Economia

Terceira pode ser competitiva no setor do turismo cultural

  • 25 de Agosto de 2015
  • 848 Visualizações, Última Leitura a 16 Novembro 2018 às 11:31
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É no turismo cultural que a Terceira melhor pode dar cartas, defendeu na passada sexta-feira, na cerimónia comemorativa dos 481 anos de elevação de Angra do Heroísmo a cidade, Carlos Santos, presidente do Observatório do Turismo dos Açores.

O responsável, a quem coube fazer uma apresentação sobre o posicionamento dos Açores face às tendências do turismo mundial, sublinhou a riqueza da ilha em termos de cultura, tradições, na hospitalidade - "não há igual em mais nenhuma ilha dos Açores", referiu -, no património material e imaterial, e nas relações com a UNESCO.

Foi por isso, aliás, que Carlos Santos defendeu a incursão da Terceira, e mais especificamente de Angra do Heroísmo, no turismo criativo, através da associação à Rede Mundial de Cidades Criativas da UNESCO.

Segundo o especialista, os turistas criativos, que podem interessar à ilha e à cidade, não gostam de superlativos, são consumidores e produtores em simultâneo, partilham as suas experiências através das redes sociais, não se conformam com os circuitos turísticos tradicionais, gastam dinheiro nas viagens, e tentam combinar, numa mesma viagem, vários tipos de turismo - criativo, idiomático, gastronómico...

Já a Rede Mundial de Cidades Criativas, que ainda não inclui nenhuma cidade portuguesa, desenvolve parcerias no domínio da cultura e das indústrias criativas, promove a participação em atividades culturais nas cidades, assim como a integração da cultura nos planos de desenvolvimento.

O turismo sénior, sublinhou Carlos Santos, é outro dos segmentos que podem ser interessantes na Terceira. "A ilha Terceira tem uma abundância de recursos para oferecer experiências competitivas no âmbito do turismo sénior. Penso que é um segmento em que têm apostado na época baixa e no qual se deve continuar a apostar, porque é um segmento em crescimento ao nível mundial", sustentou.

O presidente o Observatório de Turismo dos Açores mostrou-se confiante nesse projeto. "Angra é uma cidade muito rica, com uma grande cultura, uma grande tradição histórica e penso que é uma cidade que se vai enriquecer mais no futuro através do turismo que, no fundo, é a indústria da paz, a indústria do contacto, da partilha, dos intercâmbios culturais, do enriquecimento dos destinos", sustentou.


COOPETIÇÃO

Para que esta estratégia se efetive, adiantou Carlos Santos, importa que se desenvolva, nos Açores, aquilo que designou de "estratégia de coopetição", isto é, de cooperação concorrencial, eliminando-se rivalidades entre ilhas e entre concelhos.

Entretanto, referiu, a Região não pode ficar de fora das tendências internacionais no que ao setor do turismo diz respeito.

E há vários aspetos, adiantou o responsável, que os visitantes privilegiam. A conectividade, isto é, as ligações à internet, é um desses aspetos e é, por outro lado, um dos aspetos que regista mais críticas negativas por parte dos turistas que escolhem os Açores.

Segundo um trabalho de análise das opiniões dos visitantes, veiculadas online, os comentários sobre a disponibilização de internet na hotelaria são, referiu Carlos Santos, "extremamente negativos".

Entre os piores indicadores - aqueles que, de acordo com o responsável, devem ser analisados pelos empresários - conta-se, ainda, a restauração associada aos hotéis das ilhas.

Já com melhor feedback encontram-se indicadores relacionados com o alojamento e os pequenos-almoços.

De resto, entre as tendências internacionais, estão também a procura por reservas online e last-minute, a partilha de recursos (alojamento, refeições), procura por animação noturna, procura por alojamento em espaço rural - mas com preocupações de design interior e conforto -, procura por alojamento urbano diferenciado, e procura de experiências únicas, com histórias para contar.

Neste sentido, aliás, Carlos Santos afirmou que o Observatório do Turismo dos Açores está a desenvolver um projeto que tem em vista a criação de "histórias dirigidas às empresas, para que elas possam vender melhor".

Viagens em família, procura por atividades culturais e produtos amigos do ambiente, procura por segurança, turismo de natureza e de saúde, procura por aprendizagem e conhecimento e hospitalidade e convívio, fazem ainda parte das preferências dos turistas.


AÇORES COMPETITIVOS

Embora defenda que os Açores não podem ignorar os sinais que vêm de outros destinos turísticos, Carlos Santos sustenta que continua a ser preciso que as ilhas apostem nos seus fatores diferenciadores, em detrimento da quebra nos preços.

A diferenciação, avançou, deve acontecer, nomeadamente, nas políticas e regulamentações, na sustentabilidade ambiental, na segurança, na saúde e higiene, na prioridade que é dada ao setor das viagens e ao turismo, nos transportes aéreos e infraestruturas, nos transportes terrestres e infraestruturas,  na competitividade pela qualidade preço, nos recursos humanos e nacultura pró turista, aspeto que, entende Carlos Santos, falta trabalhar na Região.

