Economia

Americanos não saem das Lajes

  • 15 de Agosto de 2015
  • 519 Visualizações, Última Leitura a 16 Setembro 2019 às 10:15
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Apesar da recente redução do contingente militar norte-americano na Base das Lajes, os Estados Unidos da América (EUA) não vão prescindir, verdadeiramente, da sua presença no arquipélago dos Açores, sendo este um ponto estratégico demasiado importante para aquele país na eventualidade de um qualquer conflito internacional.Quem o diz a DI é o professor universitário e especialista em Relações Internacionais, Luís Andrade, no âmbito das preocupações expressas pelo 'think tank' European Leadership Network (ELN) relativamente à "dinâmica perigosa" existente nas relações entre a NATO e a Rússia, que se tem agravado desde os conflitos registados na Ucrânia nos últimos tempos.Em causa estão alguns dos exercícios militares que têm tido lugar nos últimos meses nas regiões euro-atlânticas e que têm provocado alguns "encontros militares próximos" entre as duas fações, segundo aquele grupo de análise pan-europeu sediado em Londres."A Rússia está a preparar-se para um conflito com a NATO, e a NATO está a preparar-se para um possível conflito com a Rússia", sendo que "cada parte está a treinar-se tendo em vista as capacidades da outra, e tendo muito provavelmente projectos de guerra em mente", afirma um relatório elaborado pela ELN."Não estamos a sugerir que os dirigentes de cada lado decidiram partir para a guerra, ou que um conflito militar entre os dois é inevitável, mas é um facto que o perfil dos exercícios mudou, e que isso contribui para manter o clima actual de tensões na Europa", conclui.Na eventualidade de se confirmar um conflito internacional, quer de guerra aberta quer num ambiente de Guerra Fria, Luís Andrade diz que "é evidente que a Base das Lajes, apesar da redução substancial de tropas norte-americanas, continua a ser importante para os EUA". Por um lado, diz, "para a projeção do poder, por outro, como uma plataforma para que material militar e mesmo homens possam chegar o mais rápido possível".É, portanto, evidente, na ótica do especialista em Relações Internacionais, que "a América não abandonou a Base, nem o vai fazer" nos próximos tempos, já que "se houver um conflito ela será reativada" porque, "no âmbito da geopolítica, nunca poderá haver um vazio de poder"."Existe hoje uma diminuição da importância geoestratégica da Base das Lajes, mas essa é conjuntural" e pode mudar no futuro, acrescenta o professor da Universidade dos Açores, o que justifica o facto de os norte-americanos não abandonarem de vez a Base açoriana.
Relação EUA-PORTUGALLuís Andrade diz mesmo que, relativamente à forma como todo este assunto foi tratado, "o Governo da República devia ter batido pé e arranjado alternativas credíveis" para a Base das Lajes, já que, não o fazendo, os EUA vão continuar a aproveitar-se daquele espaço para "defender os seus próprios interesses", ignorando os interesses portugueses.Da parte dos EUA, a administração norte-americana "diz sempre que vai estudar o problema, mas fica a estudar indefinidamente". Por isso, defende que aquele país "devia assumir os seus compromissos", independentemente dos danos que essas decisões possam trazer à "relação de amizade entre os dois países".Não o fazendo, mantém-se então a situação de indefinição atual e que permite aos EUA "poupar algum dinheiro", de forma a poder ultrapassar alguns "problemas de origem financeira", sem nunca perder verdadeiramente a sua influência geopolítica e geoestratégica nos Açores, conclui Luís Andrade.Relativamente a um possível conflito entre a NATO e a Rússia, a NATO já reagiu à publicação da ELN, por via de declarações da sua porta-voz, Carmen Romero, à agência France Presse, dizendo que a Aliança Atlântica apenas procura "aumentar a segurança e estabilidade na Europa em resposta à agressão crescente da Rússia".

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