Economia

Banca aperta o cerco aos incumpridores

  • 12 de Novembro de 2009
  • 192 Visualizações, Última Leitura a 24 Setembro 2017 às 12:22
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No ano de 2008 verificou-se um aumento significativo nos valores de créditos e juros vencidos devido às dificuldades de particulares e empresas em cumprir as respectivas obrigações o que levou a banca a accionar o alarme quer tornando a concessão de novo crédito mais rígida quer encetando um conjunto de medidas para recuperar crédito concedido.

 Para a generalidade da banca, os sectores que detinham indicadores de sinistralidade mais elevados registaram um agravamento reflectindo as maiores dificuldades no cumprimento, nomeadamente, no crédito ao consumo a particulares e no crédito aos sectores dos serviços, construção e comércio.

A progressiva degradação da situação económica e consequente perspectiva de agravamento da capacidade de resposta dos clientes levou a banca a reorganizar a área de recuperação de crédito ao reforçar os recursos humanos e a adoptar procedimentos para travar o incumprimento, seja por via da negociação, a preferida, ou mesmo através de contencioso judicial.

No Banif Açores, no último trimestre de 2008, foi criado o Comité Permanente de Crédito Vencido, que passou a ser o orgão responsável pela gestão da carteira de crédito vencido nos Açores. O corpo técnico foi alargado assim como foi disponibilizado um sistema de informação de apoio às acções de recuperação à gestão da carteira e ainda reforçada a recuperação judicial com mais advogados externos. O esforço teve os seus méritos: entre 30 de Setembro e 31 de Dezembro, o crédito vencido registou um decréscimo de cerca de 12 milhões de euros. Ainda assim, o Banif Açores não evitou que o crédito vencido aumentasse de 24,5 para 32 milhões de euros e que no final do ano o rátio crédito vencido/crédito total, que mede a qualidade do crédito, atingisse os 2,0% (+0,3% face ao ano anterior).

No Banco Espírito Santo dos Açores o crédito vencido centrou elevados esforços já no segundo semestre de 2008 tendo em conta o contexto do mercado financeiro, bem como o início do seu impacto na economia real. Uma intervenção atempada e preventiva permitiu contribuir positivamente para os resultados do banco. Findo o exercício, o crédito vencido totalizava 4,9 milhões de euros (-0,8% do que em 2007) enquanto o indicador crédito vencido/crédito total desceu para 1,33% (- 0.20 p.p. do que no ano anterior). O impacto do incumprimento de particulares e empresas aumenta substancialmente conforme a dimensão da instituição financeira e respectiva carteira de clientes.

Por exemplo, no BCP Millenium, o crédito vencido totalizou 851 milhões de euros em Dezembro de 2008 contra 555 milhões de euros em 2007 (resultados globais país). Na mesma altura, o rátio crédito vencido/crédito total cresceu para 1,2% (+0.4 p.p. do que em 2007). No relatório e contas o banco reconhece que o maior volume de crédito vencido surge condicionado pela deterioração das condições económicas das empresas e particulares, não obstante a monitorização contínua da carteira de crédito e a avaliação e selecção rigorosa na concessão de crédito.

Também no gigante Caixa Geral de Depósitos a área de recuperação do crédito procedeu a ajustamentos organizacionais com vista melhorar o funcionamento interno e implementou diversos instrumentos de recuperação destinados a aumentar a eficiência da actividade recuperadora e a privilegiar a regularização negocial em detrimento da judicial. De qualquer modo a instituição não se livrou do saldo do crédito vencido ter aumentado 29,3% para 1 842 milhões de euros (país) e que o ratio crédito vencido/crédito total atingisse 2,38% (2,05% em 2007).

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