"Somos muito hospitaleiros nos Açores, mas a população não tem cultura turística e é preciso desenvolver essa cultura", disse.

Para o especialista, o momento em curso é ideal para traçar a estratégia turística nos Açores.

Em causa, referiu, está o aumento no número de turistas que procuram a Região, em virtude do início da operação das companhias aéreas de baixo custo, e o aumento progressivo da satisfação dos visitantes.

"NÃO VAMOS VER NO QUE É QUE ISTO DÁ; ISTO TEM QUE DAR CERTO, O BARCO TEM DE CHEGAR A BOM PORTO. E O BARCO PARA CHEGAR A BOM PORTO TEMOS DE MELHORAR A NOSSA OFERTA, DIRIGIR A NOSSA OFERTA PARA A NOVA PROCURA QUE VEM AÍ, E TRABALHARMOS DE MÃOS DADAS COM ESSAS COMPANHIAS LOW COST, PARA QUE ELAS FIQUEM, PARA QUE A OPERAÇÃO SEJA DURADOURA E A TRANSFORMAÇÃO SE DÊ DE FORMA EFICAZ NO FUTURO", SUBLINHOU.


MELHORIA DA OPERACIONALIDADE É URGENTE, DIZ ÁLAMO MENESES

Atenção ao Porto das Pipas

É fundamental avançar com a adaptação do Porto das Pipas, no sentido de o tornar capaz de acolher as embarcações que fazem as ligações entre as ilhas, defendeu Álamo Meneses, presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, na cerimónia comemorativa dos 481 anos de elevação a cidade.

Segundo o autarca, Angra do Heroísmo sempre foi uma cidade "aberta ao mundo", que viveu desse contacto, sendo necessário, por isso, "reencontrar esse lugar", uma vez que a centralidade é "o ponto fulcral para o seu desenvolvimento".

Os transportes marítimos, entende, necessitam, nesse sentido, de "especial atenção" e investimento.

Nesse seguimento, aliás, Álamo Meneses sublinhou que a melhoria das condições do Porto Pipas é uma das questões "mais urgentes e mais importantes" que se colocam no que diz respeito ao desenvolvimento da cidade.

No seu discurso, o presidente da autarquia angrense lembrou o percurso histórico de Angra do Heroísmo, defendendo que a cidade ultrapassou todos os momentos difíceis com que se deparou, tendo, inclusive, saído reforçada dessas batalhas. "[É o que] acontece hoje, quando a nossa cidade, o nosso concelho, a nossa ilha continuam a crescer e à procura de novos caminhos da modernidade e do desenvolvimento sustentável", afirmou.

O autarca recordou, do mesmo modo, que em 2016 vão assinalar-se, em Angra do Heroísmo, várias datas importantes, entre elas os 250 anos da criação da capitania geral dos Açores - altura em que Angra assumiu o papel de "capital dos Açores", durante 70 anos -, e os 150 anos da inauguração do edifício-sede do município.

No próximo ano assinala-se, também, o 50º aniversário da geminação de Angra do Heroísmo com Tulare.

Segundo Álamo Meneses, a cidade estabeleceu "um conjunto de relações e de pontes com a diáspora açoriana e com o continente norte-americano", e isso deve ser celebrado, uma vez que, nesse âmbito, "Angra foi uma cidade pioneira" no desenvolvimento de um processo de geminação.

 

NA CERIMÓNIA COMEMORATIVA DOS 481 ANOS DA ELEVAÇÃO A CIDADE, O MUNICÍPIO ENTREGOU AGRACIOU PERSONALIDADES E INSTITUIÇÕES. NA LISTA CONSTAM NOMES COMO RAQUEL COSTA E SILVA, MANUEL VASCO MONT'ALVERNE, COLÉGIO DE SANTA CLARA, ANTÓNIO DE FREITAS ROCHA MENDES, DIAMANTINO FERREIRA ÁVILA, JOÃO HENRIQUE MELO COTA, MARIA DA CONCEIÇÃO COUTO, AVELINO TEIXEIRA DE BORBA, MANUEL FERNANDES GIL, JESUÍNA MARIA BARCELOS DA COSTA, MARIA DA BOA HORA FREITAS ROCHA BARCELOS, JOSÉ EVANGELHO TOSTE, A EMPRESA ONTÁRIO ALUMINIUM & GLASS, LÍDIA MARIA COELHO MARTINS ÁVILA, JÁCOME AUGUSTO PAIM DE BRUGES BETTENCOURT, MARIA INÊS COTA SOUSA, ANA MARGARIDA FILIPE, ANTÓNIO FERREIRA DA COSTA E SÍLVIO MANUEL FARIAS NOGUEIRA.

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