Economia

Entrevista: “Turistas confrontados com passagens a 700 euros”

  • 7 de Julho de 2015
  • 507 Visualizações, Última Leitura a 16 Outubro 2019 às 12:34
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Sandro Paim, presidente da Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo, alerta para o facto de o Turismo da Terceira ir de "mal a pior".

Estão previstos menos quatro voos para de Lisboa para a Terceira por semana em relação a anos anteriores. Quais os impactos dessa situação, sobretudo, para o turismo?

Tendo em conta as nossas estimativas haverá menos quatro voos por semana entre Lisboa e a Terceira nos meses de julho e agosto, o que quer dizer que teremos menos 700 lugares disponíveis para cada percurso.

Essa situação significa mais um revés para o Turismo da Terceira porque os aviões estão neste momento com taxas de ocupação de lugares muito elevadas que em alguns casos, ultrapassam os 80 por cento.

Os turistas estão a ser confrontados com situações em que é exigido o pagamento de passagens que chegam a atingir os 600 e 700 euros. Perante esses valores desistem de visitar a Terceira.Nós estamos na Terceira numa situação muito complicada no que se refere ao Turismo porque não conseguimos crescer, ao contrário do que acontece noutras ilhas.

Sem operações "charter" para a Terceira e com a operação da TAP e da SATA com menos lugares do que em anos anteriores é muito difícil os empresários da Terceira fazerem o seu trabalho.

Há muitas críticas que vão no sentido de que o problema da Terceira é o produto e o serviço, mas parece-me que será de um modelo de transportes que reduziu o número de lugares nos aviões na época alta.

Em julho e agosto, são raros os voos em que há mais de 7 ou 8 lugares disponíveis quando ainda estamos no início deste mês... Tendo em conta esta realidade é impossível que o setor do turismo da Terceira possa crescer?

Sim, desta forma é impossível.

E o pior é que temos que ter em conta os resultados péssimos do Turismo na época baixa.

Houve investimentos que não foram feitos na promoção da Terceira e tivemos taxas de ocupação a decrescer, ao contrário do que aconteceu na Região que cresceu 20 por cento e em algumas ilhas que chegaram quase aos 50 por cento.

Quando havia a espectativa que no verão se poderia recuperar da sazonalidade verificamos que há menos voos, faltam de lugares nos aviões em julho e agosto e passagens a 600/700 euros para turistas.

Onde é que querem que a Terceira chegue com esse tipo de acessibilidades? Tem havido alguns contactos para resolver o problema?

Temos defendido que é muito importante trabalhar já tendo em vista próxima época baixa porque este verão, no nosso entender, já não há nada a fazer porque as companhias aéreas dizem que não têm disponibilidade para fazer mais voos para a Terceira.

O Governo Regional tem que dizer claramente se está ou não disponível para investir no Turismo da Terceira. Esse investimento não é muito significativo mas tem que ser feito.

Defendemos que a SATA tem que voar todo ano entre a Terceira e os Estados Unidos com um voo semanal e acreditamos que é possível haver um esforço junto dos operadores turísticos para que sejam garantidas três operações "charter" por semana.

Essas operações "charter" devem ser efetuadas de locais que não tenham um período de férias semelhante ao nosso.

Sabemos que em relação ao mercado nacional os períodos de férias são o verão, Páscoa e Passagem do Ano e o mesmo acontece com o espanhol. Mas há mercados como o alemão, inglês ou belga em que os turistas viajam em qualquer altura do ano.

Temos criar condições para que a Terceira tenha taxas de ocupação na época baixa que sejam minimamente interessantes para motivar os investimentos no setor. Existe abertura do Governo Regional para que isso aconteça?

O Governo Regional tem que ter abertura, tal como teve ao longo dos últimos anos.

Infelizmente esse esforço não foi distribuído da mesma forma por algumas ilhas e concentrado apenas uma tendo em vista a captação de companhias "low-cost" para São Miguel.

Os terceirenses têm que exigir que também haja um investimento forte na ilha para a captação de voos dessas companhias. Existe também o problema das escalas técnicas nas Lajes que nunca foi resolvido...Isso tem a ver com os constrangimentos de haver nas Lajes uma base militar.

Sabemos que existem protocolos em Beja para que esses constrangimentos não existam mas nas Lajes o tempo passa e as coisas não mudam. Além disso, os custos das escalas técnicas nas Lajes são sempre mais altos do que em outros aeroportos da Região que são geridos por uma empresa privada.

Nas Lajes a gestão do aeroporto é da responsabilidade do Governo Regional que nada fez para o tornar mais competitivo e perdemos muitas escalas técnicas para Santa Maria e para fora da Região Mas vai-se ou não resolver o problema das escalas técnicas nas Lajes?

O que temos vindo a assistir é que as coisas andam de um lado para o outro e que o Governo Regional e o Governo da República apontam responsabilidades um ao outro.

Nós não queremos saber de quem é a responsabilidade mas que as coisas se resolvam porque a Terceira está a ser prejudicada. Não apenas nas escalas técnicas, mas também porque as Lajes continuam sem ter um novo terminal de carga, apesar deste estar prometido há mais de cinco anos. Carga para São Miguel

A carga da Terceira está a ir para são Miguel para sair da Região por falta de capacidade logística?

Não só da Terceira mas das outras ilhas do grupo central no que se refere aos produtos para a exportação.

Nós precisamos de um terminal de carga nas Lajes que seja completivo com rede de frio e outras condições que permita que a mercadoria enquanto está cá fica em boas condições de acondicionamento.

O aeroporto que tem essas condições é o de Ponta Delgada, por isso a mercadoria para exportação vai para lá. E temos também o programa das obrigações do serviço público de transporte de carga em que não há interessado.

Plataforma logística | Governo Regional não avança com o "Hub"

A criação de um "Hub" logístico no porto da praia da vitória não estará a cair no esquecimento?

A Câmara do Comércio de Angra do Heroísmo deu todos os passados no sentido de se avançar com o "Hub" logístico na Praia da Vitória. Foram efetuados os estudos de viabilidade, os projetos e contactos com portos do Estados Unidos que têm interesse em avançar nesse sentido.

Há operadores privados interessados em participar no "Hub" da Praia da Vitória e o acordo de comércio livre entre a Europa e os Estados Unidos vai potenciar as trocas de mercadorias entre os dois lados por via marítimo.

Da parte do Governo Regional há uma falta de vontade em avançar que nós não conseguimos entender.

É essencial para a Região potenciar este projeto porque isso significa que quando quisermos exportar para a Europa ou Estados Unidos teremos asseguradas todas as ligações a um preço muito mais baixo, o que será muito bom para as nossa empresas que exportam os seus produtos e também porque julgo que qualquer investidor iria olhar os Açores de outra forma.

Fonte: Diário Insular

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