar com as privatizações, “melhor”.

“Na esfera pública nada vai à falência. Procura-se é recursos do orçamento para manter as empresas vivas, mesmo que não exista uma justificação social positiva. Pode haver sempre a manutenção de um posto de trabalho, mas é preciso analisar quanto é gasto para manter esse posto de trabalho”, refere.

Já em abril deste ano, Mário Fortuna tinha defendido a privatização da SATA.

Agora, na qualidade de presidente da CCIA, explica porque continua a defender a privatização da transportadora aérea açoriana: a falta de capacidade para funcionar como “regulador” no preço das tarifas aéreas para o continente, sobretudo na ilha Terceira, onde pratica tarifas elevadas que “coloca problemas de liquidez aos residentes” e impede a viagem de turistas para a Terceira. Também a falta de lugares disponíveis na SATA Air Açores para as viagens inter-ilhas foi criticada pela CCIA.

Mário Fortuna acrescenta que a existência de resultados negativos na exploração da empresa até podem afastar o interesse na sua compra por privados. “Se a SATA continuar como está não será privatizada.

A gerar 15 a 30 milhões de prejuízos anuais não é algo que alguém queira comprar.  A privatização não tem de ser um tema tabu e precisa de ser algo ponderado.

Se algum dia o Governo decidir preparar a SATA para a privatização será através da preparação da empresa para ser sólida e interessante”, sustentou.

No âmbito do turismo, a CCIA defende que deve ser promovida a concorrência nas ligações aéreas no mercado da América do Norte, onde atualmente apenas a SATA voa para os Açores.

“É um mercado com potencial semelhante ao da Europa, mas que está, ainda, abafado. Agora ainda só conseguimos atrair turistas da diáspora e turismo promovido por militares americanos que passaram na Base das Lajes. A notoriedade dos Açores precisa de ir mais longe, mas é preciso as pessoas viajarem numa companhia que reconhecem. Também é preciso um preço mais atrativo”, frisou.

Mário Fortuna considera que o mercado dos EUA “é gigantesco”, sendo que os Açores devem procurar “ir além da própria comunidade da diáspora. Para irmos mais longe é preciso atrair voos de companhias dos EUA”.

A CCIA solicitou ainda um reforço de 10 milhões de euros para o turismo, no próximo orçamento regional, que servirá para apoiar a requalificação de estabelecimentos e profissionais da área do turismo, melhorar a sinalética de locais de interesse turístico em todas as ilhas e criar zonas mais amplas em miradouros.

“Dez milhões a dividir por nove ilhas vai acabar por ser apenas algumas migalhas em coisas importantes. Queremos promover coisas simples, como dar aulas de inglês ou dar formação no atendimento ao público. Estas pequenas coisas podem fazer muita diferença na qualidade do serviço prestado aos turistas”, resumiu.

Mário Fortuna solicitou ainda que fosse implementada uma descida do diferencial fiscal em sede de IRC e IVA, para todas as classes. Estas medidas iriam fazer descer as receitas públicas, mas aumentava a competitividade das empresas açorianas e disponibilizava mais verbas para o consumo das famílias.

O presidente da CCIA defende ser necessário “fazer um esforço racional para construir um modelo sustentável para os Açores”, sugerindo que se limita a um barco para as viagens inter-ilhas e se promova uma “cultura de trabalho dos jovens”, que podem realizar trabalhos sazonais “durante o Verão, com o pico do turismo”.

 

Apoios para a lavoura e regularização de dívidas às empresas

A Câmara de Comércio e Indústria dos Açores reconhece que a situação da crise do leite deve merecer um acompanhamento próximo do Governo Regional, porque “tem uma relevante importância na economia regional e naturalmente também com repercussões no resto da atividade económica”.

Também o setor da construção civil foi abordado pelos empresários que salientaram o atraso na entrada em vigor dos fundos comunitários  e solicitaram a “rápida ativação dos programas de urbanismo e de outros sistemas de apoio ao investimento em atividades que promovem a construção e reabilitação”.

A CCIA solicitou ao Governo Regional para resolver o problema da “chaga” das dívidas com as empresas. “É necessário um reforço orçamental para a regularização imediata das dívidas às empresas privadas”.

 

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