Economia

Construção cresce pela primeira vez em 13 anos com desemprego a cair

  • 22 de Junho de 2015
  • 462 Visualizações, Última Leitura a 16 Outubro 2019 às 11:44
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Já se está, de novo, a construir habitação nova em Portugal. Pela primeira vez em 13 anos, o número de novos fogos em construção cresceu.

No primeiro trimestre do ano construiram-se 1797 habitações novas, um aumento de 14,6% face a igual período do ano passado.

Este é apenas um dos muitos indicadores positivos do sector da construção no primeiro trimestre do ano.

O investimento cresceu 8,5% e o valor acrescentado bruto aumentou 7,6%, indicadores que estavam em queda consecutiva desde o primeiro trimestre de 2002.

Mais importante ainda, o desemprego do sector recuou 21,8%, em abril, enquanto o número de insolvências diminuiu 20,6%.

Números que são tanto mais importantes se tivermos em conta que, só nos últimos cinco anos, a quebra acumulada do investimento na construção foi de 43,6%, enquanto a produção recuou, em termos acumulados, 32% ao nível das obras públicas e 58% na habitação.

O número de novas habitações e novos licenciamentos, entre 2010 e 2014, caiu 70%, enquanto os concursos abertos e adjudicados foram 40 a 60% inferiores durante esse período.

A quebra acumulada no consumo de cimento foi de 59%. Tudo isto levou a que se perdessem 260 mil postos de trabalho e ao desaparecimento de 37 mil empresas.

Os dados são da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), que destaca não só o crescimento de 48,5% nos empréstimos dos bancos à habitação entre janeiro e abril - correspondentes a mais 323 milhões do que em abril de 2014 -, como o crescimento de 2,6% no valor médio da avaliação bancária, o que constitui, garante ao Dinheiro Vivo Reis Campos, "a maior subida registada desde junho de 2010".

O presidente da CPCI mostra-se satisfeito com estes dados e lamenta que o mercado de obras públicas revele "sinais contraditórios e preocupantes", com uma queda, de janeiro a abril, de 41% nos concursos e adjudicações de obras públicas.

"Com o QREN a terminar, os sinais deviam ser contrários, o que nos leva a questionar se os fundos estarão a ser bem aproveitados", diz Reis Campos. Este responsável lembra que o Plano Juncker será votado na próxima quarta-feira pelo Parlamento Europeu. "São 315 mil milhões de euros.

Numa altura em que a Europa ajuda à reabilitação urbana e para efeitos de eficiência energética, porque é que Portugal não está a discutir qual é o plano que quer ter para os próximos anos?", questiona.

A prioridade é a reabilitação urbana Apesar do crescimento da construção de habitação nova, Reis Campos garante que a prioridade terá sempre que ser a reabilitação urbana. Até porque a mentalidade dos portugueses mudou.

"Em 2001, construíam-se 118 mil fogos em Portugal. No ano passado fizeram-se seis mil. Nunca mais voltaremos aqueles números. Com a precariedade no emprego, os jovens nunca sabem onde estão amanhã e, por isso, preferem alugar. E preferem os centros das cidades, por isso há que apostar crescentemente na reabilitação", diz.

E aqui voltamos à falta dos apoios, refere Reis Campos. "Para além de algumas situações pontuais, a habitação nova não vai ter nenhum incremento.

Em contrapartida, precisamos de reabilitar 1,5 milhões de habitações, mas, para isso, continuam a faltar os instrumentos financeiros para incentivar a reabilitação de imóveis para arrendar. Porque quanto mais casas houver no mercado, mais as rendas baixarão", defende o presidente da CPCI.

"Os 15 milhões de euros que o Governo anunciou há dias para este fim são uma gota de água no oceano. Precisamos é dos dois mil milhões que o ministro prometeu há um ano", frisa este responsável, lembrando que há um certo contágio na reabilitação. Basta passear pelos centros das cidades para confirmar que, pouco tempo depois de uma intervenção num prédio seguem-se outros na mesma rua e nas proximidades.

Refira-se, a propósito, que desde a implementação da Agenda Açoriana para a Criação de Emprego e Competitividade Empresarial já foram aprovadas 184 candidaturas.

Fonte: Dinheiro Vivo

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