Economia

Crise leva famílias a pouparem mais e a refrearem consumo

  • 28 de Outubro de 2009
  • 226 Visualizações, Última Leitura a 20 Novembro 2017 às 19:17
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As poupanças das famílias estão a subir, depois de vários anos em queda, um comportamento que os economistas ouvidos pela Agência Lusa, quando se comemora a 31 de Outubro o Dia Mundial da Poupança, consideram ser normal e de precaução.

Inversamente, o consumo está em queda, levando o país para uma inflação negativa em 1,8 por cento.

De 2003 a 2007, a taxa de poupança das famílias sofreu uma forte quebra, de 10,6 para 6,2 por cento do seu rendimento disponível, segundo dados do Banco de Portugal (BdP). A crise veio inverter esta tendência.

Desde 2008 que a taxa de poupança tem aumentado, tendência que continuou no primeiro semestre de 2009, segundo os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). No ano passado, a taxa de poupança situou-se nos 6,4 por cento, e no primeiros seis meses de 2009 subiu 2,2 pontos percentuais (no acumulado anual) face aos números do final de 2008, para os 8,6 por cento.

O rendimento disponível das famílias aumentou, muito porque a factura com a prestação da casa diminuiu substancialmente com a diminuição das taxas de juro.

Ao aumento do rendimento acresce uma retracção no consumo privado (-0,8 por cento no segundo semestre), levando as poupanças para níveis muito superiores aos do final de 2007.

Para a economista do BPI Paula Carvalho, este "é um comportamento típico em épocas de recessão e de crise", porque "as famílias tornaram-se mais cautelosas e trata-se sobretudo de uma poupança precaucional". O aumento do rendimento disponível das famílias, diz, é "normal" devido à "queda das taxas de juro de curto prazo" o que se reflectiu nas prestações de muitas famílias porque "em Portugal a maior parte dos empréstimos têm a taxa variável", as euribor.

Para o economista João César das Neves, as pessoas estão a poupar para pagar as dívidas que acumularam durante um período de "exagero de consumo" que existiu nos últimos tempos.

"As pessoas andaram num excesso de consumo que levou à reacção contrária e isso é a crise. Estão a poupar porque têm de poupar. Não é bom, nem mau, é indispensável. O que a crise demonstrou é que as pessoas têm de pagar as suas dívidas, se julgavam que o nível de endividamento era sustentável, a crise demonstrou que afinal não é", explicou.

Para além dos receios face à conjuntura e o endividamento próprio das famílias, o professor da Universidade Católica considera que o aumento das poupanças reflecte também medo pelo aumento da despesa do Estado.

"A dívida do Estado também está a subir a níveis astronómicos e isso cria a necessidade de poupança, porque as pessoas percebem que vão ter de pagar isso mais tarde", disse.

Ao contrário das famílias, o Estado tem vindo a aumentar a despesa, algo que se verifica na necessidade de financiamento das administrações públicas, que se agravou de 2007 (4,21 mil milhões de euros) para 2008 (4,45 mil milhões de euros).

A confirmar-se o previsto para 2009, as necessidades de financiamento podem atingir os 9,65 mil milhões de euros, muito superiores aos últimos anos, inclusivamente a 2005 quando o défice orçamental atingiu os 6,1 por cento.

Nas empresas, a poupança corrente tem vindo a descer nos últimos cinco anos, passando de um valor equivalente a 8,2 por cento do PIB, em 2003, para 3,2 por cento, em 2008.

O cenário é semelhante quando se analisa o total da economia. Segundo o BdP, o défice externo português agravou-se em 2,4 por cento (do PIB) de 2007 para 2008, tendo terminado 2008 nos 10,5 por cento.

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