Economia

Menos desemprego e menor salário

  • 18 de Novembro de 2009
  • 192 Visualizações, Última Leitura a 19 Agosto 2017 às 03:44
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Os Açores possuem a menor taxa de desemprego do país mas em contrapartida é a segunda região de Portugal onde se praticam os salários mais baixos.

O mercado de emprego nos Açores é feito de extremos uma vez que se por um lado é onde se verifica a menor taxa de desemprego do país (6,2% contra 9,8% de média nacional), por outro, é a segunda região na qual se pratica o mais baixo salário para os trabalhadores por conta de outrem (em média 685 euros/mês contra 761 euros /mês no país).

Os números do INE trazem boas notícias para quem observa o mercado de emprego: nos últimos três meses conseguiu-se “travar” a evolução da taxa de desemprego que em Setembro se cifrava em 6,2%, o que representa um recuo de 0.8 p.p. face ao trimestre anterior (7%).

É claro que relativamente ao trimestre homólogo de 2008 as contas permanecem complicadas o que evidencia que a crise ainda está longe de ser banida. Com efeito, no ano passado, em Setembro, a taxa de desemprego era de “apenas” 5,2% (o “apenas” entre aspas resulta do facto de num horizonte não muito longínquo os Açores terem atingido o pleno emprego).

Assim, em termos absolutos, em Setembro de 2009, os Açores possuíam uma população activa de 120 mil indivíduos, 112 doze mil e 600 dos quais empregados e 7500 desempregados. A população inactiva era de 125 mil e 200 indivíduos (estudantes, domésticos, reformados, etc).

Dos desempregados, cerca de dois terços tinha entre 15 e 34 anos de idade. Por sexo, a taxa de desemprego nas mulheres atingia os 7,5% e nos homens 5,3%. Dos 7500 desempregados, 6700 estavam à procura de novo emprego e 800 à procura de primeiro emprego. No que concerne à duração, do total de desempregados cerca de 43% procurava emprego há doze ou mais meses.

Salários baixos

Da população empregada nos Açores, 112 mil e 600 indivíduos, 89 mil e 100 eram trabalhadores por conta de outrem e , em média, auferiam 685 euros por mês cada, quando esse valor sobe para 761 euros para a média nacional.

Pior dos que os açorianos só mesmo os trabalhadores da zona centro do país que em média levavam para casa menos dois euros por mês. Todavia, se atentarmos aos salários praticados na “vizinha “ Madeira temos que em média cada madeirense que trabalha por conta de outrem aufere 720 euros por mês, ou seja, mais 35 euros por mês do que os açorianos.

Se compararmos os salários praticados nos Açores e em Lisboa observa-se que a diferença a favor dos “alfacinhas” é ainda bem maior: em média mais 213 euros por mês!

Mas, vamos esmiuçar os valores dos Açores. Podemos começar por referir que em média agricultores e pescadores levam para casa 473 euros por mês, valor que sobe para 604 euros por mês no sector da indústria e 732 euros nos serviços.
Se decompusermos os rendimentos por escalões, percebemos, por exemplo, que dos tais 89 mil e 100 trabalhadores por contra de outrem que existem nos Açores, cerca de metade recebe entre 310 a 600 euros por mês. Acresce que cerca de 30% recebe entre 600 euros e 900 euros por mês.

Salários “milionários”, acima dos 3 mil euros por mês, só mesmo para 400 açorianos.

Para tornar a situação mais complicada, temos que nos Açores os preços são mais elevados. É que não obstante ter vindo a baixar desde o início do ano em todo o país, a taxa de inflação média nos Açores desceu para 1,3% em Outubro, enquanto a nível nacional diminuiu para -0,6%.

“Política social não cabe às empresas”

Uma vez mais a Câmara do Comércio alega que as empresas açorianas não reúnem condições para fazer face ao complemento de 5% do salário mínimo nacional (300 euros /ano por trabalhador), porque configura uma degradação de competitividade do tecido empresarial local face à concorrência externa.

“Este valor é fixado pelo Governo Regional anualmente e trata-se de um acréscimo salarial unilateral que acarreta custos de produção mais elevados, o que contribuiu para fragilizar um tecido empresarial que já em si é bastante frágil”, refere o presidente da Câmara do Comércio.

No entanto, Mário Fortuna adverte que se for necessário reforçar o rendimento das famílias, que o seja, mas pela via social, o que cabe ao Governo Regional: “Não é com o acréscimo de 5% que se resolve o problema do salário mínimo. Se for necessário reforçar o rendimento familiar a política social é a via mais adequada para o fazer. Ora, não é viável numa economia aberta impor custos adicionais às empresas que têm de intervir no mercado. Afinal, se não forem competitivas, acabam também por sofrer os trabalhadores, porque os empregos deixam de ser sustentáveis”.

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